quinta-feira, agosto 20, 2020

Pousadas de Portugal


As Pousadas de Portugal existem desde 1942. 

Segundo as minhas contas, desde esse ano e até hoje, foram construídas 67 Pousadas, 16 das quais desde 2003, ano em que o grupo Pestana assumiu a gestão. 

O grupo Pestana, que gere a rede de Pousadas desde 2003, manterá 36 unidades em funcionamento. Neste período de pandemia, algumas dessas Pousadas estão fechadas, presume-se que temporariamente.

Foram encerradas (ou deixaram de funcionar sob a égide das Pousada) 31 unidades, algumas antes do grupo Pestana ter assumido a gestão da rede.

Algumas pousadas funcionam em regime de concessão, sendo a sua gestão feita por entidades alheias ao grupo Pestana.

Na pesquisa que fiz sobre a abertura e desativação das Pousadas - tarefa nada fácil, porque não parece haver nenhum estudo de conjunto - não consegui determinar a data de encerramento, enquanto Pousadas, de algumas dessas unidades. Ficarei grato se os leitores puderem ajudar nesta pesquisa, mas sempre com dados seguros.

Unidades em funcionamento (36): 

1. Alijó (Barão de Forrester) (1944)*
2. Óbidos (Castelo) (1950)
3. Marvão (Santa Maria) (1956)
4. Bragança (S. Bartolomeu) (1959) *
5. Murtosa (Ria) (1960)
6. Valença (S. Teotónio) (1963)
7. Sagres (Infante) (1963)
8. Evora (Lóios) (1965)
9. Caniçada (S. Bento) (1968)
10. Extremoz (Rainha Santa Isabel) (1970)
11. Viana do Castelo (Monte de Santa Luzia). (1979)
12. Palmela (Santiago) (1979)
13. Guimarães (Santa Marinha da Costa) (1985)
14. Alvito (1993)
15. Beja (S. Francisco) (1994)
16. Queluz (Dona Maria I) (1995)
17. Crato (Flor da Rosa) (1995)
18. Arraiolos (Nossa Senhora da Assunção) (1996)
19. Amares (Santa Maria do Bouro) (1997)
20. Vila Viçosa (D. João IV) (1997)
21. Alcácer do Sal (Afonso II) (1998)
22. Ourém (Conde de Ourém) (2000)
23. Belmonte (Convento de Belmonte) (2001) *
24. Horta (Forte de Santa Cruz) (2004)
25. Lisboa (Terreiro do Paço) (2005)
26. 
Tavira (Convento da Graça) (2006)
27. Bahia (Convento do Carmo) (2006)
28. Angra do Heroísmo (Forte São Sebastião) (2006)
29. Estói (Palácio de Estói) (2009)
30. Viseu (2009)
31. Porto (Palácio do Freixo) (2009)
32. Cascais (Cidadela) (2012)
33. Covilhã (Serra da Estrela) (2014)
34. Óbidos (Vila de Óbidos) (2018)
35. Câmara de Lobos (Churchill Bay) (2019)
36. Vila Real de Santo António (2020)

(*) Unidades concessionadas

Unidades encerradas ou já não funcionando como Pousadas (31):

1. Elvas (Santa Luzia) (19.4.1942). Encerrou em 2012
2. Marão (São Gonçalo) (29.8.1942). Encerrou em 2007
3. Alfeizerão (S. Martinho) (24.9.1942)
4. Serém (Santo António) (24.9.1942)
5. Madeira (Vinháticos) (1942)
6. São Braz de Alportel (S. Braz) (11.4.1944). Encerrou em 2010
7. Santiago de Cacém (S. Tiago) (10.2.1945). Encerrou em 2001
8. Manteigas (S. Lourenço) (14.3.1948)
9. Berlengas (S. João Baptista) (1953)
10. Castelo do Bode (S. Pedro) (1.1.1954). Encerrou em 2003
11. Serpa (São Gens) (1960)
12. Miranda do Douro (Santa Catarina) (1962). Encerrou em 2002
13. Caramulo (S. Jerónimo) (1962)
14. Vila do Bispo (Forte do Beliche) (1963)
15. Setúbal (São Filipe) (1965). Encerrou em 2014
16. Póvoa das Quartas (Santa Bárbara) (1971) Encerrada em 2003
17. Santa Clara-a-Velha (Santa Clara) (1971)
18. Torrão (Vale do Gaio) (1977). Encerrou em 2007
19. Guimarães (Nossa Senhora da Oliveira) (1980) Encerrou em 2013
20. Vila Nova de Cerveira (D. Dinis) (VII) (1982). Encerrou em 2008
21. Batalha (Mestre Afonso Domingues) (1985)
22. Almeida (Senhora das Neves) (1987)
23. Santiago de Cacém (Quinta da Ortiga) (1991). Encerrou em 2008
24. Sousel (S. Miguel). (1992) Encerrou em 2010
25. Condeixa (Santa Cristina) (1993). Encerrou em 2019
26. Monsanto (1993). Encerrada em 2011
27. Mesão Frio (Solar da Rede) (1998). Encerrou em 2012
28. Vila Pouca da Beira (Convento do Desagravo) (2003). Encerrou em 2017
29. Proença-a-Nova (Amoras) (2006). Encerrou em 2011
30. Braga (S. Vicente) (2007) Encerrou em 2012
31. Madeira (Pico do Arieiro) (?)

