quarta-feira, fevereiro 12, 2020

As surpresas do Presidente


Há menos de um ano, antes do ciclo eleitoral de 2019, numa intervenção perante políticos americanos na FLAD, Marcelo Rebelo de Sousa, como que num regresso pontual ao seu papel de comentador, prenunciou, também em face de uma comunicação social que ali não estava por acaso, que a direita iria em breve entrar num período de turbulência. Acrescentou então, numa mensagem deliberadamente sossegante para esse setor político, do qual fez questão de lembrar ser oriundo, de que ele próprio seria garante do equilíbrio do sistema, no caso da balança vir a inclinar-se demasiado para a esquerda.

O presidente é um bom analista, mas, olhando para o que então disse, quer-me parecer que a realidade acabou por surpreendê-lo. É que nem as dinâmicas à direita apresentam hoje os contornos que, à época, era legítimo pressupor, nem os socialistas acabaram por sair dessas contendas tão à vontade como então ainda se julgava possível.

Estou em crer que o modo como o parlamento se fragmentou preocupa bastante o chefe de Estado. Se ele não desejava, naturalmente, um PS com maioria absoluta, admito que já deva ter saudades da Geringonça. É que nada pode disfarçar que, como se viu na discussão do orçamento, a turbulência se instalou nos dois lados do cenário político.

Rui Rio sai do Congresso um pouco melhor do que alguns esperariam, num PSD que se revela como nunca um partido de autarcas. Com Montenegro cada vez mais desgastado, a oposição interna tem hoje como ponto sebastiânico de referência um longínquo Passos Coelho - e já se percebeu que este não tem apetência para regressar a jogo e apenas está disponível para tentar suceder um dia a Marcelo em Belém. Para já, Rio comprou tempo até às eleições autárquicas. Se então falhar, sendo que a medida disso será sempre muito discutível, há por ali uma mão cheia de “jovens turcos” prontos para a sucessão, o que também a não facilita.

O desfecho de liderança no CDS teve já muito a ver com a nova relação parlamentar de forças, com a disputa de um eleitorado polarizado pelo discurso extremado do Chega, que levou o partido a uma desastrada tentativa de cooptação de alas que passavam já as linhas vermelhas da decência democrática. O pânico da irrelevância é um fator de união, mas as feridas não parece terem ficado saradas para os lados do Caldas.

Há menos de um ano, o presidente mostrava-se inquieto com o futuro da direita. E se, afinal, os problemas do seu novo mandato surgirem de uma esquerda onde o PS já não tem a faca e o queijo (nem limiano) na mão?

terça-feira, fevereiro 11, 2020

Pela mão da Amazon...


... a semana começou bem!

Diplomacia

Gosto desta definição de diplomata: um cavalheiro que sabe o dia do aniversário de uma senhora, mas esquece o ano em que ela nasceu.

segunda-feira, fevereiro 10, 2020

Eu e a eutanásia

Confesso que não tenho uma posição firme sobre a eutanásia, embora, por prudência íntima, alimente, à partida, uma predisposição bastante reticente na matéria. Mas, ao ver pessoas que respeito, e com filosofias de vida muito diversas da minha, favoráveis à ideia, admito poder rever a minha atitude.

Tenho, no entanto, uma firme certeza: sou 1000% contra a ideia de submeter esta questão (ou qualquer outra, diga- se!) ao demagógico instituto do referendo, um caldeirão fácil de preconceitos e emoções.

Portugal é uma democracia representativa. Elegemos para a Assembleia da República deputados que, em nosso nome, votam as leis, que passam depois pelo crivo do chefe de Estado e, se necessário, pelo Tribunal Constitucional.

Eu confio na democracia.

Caio em cada uma!


