20 fevereiro 2016

Umberto Eco (1932-2016)


Há duas semanas, durante uma reunião de trabalho numa fundação (não, não era a Gulbenkian), ao elencarmos alguns nomes possíveis para convidar para um determinado evento com participação internacional, alguém lembrou o nome de Umberto Eco. Com o Google à mão, um dos presentes notou: "Já tem 84 anos, deve não viajar muito". Retorqui que Eduardo Lourenço, bem mais idoso, ainda está aí para as curvas.

Não sabia(mos) que Eco estava doente. Com a sua morte, a Europa perde uma figura de uma natureza cada vez mais rara, uma personalidade de tipo renascentista, um pensador da contemporaneidade, que nos ajudou a olhar coisas simples da vida sob uma perspetiva arrojada e sempre criativa. Estou longe de ser um seguidor atento de Eco. Li, com agrado, "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault", mas devo dizer que foi a sua "Obra Aberta" que me ensinou a interpretar melhor o mundo, talvez porque por ali estava a semiótica (eu aprendi a dizer "semiologia", do francês, no curso dado por Eduardo do Prado Coelho, no Centro Nacional de Cultura, em 1972). Mesmo assim, a cada entrevista de Eco que apanhava, mesmo com o avançar da idade, ele era sempre um banho refrescante em matéria de ideias. No meu caso, devo também a Eco o reforço do amor pelos livros e a crença profunda no seu futuro.

ps a uma amiga que me fez notar a morte de Harper Lee. Tenho muita pena, mas nunca li nada dela. Sei que a culpa é minha, mas é um facto. E já tenho idade para confessar, sem corar, as minhas fragilidades.