quarta-feira, agosto 19, 2020

Os restos de Yalta


No plano geopolítico, a Bielorrússia, de que se fala por estes dias, configura um caso particular. Se bem se notar, o ocidente reclama, muito justamente, pelo comportamento autocrático do presidente Lukashenko, pelo ambiente fraudulento que envolveu a recente disputa eleitoral, pela violência oficial contra a expressão democrática dos seus cidadãos. Mas, ao contrário do que se verificou nos casos da Geórgia ou da Ucrânia, nenhuma voz sensata veio apelar à ideia de que uma Bielorrússia “livre” venha a integrar a NATO ou a União Europeia. Por que será?

Há resquícios dos velhos acordos de Yalta que ainda subsistem na memória do realismo internacional. E embora, no plano dos princípios, ninguém subscreva a legitimidade da tese das “esferas de influência”, é por demais evidente que prevalece, na racionalidade geopolítica do mundo, a ideia de que um país como a Bielorrússia faz parte de um terreno de tutela russa. 

Se Putin decidisse fazer avançar carros de combate pelas ruas de Minsk, caía “o Carmo e a Trindade”, mas não deixa de haver um entendimento implícito no tocante à aceitação de que Moscovo pode ter uma palavra a dizer quanto ao futuro do país. Se a “soberania limitada” faz ainda sentido para alguns cultores da “realpolitik”, é no caso bielorrusso que isso se aplica de forma bem clara.

Os cidadãos que vieram para as ruas, como alguns bem assinalaram, não parece terem pedido para que o país ingresse na Aliança Atlântica ou faça parte das instituições europeias, da mesma forma que, ao contrário de muitos georgianos e ucranianos, não pareceu emergir nesses movimentos uma atitude hostil para com a Rússia. Provavelmente, isso terá ocorrido assim por mero realismo, pela consciência de que o seu futuro, se fará, quase inevitavelmente, num qualquer modelo de relação íntima com Moscovo.

A alguns chocará a frieza desta análise, que parece conceder bondade àquilo que espelha uma mera relação de forças. Porém, estou apenas a refletir sobre como as coisas são, não como deviam ser. É que não é por acaso que os poderes que contam, na ordem internacional, sempre separam as águas, quando abordam os casos nacionais na periferia russa.

A avaliar pelas reações, Putin não sabe muito bem o que há-de fazer com o seu incómodo vizinho. Já terá percebido que Lukashenko é, cada vez mais, um fardo. Não está disposto a deixar que o ocidente intervenha, mas, muito claramente, também ainda não decidiu como utilizará o seu poder de vizinhança. No meio, impotentes, estão os bielorrussos.

terça-feira, agosto 18, 2020

A vida é assim!


Em 2002, no auge do seu confronto com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), cuja presidência Portugal então titulava, a Bielorrússia enviou a Viena, por duas vezes consecutivas, um jovem e brilhante diplomata, à frente de uma missão que connosco discutiu a então muito sensível questão da manutenção de um escritório da organização em Minsk. Chamava-se Igor Leshchenya. 

Tive com ele longas horas de trabalho e, também muito graças à pertinácia negocial do meu colega Carlos Pais, meu “deputy” na chefia da nossa missão, levámos a bom porto o nosso objetivo - garantir que a OSCE permanecia na capital bielorrussa, para reportar sobre as insuficiências democráticas do país. 

Muitas vezes, desde então, me tinha perguntado o que teria acontecido àquele diplomata, na complexa vida política bielorrussa.

Tive a resposta há minutos.

segunda-feira, agosto 17, 2020

Estátuas, descobertas e quejandos

Num ato de insuportável arrogância histórica, a atual geração acha-se no direito de ser a julgadora do que de bem ou de mal as anteriores gerações pensaram ou fizeram, contestando-lhes as ideias e destruindo-lhes os símbolos.

Viagens nas terras dos outros


Comem-se uns salmonetes de truz em Bragança, perto das Fontainhas, saindo do Castelo para apanhar o ferry para Gimonde. Aprendi isso com o abade de Baçal, primo do de Priscos. Podia optar por um lombelo, mas não é a mesma coisa, porque se perdem as algas e não dá para ver os golfinhos a saltar, com a Margueira a despontar na estrada para Miranda. Dizem-me, mas não posso confirmar, que a dona Iracema, lá no Geadas, faz uns gambuzinos alimados com arroz do mesmo, coisa que também servem no Christo, na marina do Fervença, mas não aceitam reservas e, sem reserva, só no G. E agora vou a Setúbal, pela ponte nova que sai de Tróia (deixo imagem de ontem), apanhando depois a derivante em direção a Vinhais, terra de sardinhas e de galgas na grelha.