Desde há semanas que, em jornais e pelas redes sociais, vejo referências a um determinado livro de memórias. Não interessa o título, não interessa o autor. Hoje de manhã, numa livraria, o volume ali estava. Comprei-o. Mal o abri, constatei que a memória é daquelas que, com imensa originalidade, começa na escola primária e vai por aí adiante, numa inebriante sequência cronológica, que nos faz deparar, curiosamente, com o ano seguinte depois do anterior. A escrita revelava-se tão simplória que, num primeiro momento, lhe dei o benefício de poder querer ser mesmo assim, na busca deliberada do “telúrico” saloio, que faz um certo género. Mas não! A certa altura, a narrativa começa mesmo a tornar-se imparavelmente espessa, chata, penosa de leitura. A espaços de lucidez falhada, o autor ainda se desunha em tentar desenhar algumas flores de retórica estilística, as quais, logo na linha seguinte, cuida em enterrar num chorrilho de banalidades. Com esforço crescente mas boa vontade declinante, lá fui andando, até conseguir chegar quase a meio do volume. Mas, agora, foi demais! Parei, em definitivo, depois de ler esta pérola: “Pude constatar, com encanto, que as duas jovens, para além da sua beleza, tinham dentro de si uma não menor formosura”. Não, isto é demais! Caio em cada uma!

Dá-se um doce...

É necessário um imenso esforço de imaginação para se chegar ao nome em que Santana Lopes estava a pensar quando hoje disse na rádio que o “Aliança” poderia vir a ter um candidato presidencial.

domingo, fevereiro 09, 2020

O perigo das escutas


- Olá! Temos de falar.
- Também acho. Aquilo em Viana correu pior do que eu pensava.
- Bem se tentou agitar as águas, mas os tipos traziam as coisas bem oleadas.
- Assim não vamos lá! 
- Não há que desesperar. Temos é que definir uma estratégia clara para o futuro.
- Acho importante que fique assente o que vamos fazer com o Ventura. Começamos a trabalhar noutro nome? É que eu vejo o pessoal muito hesitante, depois da crise com o tal Abel e as conversas que os “chuchas” terão tido com o Caldas.
- Queres ir almoçar ao Salsa e Coentros?
- (Gargalhada). Depois de hoje, temos de cortar nos custos. Vamos aos Courenses...

Bolachas?

Há dias, vi um lugar vago para estacionar numa lateral da avenida da República. Achei que era sorte demais. E era: a placa dizia “Aliança”. Lembrei-me das ”Bolachas Aliança” e, só depois, de um “partido” unipessoal que teve o destino que se viu.

Confissão impopular

Ainda não me decidi sobre se Rui Pinto deve ser louvado pelo facto de ter permitido o acesso a informações que podem ajudar a pôr a nu grandes traficâncias e trafulhices, pelo que deve ser solto e pode ajudar as autoridades no combate às redes criminosas ou se é, ele próprio, um simples criminoso que, movido por interesses pessoais, praticou delitos graves na área do crime informático, que devem levá-lo a passar uns bons anos na cadeia.

Verdade seja que o facto de eu não ser adepto do Benfica ou do Porto não favorece muito a minha tomada de decisão.

É uma chatice, não é?


Sei que não dá jeito a algumas agendas, sei que vai haver logo gente a relativizar e desvalorizar isto, mas as coisas são o que são! É uma chatice, não é?

Bolas

Estão criadas as condições para que os próximos meses sejam preenchidos pelas polémicas do futebol. Os panfletos clubistas, que por cá fazem o papel de imprensa “desportiva”, e as televisões - infelizmente, todas elas - vão servir de palco a intermináveis debates, teorias conspirativas e acirramento dos confrontos. Se o país se quer maniqueu, que havemos de fazer? Podia-lhe dar para pior. Assim, dá-lhe para a bola.

OVNIs e outras distrações

É minha impressão ou anda por aí uma nova mania dos OVNIs? É uma espécie de coisa cíclica.

À margem do Lima

A hostilidade do “Observador” à linha de Rui Rio é manifesta em toda a sua cobertura do Congresso do PSD. Fica a ideia de haver por ali uma certa orfandade...

sábado, fevereiro 08, 2020

Populismo

Populismo é procurar explorar os instintos medíocres de quantos, não sabendo fazer nada, não querem que nada se faça. Populismo é pôr o parlamento ao serviço do imobilismo, degradando a imagem da instituição. Populismo é procurar travar o metro de Lisboa, apenas "porque sim".

