terça-feira, 5 de outubro de 2010

Paula Escarameia (1960-2010)

Paula Escarameia tinha 50 anos e foi a primeira mulher a ser eleita, no âmbito das Nações Unidas, para a respetiva Comissão de Direito Internacional. Acabo de ter conhecimento da sua morte.

Tive o prazer de conduzir, durante o ano de 2001, a sua candidatura àquele órgão, do qual continuava a fazer parte, e em cuja eleição obteve a maior votação que Portugal alguma vez dispôs num escrutínio no âmbito da ONU. Recordo o momento de alegria que a sua escolha representou para todos nós, em Nova Iorque.

Doutorada em Harvard, teve um percurso académico riquíssimo. Anos antes daquela sua eleição, havia sido Conselheira junto da missão portuguesa junto da ONU. Era uma personalidade extremamente prestigiada e reconhecida pelos seus pares. Pessoalmente, a Paula era uma "força da natureza", dotada de um sorriso alegre, de uma boa-disposição contagiante. Vai fazer muita falta, também à sua (e minha) escola, o ISCSP.

11 comentários:

Cunha Ribeiro disse...

Caro Embaixador,

Não conhecia a senhora.
Agora, graças a este gesto simples, mas nobre, de a EVOCAR pela ocasião da sua morte, a senhora Paula Escarameia apareceu-me a mim, não em carne, mas em espírito, e assim se deu o milagre de uma "ressurreição". Assim se transforma a morte em "vida".

Cunha Ribeiro

Anónimo disse...

E
A mando do Céu
As nuvens choram...
Formando um Rio de respeito
Por mais Alguém
Que se Lhe aconchega no leito
Da paz do além
Muda em silêncio Ateu
E...
Isabel Seixas

Blondewithaphd disse...

Grande colega! Excelente profissional! Ainda estou atordoada, nem sei bem que dizer. Mas neste mundo de blogs e posts para os anónimos, agradeço-lhe este "in Memoriam".

Rubi disse...

Estou chocada. Como Iscspiana tive o prazer de conhecer a Dra. Paula Escarameia. Era um ser humano fantastico e uma pessoa com uma grande humildade, apesar do peso do seu curriculo, e nem sempre tratada da melhor forma no Iscsp. Chocada, triste...

O BLOG DA LOLA disse...

A Professora Paula Escarameia sera sempre uma referencia humana e academica, um notavel exemplo que nao morrera mais na mais profunda convicçao da minha pessoa.
Obrigado!
Francisco Leandro
Florença/Italia

LP disse...

Encontro-me como o sr. Cunha Ribeiro, não conhecia a senhora Paula Escarameia!

Lamento o seu desaparecimento à luz dos nossos olhos e agradeço-lhe a sua obra.

Até breve!

Anónimo disse...

Pelos piores motivos, conheci-a nesta fase menos boa da sua vida,visto que trabalho na area da saude.
"Era um ser humano fantastico e uma pessoa com uma grande humildade, apesar do peso do seu curriculo..."Isto é tanto verdade, que não de uma unica frase/pedido ou seja o que for em que não tenha terminado com um obrigado ou um gesto afavél... e só agora me apercebi da grandiosidade deste ser humano ,sobre quem ela foi na nossa sociedade civil.

Até logo.....

margarida disse...

Conhecia a Paula desde sempre porque crescemos juntas. Ainda não me consegui refazer da chocante notícia mas recordarei sempre a sua frase : " quero fazer coisa grandes e mudar aquilo que está mal! ". E assim foi o seu percurso. Há pessoas que são únicas e a Paula é,certamente uma dessas. Como dizia Camões . " se vão da lei da morte libertando ". Até já Paula.

Ana Filgueiras disse...

Conheci a Paula numa brilhante Conferencia que deu na Fundação Mario Soares . Encontramo-nos e "emailamo-nos" o suficiente para ter testemunhado tudo o que aqui se diz sobre ela.Brilhante, seríssima (adjectivo tão raro nos tempos que correm...)e de uma grande generosidade intelectual. Alguem que via a vida académica e o conhecimento como meios e instrumentos capazes de contribuir para um mundo melhor e não como a maioria dos académicos como um fim per si..Aprendi muito com ela e ainda estou tristíssima com a sua partida. Vale dizer que não me espanta estar presente no Blog do Embaixador Francisco Seixas da Costa tambem ele um raro exemplo de um Diplomata que faz a diferença. Ainda hoje me chegam ecos do seu trabalho no Brasil. A Paula está aqui em boa companhia
Ana Filgueiras

Anónimo disse...

Estudei com Paula na Itália, no "Bologna Center" da Universidade Johns Hopkins, mais de 25 anos atrás.

Ela foi o melhor do nosso grupo, em termos de sua efervescência e do intelecto, sua capacidade de estabelecer relações pessoais e amizades, e seu compromisso com a justiça.

Jovens estudantes podem ser absorvidos demais em si mesmo, tendo a sua responsbilities muito levemente, ao mesmo tempo, que podemos fazê-los muito solene e muito frívolo. Nunca Paula.

Para mim, ela sempre representou o melhor da geração de português que chegou à maturidade durante e imediatamente após a revolução, eo melhor foi realmente muito bom. Quebra meu coração que perdemos dela, mas eu sou grato que ela nos abençoou com sua presença, sua inteligência, seu brilho, e sua amizade.

Kevin Michael O'Reilly

Anónimo disse...

É na condição de estudante e de grande admirador do Direito que, nas minhas leituras avulsas sobre Timor-Leste e o Direito Internacional, acabei me cruzando com a ora finada. Foi amor à primeira vista! Tomei conhecimento do seu desaparecimento físico da forma mais inesperada; trazia comigo o livro “International Law and the Quesiton of East Timor”, em que a agora saudosa contribui com o “The meaning of self-determination and the case of East Timor”, quando um colega de trabalho, ao reconhecer o livro, atira-me com a triste notícia.

Aos que em vida a conheceram e com ela conviveram, aprendam pois a viver com a saudade.

Moisés Chissano