(Ao meu amigo José Luis Seixas e senhora, a banhos em praias de montanha nos mares do Norte, saudáveis terras sem virus e com butelo)

Chipre

Por muitos e bons anos, escreveu-se “em Chipre”. Um dia, um qualquer jornalismo decidiu-se tomar confianças e passou a escrever “no Chipre”. Contudo, em matéria de ilhas mediterrânicas, não vejo essa imprensa inclinada a passar a dizer “na Malta”. Coisas...

domingo, agosto 16, 2020

16 de agosto de 1900



Esta placa está afixada no local em que foi a casa em que Eça de Queiroz morreu, em Neuilly, que entretanto foi demolida.

A placa original, oferecida pela Escola de Belas-Artes do Porto, que havia sido colocada, em 1950, pelo então embaixador português em França, Marcello Mathias, tinha-se tornado quase ilegível, com um desgaste que a tornou irrecuperável.

O queirosiano Luís Santos Ferro, há meses falecido, chamou a minha atenção para a necessidade de ser colocada uma nova placa, assinalando o local da morte do escritor. Optei por mandar fazer (sem encargos para o Estado, diga-se) e colocar uma réplica, em tudo igual à placa original, que se vê na fotografia.

Trouxe de Paris, na minha bagagem, a placa original e entreguei-a à Fundação Eça de Queiroz, em Tormes, Baião, onde está hoje exposta.

Eça de Queiroz


Há precisamente 120 anos, no dia 16 de agosto de 1900, morria em Paris, com 55 anos, um dos mais importantes escritores da língua portuguesa, José Maria Eça de Queiroz. À época, era cônsul-geral de Portugal na capital francesa.

sábado, agosto 15, 2020

Jantar


Tínha passado por lá, há dias, para reservar uma mesa para jantar. Havia uma boa recordação da última visita àquele restaurante. Imagino que apenas nesta época, a casa, pura e simplesmente, não atende o telefone. Leu bem: não aceita telefonemas. Uma imensa deselegância para com os clientes. À hora exata, nem mais um minuto, chegámos. “Vão ter de esperar”. Mau, mestre! As coisas começavam a descarrilar. Se fosse em Lisboa, ter-me-ia ido embora. Há muito que decidi já não tenho idade nem paciência para ficar à espera, à porta de um restaurante, depois de ter sido fixada uma determinada hora, com antecedência. Mas aqui, numa aldeia perto da praia, com tudo o resto, em quilómetros em volta, garantidamente cheio ou sem qualidade, assomou-me uma réstia de paciência comodista, adocicada por um gin tónico (onde terá surgido esta mania de o servir em incómodos copos, que parecem bolas de andebol!), para entreter o tempo. O atendimento, contudo, desde o primeiro momento, havia sido correto, nada arrogante, sem sombra de privilégios de acesso prioritário concedido a clientes conhecidos, como notícias publicadas haviam dado como sendo vício da casa. Pelo contrário: constatou-se um respeito absoluto pela ordem das reservas e até uma abertura imediata para aceitar uma pessoa a mais, face à marcação feita. Por fim, meia hora depois da hora marcada, lá chegou a nossa vez. Síntese: sala simples mas agradável, lista bem construída (e renovada, face ao que conhecia), carta de vinhos apenas razoável, serviço muito delicado e competente, uma comida excelente, preço final nada especulativo e aceitável para a zona e período do ano. A irritação inicial desvaneceu-se, por completo. Saímos muito satisfeitos. Para o ano, comigo furioso, uma vez mais, pela dificuldade no contacto, lá voltaremos. À Dona Bia, na Comporta.

sexta-feira, agosto 14, 2020

Notícias da padeira


Hoje é dia de Aljubarrota. Imagino o sobrolho franzido de alguns, dos que acham que a História tem, nos dias que correm, de ser lida sempre ao contrário, sem o que seremos acusados de alinhar no reaccionarismo da historiografia patrioteira. Salvo os iberistas, uma raça (pode escrever-se raça?) que gostava de poder pagar a bica em pesetas, não vejo que diabo de politicamente correto se pode opor à comemoração da data em que a aristocracia portuguesa, farta de ser mal-tratada por Castela, nomeou um dos seus para gerir este lado da península, com manif ao pé da Ginginha e tudo. Que assim ficou, mais ou menos independente, até hoje. Até sempre, espero.

Deixo aqui uma imagem que me dizem que saiu, no dia seguinte, no “Cavaleiro Andante”, desenhada por Vitor Péon, que passava por ali nesse dia 14 de agosto de 1385.

O estrangeiro próximo


O conceito de “estrangeiro próximo” foi crismado por Moscovo para designar, com assumido paternalismo estratégico, as entidades nacionais vizinhas, resultantes da implosão da antiga URSS, após esta ter sido derrotada na Guerra Fria. São 15 Estados, o maior dos quais é a Federação Russa, sua sucessora no plano internacional.