Eu, o João e a Lampreia


A revista “Sábado” desta semana, em três belas páginas, explica que onde se come uma bela lampreia é na “Imperial de Campo de Ourique”. Onde é? Na rua Correia Teles, 67.

Ora eu, para mal dos meus pecados (por muito poucos que eles sejam, como é sabido!), não aprecio por aí além o ciclóstomo. Por esta altura do ano, sou desafiado por vários grupos de amigos para jornadas de lampreia. E lá tenho eu de explicar que o bicho nunca fez o meu género, que por isso não posso alinhar nessas alegres almoçaradas, confissão que faz subliminarmente baixar a minha cotação de gastrónomo (criada por outros, que não por mim, que sempre só me achei “gastrófilo”) e ser olhado, de forma piedosa, por esse seleto grupo de eleitos do gosto.

Mas voltemos à “Imperial”. Se fosse só pela lampreia desta época, o meu amigo João, um simpático minhoto da Barca que é dono da casa, nunca me apanhava por lá. Mas a “Imperial” tem muito mais coisas, que rodam ao longo da semana, saídas das mãos da serena dona Adelaide, trazidas às mesas pelo João e pelo filho Nuno. Ah! Quem espere luxos por ali, desengane-se: a “Imperial” é a simplicidade feita lugar.

É pelas várias propostas de cozinha tradicional portuguesa que por ali se servem, mas muito também pela amizade que, ao longo de anos, criámos com aquela simpática família, que, quase sempre uma vez por semana, por lá vamos parando para almoço (A “Imperial” só abre para jantares por encomenda, para quem esteja interessado). Jamais lá iria pela lampreia! Já agora, um aviso: se perguntarem ao João como está um qualquer prato, preparem-se para ouvir, invariavelmente, a sua expressão já clássica: “Um espetáculo!”

sexta-feira, fevereiro 07, 2020

Clima e mentalidades


Há não muitos meses, ouvi alguém com grandes responsabilidades dizer mais ou menos isto: a crise climática apresenta-se hoje já tão grave que, daqui por uns tempos, como única forma de salvar o planeta, pode vir a ser necessário impor medidas muito drásticas, que terão como consequência alterar radicalmente os nossos padrões de vida, criando muitos incómodos e suscitando fortes reações. A grande questão estará então em saber se os governos nacionais terão condições políticas para, em regime democrático, conseguirem levar à prática essas medidas, alegando “estado de necessidade”. E o meu interlocutor interrogou-se: e se os cidadãos - repito, em pleno exercício das regras da democracia - não aceitarem essas imposições, seja por egoísmo seja por não estarem convencidos de que essas soluções drásticas são, de facto, necessárias? O plano B, para salvar o planeta, terá então de passar à margem da democracia? Como? Manu militari? Ou, em alternativa, para respeitar a democracia, deixa-se o planeta “afundar”? Fiquei a pensar nisto.

Congresso do PSD


Viana do Castelo, este fim de semana

O Rio e o Monte negro

Desabafos

‪Hoje, ao perder a paciência com o funcionamento do meu computador, dei comigo a resmungar: “Quem me dera ter aqui o Rui Pinto!” ‬

Um país que não existe (2)

Ainda hei-de viver num país em que possa criticar abertamente o comportamento político e a atitude pública de uma mulher, com a mesma força verbal com que critico um homem, sem que ninguém me venha lembrar que essa pessoa é mulher. Mas esse país ainda não existe.

Um país que não existe (1)

Ainda hei-de viver num país em que possa criticar abertamente o comportamento político e a atitude pública de uma pessoa negra, com a mesma força verbal com que critico um branco, sem que ninguém me venha lembrar que essa pessoa é negra. Mas esse país ainda não existe.

Carol

Era uma senhora alta, com pouco mais de 60 anos, de uma beleza que se percebia ter sido esplendorosa e uns olhos verdes sem idade. Conheci-a...