quinta-feira, 28 de maio de 2009

28 de Maio

Há minutos, um amigo perguntava-me se, nas notas que este blogue costuma fazer em relação a algumas datas portuguesas, não havia espaço para o 28 de Maio. Não que ele pretendesse comemorá-lo - deixou claro -, mas porque isso seria talvez interessante, como memória para alguns leitores mais jovens, para quem as diferenças entre tempos passados acabam por diluir-se no seio de alguma indiferença. Tem toda a razão.

O movimento de 28 de Maio de 1926 foi um golpe de Estado militar, com apoio de sectores conservadores civis, que pôs termo à experiência democrática iniciada cerca de 16 anos antes, com a instauração da I República, em 1910. Muito por obra da persistente oposição dos seus inimigos, a que se somou a incapacidade da burguesia urbana de consensualizar um modelo político fora dos vícios do antigo rotativismo monárquico, cumulado por um agitação operária que ia com os tempos, a jovem República acabou por instalar um regime de grande instabilidade política, que alienou, sucessivamente, vários sectores sociais, diminuindo drasticamente a sua base de apoio.

Na execução do 28 de Maio cooperaram forças de vária natureza, desde monárquicos revanchistas a republicanos desiludidos, de sectores integristas católicos a meios empresariais cansados das tensões sindicais. O movimento, que acabou por se revelar filofascista, teve inspiração em modelos congéneres que emergiram noutros países europeus e, no caso português, acabou por servir de escape a um profundo mal-estar no seio da instituição militar, que a participação na Primeira Grande Guerra tinha potenciado.

Em poucos dias, o 28 de Maio trucidou sucessivamente dois dos seus líderes, acabando a nova Ditadura Militar por deixar na chefia do Estado o general Óscar Fragoso Carmona, que abriu o caminho que viria a ser prosseguido pelo jovem economista coimbrão, militante católico conservador, que deu pelo nome de António de Oliveira Salazar.

Um dia, Salazar, num dos seus mais célebres discursos, disse: "Sei o que quero e para onde vou". E, porque ele sabia, escusou-se a perguntar aos portugueses, durante quase 40 anos, se queriam ir por aí.

7 comentários:

Anónimo disse...

Pessoalmente festejo o 28 de Maio de hà umas três dezenas de anos para cà. A esta hora estamos a chegar do Restaurante, desta vez "o Littéraire", onde fomos fazer a festa.
Nos primeiros anos, confesso, festejava este dia com uma certa contrariedade embora o aniversàrio da minha esposa nao tenha nada a ver com o golpe de Estado que pôs termo à jovem Republica portuguesa...

André disse...

Creio que pretende referir a participação na 1a Guerra Mundial e não na Segunda. Aproveito para lhe felicitar pelo excelente blog, continue a teclar com a qualidade com que já nos habituou.

Fenêtre du Portugal disse...

Esse movimento, apesar de acabar por se revelar negativo na sua profundidade, contem no entanto uma vertente positiva.

Indica que mesmo antagonistas e com profundidades de objectivos divergentes, por vezes forças conseguem unir as suas vontades de atinjir uma meta.

Uma liçao a recordar.


"Um dia, Salazar, num dos seus mais célebres discursos, disse: "sei o que quero e para onde vou". E, porque ele sabia, escusou-se a perguntar aos portugueses, durante quase 40 anos, se queriam ir por aí."

Constata-se hoje, 80 anos depois, que a maior parte dos governantes adopta a mesma atitude.
A nivel desta europa por exemplo, é um facto infelizmente evidente...

... talvez até com uma diferença. é que relativamente a esta europa : os governantes adoptam a mesma atitude que salazar adoptou, nao se importando da opiniao das populaçoes.

Mas ao contrario do que pretendia o salazar, os governantes actuais nem sequer sabem para onde esta europa vai. O que se torna afinal ainda mais grave.

Anónimo disse...

Excelente Post. Convenientemente a tempo e muito bem escrito e…dito.
P.Rufino

Luís Bonifácio disse...

Caro Embaixador

Importa fazer uma pequena correcção. Onde se diz "que pôs termo à experiência democrática instaurada". Há que acrescentar "Pseudo", entre as palavras "Experiência" e "Democrática".
É necessário frisar que as restrições ao voto no tempo da primeira república eram senão iguais, ainda maiores que no tempo do Dr. Salazar e foram sempre norteadas pelo principio sectarista "Só pode votar quem connosco concorda".

Cara Fenêtre du Portugal. Tem toda a razão quando diz que os actuais politicos se comportam como "Sei o que quero, sei para onde vou". Só que com uma diferença. Ao contráro de Salazar eles nem sequer sabem onde estão, quanto mais saberem o que querem ou para onde hão de ir.

Anónimo disse...

Já cá faltavam os talassas! Senhor Embaixador: já não há filtro para este tipo de coment´rios?

Fenêtre du Portugal disse...

O comentario "anonimo" anterior parece mostrar :

- Que desconhece os termos "democracia" e "liberdade de expressao" respeituosa.

- E que nao nao gosta do doce regional covilhanense.


Talassas da Covilhã (Doce regional) :

http://www.gastronomias.com/portugal/beira_baixa052.html

Dicas para a confecção das Talassas :

Trabalha-se 100 gr. de manteiga em creme, junta-se 250 gr. de açúcar, 7 ovos e bate-se tudo muito bem. Adiciona-se 250 gr. de farinha e mistura-se, unta-se a forma com azeite e cozem-se as talassas.

Época de Confecção: Todo o ano.
Caracteristicas: Açúcar, Farinha, Manteiga, Ovos


NB. Talassas é um termo feminino :-)


Mario