Com desagrado de Moscovo, em período de enfraquecimento, três desses Estados ingressaram na Nato – Estónia, Letónia e Lituânia. Mas Putin conseguiu evitar, num tempo de maior assertividade, que dois outros viessem a ter um destino idêntico – Ucrânia e Geórgia.

Nestes, a longa mão russa continua a manter uma tutela de influência determinante. No primeiro, na região de Donbass, que rejeita a soberania imposta por Kiev. No segundo, nos verdadeiros “bantustões” que são a Abcásia e a Ossétia do Sul, a que (quase só) Moscovo deu a designação de “países independentes”, após anos de disputa com a Geórgia.

A este tipo de situações convencionou-se chamar “conflitos congelados”, i.e., situações que configuram um “statu quo” de guerra suspensa, por disputas territoriais, que irrompe a espaços.

Dos restantes nove estados resultantes da URSS, cinco estão na Ásia Central, todos com regimes ditatoriais travestidos de democracias – Casaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão e Usebequistão. Não é uniforme o modo como a Rússia se relaciona com cada um deles, mas pode dizer-se que Moscovo mantém um “droit de regard” sobre todos, garantindo que eles não confrontam os seus interesses geopolíticos essenciais.

Dois outros Estados, no Cáucaso do Sul, a Arménia e o Azerbaijão, mantêm entre si um outro “conflito congelado”, sobre o território do Nagorno-Karabakh, que Moscovo segue à distância.

Restam ainda dois países.

Um é a Moldova, entre a Roménia e a Ucrânia, com outro “conflito congelado”, a propósito do território da Transnístria, onde uma velha base militar garante um pé à Rússia.

O outro é a Bielorrússia, encravada entre a Rússia, a Ucrânia, a Polónia, a Letónia e a Lituânia. Desde 1994, é dirigida com mão de ferro por Alexander Lukashenko, à frente de um regime que limita as liberdades dos cerca de 10 milhões de cidadãos do país. Agora, o ditador voltou a ser “eleito”. Com a Rússia, tem uma relação algo estranha, mas de objetiva dependência.

O país é hoje um “buraco negro” dentro de uma Europa basicamente democrática. O ditador e o seu regime foram já objeto de sanções. Por muita pressão que a União Europeia possa fazer, perante alguma complacência objetiva da administração americana, Lukashenko não cairá, enquanto a Rússia não quiser.

A Guerra Fria suspendeu a História por algumas décadas. Desde que acabou, num registo de humilhação para Moscovo, a Rússia criou, em seu torno, um mundo de Estados com os quais mantém uma tensa e diferenciada expressão do seu poder. Não havendo condições para regressar ao anterior estado de coisas, Putin é hoje senhor do tempo dos outros. Isso provoca alguns, sossega outros e dá a todos a certeza de quem, na realidade, continua a mandar por ali.

Restos de conversa

- Os teus textos são, cada vez mais, um problema para mim. Concordo com imensas coisas que neles dizes mas, de súbito, em alguns deles, deparo com algo que me abertamente me desagrada. É estranho porque, no passado, as coisas não eram assim. O que escrevias era mais facilmente aceite, no seu todo. E olha que não sou a primeira pessoa a notar isto! Fazes de propósito?

- Faço e não faço. Até posso perceber que te sintas assim, ao ler o que vou escrevendo. A questão é que, com o tempo, optei por ser mais transparente, de não procurar ser consensual a todo o custo. É que, na vida, nem tudo é a-preto-e-branco. Há sempre aspetos das coisas que não "rimam" com o resto. Por isso, digo o que penso, doa a quem doer - e já vi que dói a alguns amigos, como tu. Mas quero fugir àquela frase do Sérgio Godinho: "estar de bem com os outros e de mal contigo". É só isso.

quarta-feira, agosto 12, 2020

Ordem do dia




Mentiria se não dissesse que tenho a certeza de que houve pessoas que, à vista do anúncio do imenso dinheiro que aí virá da Europa, terão exclamado, desanimadas, para si mesmas ou para os seus próximos: “Agora é que ninguém os tira de lá!”. Alguns, no limiar do masoquismo, terão mesmo lamentado que o país tivesse tido essa inesperada bênção, por entenderem que esse choque financeiro contribuirá para a solidificação de um desequilíbrio político que detestam - e que acham tanto ou mais nefasto do que os males económicos do país. Muitas dessas pessoas, que estão a ler-me agora, assumam-no ou não, sabem que o que escrevo é pura verdade.

Não sou politólogo para conseguir explicar como chegámos aqui, a este entrincheiramento, que se tem vindo a agravar na última década, criando dois mundos antagónicos, alimentados por muita acidez, servidos por palavras ofensivas, pela perda de respeito pelos adversários, pelo enfraquecimento da moderação e do bom senso. 

