No dia 12 de julho, há precisamente duas semanas, ainda antes da reunião dos ministros europeus das Finanças, escrevi por aqui isto:
"A minha leitura (...) leva-me a concluir, depois do "eurogrupo" (ministros das Finanças dos países do euro) de ontem, que o Ecofin (ministros das Finanças de toda a UE) irá propor sanções (o facto de ser anunciado que será "por unanimidade", exceto o próprio país em causa, significa que Portugal votará a favor de sanções à Espanha e vice-versa) que caberá depois à Comissão decidir no detalhe.
Porque Portugal e Espanha não são masoquistas, quer-me parecer que o "deal" passa por aprovar o princípio das sanções e ter a garantia (já negociada com a Comissão) de que essas sanções serão iguais "a zero".
Fica salva a "honra do convento" e, na prática, as sanções são teóricas e sem incidência orçamental. Os países mais radicais ganham a aplicação do princípio e os "faltosos" a não punição efetiva.
Uma hipótese que sempre me pareceu implausível, no atual contexto (Brexit) seria uma "linha dura" no Ecofin reclamar sanções efetivas, obrigando à "recolha" de votos para conseguir uma minoria de bloqueio. Nem os tempos estão para isso, nem o "mood" da Comissão dava garantias de que esta pudesse "obedecer" substantivamente a um conselho de ministros "severo" (mesmo com "instruções" de Berlim).
Aliás, as conclusões do colégio de comissários de há dias já apontavam no sentido da Comissão não querer o "odioso" de propor as sanções: o Ecofin que as decida politicamente e a Comissão lá estará para as definir (previamente deixando claro que serão igual "a zero"). A Comissão passará, por esta vez, a "bom da fita".
(...) Mas posso estar completamente enganado e acabar por não ser nada disto que escrevi. Logo veremos."
Não estava.
Não sei que deal terá havido, mas ainda ontem António Costa dizia acreditar na aplicação da multa de Bruxelas.
ResponderEliminarnão altero um milímetro ao que escrevi no dia 13 !
ResponderEliminarMuitos anos a virar frangos, presume-se.
ResponderEliminarDir-se-ia que aquela Europa " blinked first ".
Assumem que o seu, deles, "business model" precisa de umas correcções a curto prazo ?.
Afinal já perderam um dos sócios ... insubstituível.
Boa previsao de um diplomata que conhece o sujeito e os sujeitos !
ResponderEliminarAo comentador da mercearia :
ResponderEliminar-E faz Vossa Senhoria muitíssimo bem !
Mas, se escreveu que sanções iriam ter lugar, embora de valor zero, e na realidade não houve sanções, como é possível dizer que não se enganou?
ResponderEliminarsem querer ser pretensioso, penso que as amáveis palavras de CdS me são dirigidas. que saudades, à quanto tempo não não as ouvia. outros tempos, meu caro, outros tempos e pela afirmação, vê-se que Vossa Excelência sabe pisar.
ResponderEliminarafinal tivemos azar com esta história da multa zero.
ResponderEliminarcomo muito bem explica o FF [(sempre magnífico)(quase !)]no Diário de Notícias de hoje ficamos, mas foi, a perder dinheiro.
A DESPROPÓSITO:
com a frase do Papa no DN de ontem. com o que disse no avião e com o trambolhão que deu hoje, estou desejoso de ler o que a "Ordem Negra" vai publicar amanhã no DN.
andei a remoer toda a tarde a possibilidade de ser mal interpretado (caso alguém tivesse reparado. mas parece, felizmente, que ninguém reparou).
ResponderEliminaré que o - pisar - das 13:00, dedicado atenciosamente a CdS, obviamente que deveria estar entre comas, ou seja: "pisar".
Agradeço a boa compreensão.