sábado, julho 09, 2016

Portugal e a França

Há um mundo de "não ditos" na relação entre os povos, nas mútuas perceções. Neste tempo de emoções coletivas fortes, que o futebol proporciona, alguns sentem-se legitimados para deixar escapar aquilo que lhes vai no fundo da alma, da mesma forma que o empolgamento de uma bancada permite exprimir a muitos aquilo que, com serenidade, nunca diriam.

Na nossa vida diária, nunca dizemos "tudo" aos outros, tudo aquilo que deles pensamos, com o objetivo de salvaguardar o essencial, que é a relação pessoal. Por isso, e até por vício profissional, sempre entendi que, no tocante aos países estrangeiros e ao que deles pensamos (naquele redutor e caricatural "eles"), há que procurar manter alguma contenção, embora perceba que este tempo de "pátria em chuteiras" não ajude muito a isso.

Centenas de milhares de cidadãos portugueses vão continuar a viver em França, depois de segunda-feira, independentemente do que vier a passar-se no domingo. Muitos terão, nas suas famílias e nos seus amigos, quem esteja muito dividido ou quem seja ferrenhamente por um dos lados. Espero, com sinceridade, que as tensões destes dias, os exageros verbais de parte a parte, não acabem por ter um efeito negativo no quadro de relacionamento entre muitos franceses e outros tantos portugueses que vivem em França. Seja lá isso o que for, na realidade dos factos, para além da mútua retórica.    

"The right thing"

Churchill dizia que "Americans can always be trusted to do the right thing, once all other possibilities have been exhausted". Com...