Muito desse confronto já vinha de trás, quase desde o 25 de Abril. Mas data da última crise financeira o acantonamento que colocou aqueles que viram na “troika” uma oportunidade para queimar etapas, para um choque de reforma liberal, frente a quantos recusavam ver subvertida a ordem da sociedade em que se haviam habituado a viver. Perante a arrogância dos primeiros, muitas vezes insensível e cruel, foi-se enquistando, do outro lado do espetro, uma resistência desesperada que, no limite, conduziu a um entendimento à esquerda, que nada fazia prever como possível. A “geringonça” foi a expressão para-institucional dessa realidade, mas todos já percebemos que continua a haver mais vida à esquerda, para além dela.

O que talvez ninguém estivesse à espera é que, na outra margem política, o desvario viesse a tomar conta das hostes. Apoiado num tremendismo que raia a insanidade, campeia por aí um discurso de “finis patriae“, como se o país estivesse à beira da catástrofe. O alarmismo diário dos títulos da imprensa e da demagogia das televisões, somado ao azedume nas redes sociais, tudo isso gera um caldo de imaginária instabilidade e crise, que as sondagens, sempre ingratas, se encarregam de desmentir.

O atual pessimismo do campo conservador sobre o seu próprio futuro esquece, contudo, uma realidade que o passado nos ensinou: nunca devemos subestimar a capacidade da esquerda de dar tiros nos seus próprios pés. Um dia, mesmo sem saber como, a direita lá regressará ao poder. Aliás, chama-se a isso democracia, para os que não saibam.

Interpretações


Ontem, numa conversa de praia, veio à baila, já nem sei bem porquê, a figura do antigo presidente da Guiné-Bissau, Kumba Yalá, que faleceu em 2014. Lembrei-me de uma história que costumo contar.

Um dia de 2001, na ONU, em Nova Iorque, estive presente, em representação de Portugal, numa reunião do “grupo de amigos da Guiné-Bissau". Os “grupos de amigos” são estruturas informais que agregam vários países com o desejo comum de acompanharem uma determinada situação ou prosseguirem um particular objetivo temático, no quadro das atribuições das Nações Unidas.

O novo presidente guineense fora convidado a fazer uma apresentação sobre a situação que se vivia no seu atribulado país, com vista a mobilizar a boa vontade e a ajuda da comunidade internacional. 

O tempo que lhe fora destinado para intervir foi largamente excedido, mas o seu discurso tinha coerência e demonstrava uma determinação no sentido da correção de algumas políticas, tudo envolvido num registo expressivo que lhe era muito típico, desde logo marcado pelo barrete de lã vermelha que nunca o abandonava.

Com o meu colega brasileiro, Gelson Fonseca, e para potenciar o efeito positivo da reunião, combinei duas intervenções sucessivas de apoio à declaração do presidente, procurando dar ênfase à sua declarada vontade de mudança. 

Outros embaixadores, em especial de países "do Sul", seguiram uma linha idêntica e, a meio da reunião, o ambiente podia considerar-se globalmente positivo, quiçá apenas sobrando as tradicionais reticências face à sustentabilidade das políticas anunciadas, que algumas lideranças africanas, em especial oriundas de países mais frágeis, nunca deixam de suscitar.

O delegado de um país do Norte da Europa abordou, entretanto, a sensível questão da corrupção. 

Notei que Kumba Yalá ficou muito atento à intervenção e, no imediato, pediu para responder. Com muita ênfase, marcou a sua firme determinação em pôr fim ao flagelo da corrupção no seu país. E, a certo passo, agarrando firmemente o ombro da ministra dos Negócios Estrangeiros guineense, que estava a seu lado, disse, bem alto:

- Vou ser muito duro, podem acreditar. Por exemplo: aqui a senhora ministra. Se eu vier a descobrir que ela rouba, que é corrupta, podia mandar matá-la. Mas não, não a vou mandar matar! Mas vai levar tanta porrada, tanta pancada, que nunca mais vai querer roubar. Mas ela não rouba, não! - e dizia isto, rindo-se, contemporizador, abanando a constrangida ministra, que afivelava um sorriso que quero crer que seria amarelo...

Kumba Yalá falava em português e, na sala, para além do embaixador brasileiro e de mim próprio, que tínhamos olhado um para o outro algo preocupados com o facto do presidente poder ter "estragado tudo" com aquelas palavras, creio que só a intérprete, que ia traduzindo as intervenções do presidente, se inteirara do teor da embaraçante declaração. 

Contudo, a coreografia e o tom de Yalá tinham criado uma particular curiosidade nas restantes pessoas à roda da mesa, que aguardavam com expetativa a interpretação.

A intérprete, consciente da delicadeza do momento, olhou para mim, em busca de "ajuda" para superar o problema. Fiz-lhe um gesto discreto, a pretender significar a necessidade de "adocicar" fortemente as frases do presidente. 

E foi então que assisti a uma magnífica demonstração de profissionalismo, com a senhora a dizer algo como: "Mr. President wants to emphasize that corruption, in his country, is not punished with death penalty. Nevertheless, under his leadership strong mesures will be taken against those who may incur in such practices, even if they are members of his own government" (O senhor presidente deseja sublinhar que a corrupção, no seu país, não é punida com pena de morte. No entanto, sob a sua liderança, serão tomadas fortes medidas contra quantos venham a incorrer em tais práticas, mesmo que se trate de membros do seu governo).

Olhei para o meu colega brasileiro e demos um suspiro de alívio. No final, dei uma palavra de parabéns (e gratidão) à intérprete. Tinha-nos ajudado a salvar a sessão. Uhf!

terça-feira, agosto 11, 2020

O “Cavaleiro Andante”


Há dias, na estante de uma casa onde passo férias, encontrei o livro “Beau Geste”. Não sei se vou ter tempo para o ler, mas recordei épocas em que, em banda desenhada, devorei aquela magnífica história no “Cavaleiro Andante”.

O "Cavaleiro Andante" moldou para sempre o meu imaginário. Algumas memórias fortes que me marcaram a infância e juventude foram fixadas a partir dessa incomparável revista de banda desenhada (na altura, dizia-se "de quadradinhos"), que acolhia preferentemente os autores tributários da "escola belga" de BD, e que abriu caminho aos primeiros desenhos portugueses dessa natureza.

A revista falava-nos de História, de desporto, de literatura, trazia jogos e promovia a interação com os seus jovens leitores. Quando o "Cavaleiro Andante" nasceu eu tinha eu quatro anos. A revista durou dez anos. Observando alguns números mais antigos e o facto de várias histórias neles inseridas permanecerem bem vivas na minha memória, concluo que, muito provavelmente, eu tenha então lido restrospetivamente toda a coleção.

Durante anos, pela casa dos meus pais, havia números dispersos dessa revista semanal que tão importante fora para a minha formação. Fui assim matutando na possibilidade de vir a reconstituir a coleção completa da revista.

Um dia, em 1986, decidi colocar um pequeno anúncio em "A Capital", onde dizia estar interessado em adquirir a coleção completa do "Cavaleiro Andante". Surgiu uma única resposta. Numa noite, fui a uma cave na avenida Dom Carlos, em Lisboa, onde vivia o vendedor.

Era um homem bastante mais velho do que eu. Tinha à venda uma excecional coleção, a que faltavam apenas meia dúzia de números, o que me satisfazia por completo. A conversa nunca a esquecerei. O homem mantinha as revistas embrulhadas em jornais e deixou claro que desfazer-se delas lhe custava bastante. Os olhos brilhavam-lhe enquanto me contava que, ao longo dos anos, tinha conservado cuidadosamente essa publicação que, também para ele, fora da maior importância. A partir de certa altura, a sua ideia fora completar a coleção para a oferecer ao filho. Porém, para sua grande desilusão, o filho, ao chegar o momento em que o pai se aprestava para lha oferecer, não manifestara o menor interesse. Agora, ele próprio tinha escasso espaço para a manter. Por isso, ao ver o meu anúncio, decidira-se a vendê-la. Não tive coragem para regatear o preço que me pedia: 15 contos. Era dinheiro! Mas valeu bem a pena!

É assim que hoje sou um feliz proprietário da coleção completa do "Cavaleiro Andante". Encadernei-a, preservo-a com cuidado e abro-a com alguma frequência, com um prazer que só aqueles que foram leitores fiéis da revista conseguirão perceber.

segunda-feira, agosto 10, 2020

As horas da Bielorrússia


Um dia de 1996, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português recebeu uma nota da embaixada da Bielorrússia em Londres, cujo titular estava acreditado em Lisboa, pedindo "as melhores diligências" para que, de futuro, em língua portuguesa, o nome do país fosse designado por "Belarus" e não por "Bielorrússia". A ideia, ao que parece, era distanciar o país da imagem da Rússia. Em russo, a palavra "Bielorrússia" significa "Rússia branca". Recordo-me de ter tido cuidado de mandar explicar ao governo de Minsk que, em Portugal, o Estado não se arrogava o direito de controlar a tradução dos topónimos. Não insistiram.

A Bielorrússia é um estado encravado entre a Rússia, a Ucrânia, a Polónia, a Letónia e a Lituânia, com uma democracia de "faz-de-conta", muito típica de alguns Estados que emergiram após a eclosão da União Soviética. Desde 1994, é dirigida com mão de ferro por Alexander Lukashenko, que se mantém à frente de um regime que limita as liberdades essenciais dos cerca de 10 milhões de cidadãos do país. 

Ontem, houve por lá eleições que, sem surpresas, renovaram o mandato do sempiterno presidente. A esta hora, as ruas de Minsk não estão nada sossegadas.

Lukashenko teve artes de conseguir que a sua capital, Minsk, fosse escolhida para os encontros tendentes a discutir a pacificação da Ucrânia e, com alguma regularidade, lá o temos visto, impante, abrir caminho às negociações entre a Alemanha, França, Rússia e Ucrânia. Este papel "mediador" de Minsk já havia sido reconhecido em 1992, quando foi criado o "grupo de Minsk", que tem a seu cargo, no âmbito da OSCE, o acompanhamento da questão do Nagorno-Karabakh, entre a Arménia e o Azerbaijão. Não deixa de ser irónico que seja necessário sediar na capital de um país liderado por um autocrata encontros de paz. Mas é a vida...

Em 2002, a Bielorrússia cruzou-se no meu caminho. No âmbito da presidência portuguesa da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), ao tempo em que representava diplomaticamente Portugal junto da organização, em Viena, coube-me gerir um caso interessante com a Bielorrússia. Descontente com o teor dos relatórios que a "Missão" (já explicarei porque coloco a palavra entre aspas) da OSCE em Minsk produzia, que punham a nu as arbitrariedades anti-democráticas das suas autoridades, o governo de Lukashenko optou por um procedimento hábil: forçou discretamente os trabalhadores bielorrussos a desvincularem-se da Missão e não renovou os vistos aos elementos estrangeiros que nela trabalhavam. Assim, ao final de alguns meses após esta ação ter sido desencadeada, a Missão deixou de ter condições para funcionar. E o governo de Minsk anunciou unilateralmente a data de 31 de dezembro de 2002 como limite às suas atividades, argumentando que se tinha "esgotado o seu objeto". Para a Bielorrússia, as coisas eram imperativas: a Missão da OSCE em Minsk tinha de encerrar naquela data.

Como presidente do Conselho Permanente da OSCE, em Viena, fiquei com a "batata quente" na mão. Portugal iria ficar na pequena história da organização como o país que "deixara encerrar" a Missão em Minsk, facto que podia vir a ser um precedente muito perigoso para outros Estados membros da OSCE, eles próprios pouco satisfeitos com o que a OSCE reportava sobre as fragilidades da sua vida política interna. Os meus colegas ocidentais - com destaque para os EUA, França, Reino Unido e Alemanha - pressionavam-me para que eu tentasse encontrar uma solução para que a OSCE pudesse continuar em Minsk. A Holanda, que nos sucederia na presidência no dia 1 de janeiro de 2003, preparava-se já para "lamentar" ter o início do seu mandato marcado por esse facto.

Portugal "portara-se bem" com a Bielorrússia até então. Contra a vontade da União Europeia, trabalhara para que o seu ministro dos Negócios Estrangeiros viesse a cimeira da organização no Porto, no início do mês de dezembro, a fim de que fosse possível tentar que os então 55 Estados da OSCE conseguissem acordar conclusões consensuais (isso foi possível, pela última vez, nessa cimeira do Porto, em 2002, e nunca mais o seria na história posterior da OSCE, e já passaram 18 anos). Simultaneamente, eu próprio cuidara em manter sempre uma relação cordial com o meu colega bielorrusso em Viena. Era um homem grande, um cientista feito embaixador, que percebia claramente que a "bofetada"que a Bielorrússia estava prestes a dar à OSCE não deixaria de ter consequências negativas para o seu país, que já se defrontava com sanções por parte da União Europeia e com um ambiente de isolamento e hostilidade crescente. Ser embaixador da Bielorrússia era (e nunca deixou de ser) uma tarefa muito difícil.

Com o meu colega e meu “deputy", embaixador Carlos Pais, embora sem a menor instrução orientadora de Lisboa, decidimos propor ao Secretário-Geral da OSCE e, posteriormente, à Bielorrússia uma saída para a organização manter uma presença em Minsk, com um mútuo "face-saving". Nos termos desse "deal", a "Missão OSCE em Minsk", que tinha um mandato próprio, aprovado anos antes do Conselho Permanente da OSCE, encerraria formalmente, como os bielorrussos desejavam, no fim do ano. Entretanto, Em contrapartida, propúnhamos a instalação de um "Escritório OSCE em Minsk", com um novo mandato, que tentaríamos negociar com Minsk e fazer aprovar pela OSCE até ao final do ano, para entrar em vigor no primeiro dia do ano seguinte.

Depois de alguma hesitação, a Bielorrússia "comprou" a nossa ideia e fez deslocar a Viena, por duas vezes, uma delegação chefiada por um representante pessoal de Alexander Lukashenko, com o qual discuti, durante horas intermináveis, por cerca de quatro dias, o texto do novo mandato, que seria depois vertido num "memorandum of understanding". Posso hoje revelar que os quatro países ocidentais, que, com a Rússia, eram vulgarmente referidos como os "major players" dentro da organização, "fizeram-nos a vida negra" até ao último instante, com exigências nas funções futuras do "Escritório" de que os bielorrussos nem queriam ouvir falar.

No termo de uma presidência que, por razões que não vêm aqui para o caso, já havia sido muito difícil, este trabalho de "go-betweener" revelou-se de extrema complexidade e o ter-se conseguido um resultado positivo muito se ficou a dever ao meu colega Carlos Pais que, com uma "paciência de santo", me ajudou a inventar fórmulas de texto imaginativas que combinassem um mínimo de eficácia operacional futura do Escritório, com uma "ambiguidade criativa" que conseguisse fazer a ponte. E tivemos sucesso: a "Missão" encerrou em 31.12.02 e o "Escritório" iniciou a sua existência em 1.1.03.

A prova provada da eficácia do Escritório seria dada, oito anos mais tarde, pela própria Bielorrússia, que decidiu impor a data de 31.12.10 como data limite para a atividade daquela presença da OSCE, obrigando então, e definitivamente, à saída da OSCE de Minsk, ao que parece descontente com o facto da organização ter denunciado, por intermédio daquele Escritório, mais uma vaga das tradicionais irregularidades eleitorais praticadas pelo governo de Lukashenko. A prazo, veio assim a constatara-se que o mandato que Portugal desenhou foi mesmo incomodamente eficaz.

domingo, agosto 09, 2020

Apenas uma precisão


Michel Barnier e Pierre de Boissieu são duas figuras importantes da vida europeia.

Barnier é o atual negociador do Brexit, em nome dos 27, lugar que tem desempenhado com uma competência unanimemente reconhecida. Foi comissário europeu e, por um breve período, ministro dos Negócios Estrangeiros do seu país. Em 1996, data em que ocorre a historieta que vou contar, ele era o representante da França, como ministro adjunto para os Assuntos Europeus, na Conferência Intergovernamental para a revisão do Tratado de Maastrich. Eu tinha então essa mesma tarefa, por Portugal.

De Boissieu, hoje aposentado, era representante permanente (nome dado aos embaixadores nas estruturas multilaterais) francês junto da União Europeia. Era um profundo conhecedor das matérias europeias e iria chegar, anos mais tarde, a secretário-geral adjunto do Conselho de Ministros da UE. O seu poder derivava, não apenas da sua inteligência e conhecimentos, mas, dizia-se, da sua pertença à família De Gaulle, que lhe garantia um apoio constante em Paris, independentemente da rotação dos governos. Foi um extraordinário servidor público francês, com quem tive algumas “accrochages”, mas por quem ganhei um imenso respeito.

Entre Barnier e De Boissieu a corrente não passava de todo. Fui testemunha de vários episódios, que muito animaram esses tempos negociais. Apesar de ministro, Barnier não conseguia impedir a impertinência iconoclasta de De Boissieu, que divertia toda a gente à volta da mesa. 

Um dia, durante uma reunião negocial em Bruxelas, o ministro, com o embaixador a seu lado, decidiu citar uma opinião que recolhera de François Mitterrand, que tinha morrido meses antes. Tratava-se de uma qualquer ideia sobre o futuro ou o sobre passado da Europa, já não recordo bem.

Barnier, como era seu timbre, foi algo pomposo ao fazer a confidência. Mitterrand era de um campo político oposto ao seu (e ao de De Boissieu, já agora), o que dava foros de alguma singularidade à sua invocação. A sala estava silenciosa, talvez menos por reverência e mais por curiosidade. Foi enfático, solene, ao repetir: “Mitterrand disse-me isso, na conversa que tivemos, só nós dois, em sua casa”. 

Ora isto era "demais" para o embaixador, o qual, de viés, olhava Barnier com visível ironia, desde o início da intervenção. E não resistiu. Chegou-se à frente, com o seu eterno pullover azul com um furo do cotovelo, inclinou-se para o microfone que partilhava com o ministro, o qual gozava um segundo de pausa, explorando o efeito da sua frase, e "esclareceu", sobre o momento da conversa com Mitterrand:
- “Avant sa mort, bien sûr!”, não fosse alguém suspeitar de qualquer diálogo do governante com os espíritos...

A sala soltou-se em gargalhadas. Todo o efeito pretendido por Barnier se esvaiu, naquele instante. Já ninguém se lembrava mais o que de tão decisivo teria dito o ilustre falecido. 

Olhávamos para a cara furiosa do ministro, que se entaramelava a tentar recolar o discurso perante um fundo sussurrante de risotas contidas, e para o ar divertido do embaixador, ao seu lado, ciente de que tinha ganho o seu dia...


sábado, agosto 08, 2020

Falhado

Por que será que a comunidade internacional, que frequentemente designa a Guiné-Bissau como um “estado falhado”, nunca o faz no caso do Líbano?

Já chegámos à Madeira?

O líder madeirense do PSD defende uma aliança com o Chega, com o argumento de que Sá Carneiro também se associou ao CDS na AD.

Equiparar o Chega ao CDS, partido com o qual o PSD se coligou na Madeira, é um belo “elogio” para o CSD, não é?

Tempus fugit

Com todo o respeito que uma declaração ministerial sempre deve merecer em democracia, por que será que está instalada na opinião pública uma...