É muito curiosa - e desonesta - a tendência de certos comentadores que, com acinte e aparente gozo, procuram esconder que a recente subida das nossas (e de vários outros países) taxas de juro, para reciclagem dos empréstimos da dívida pública, tem como essencial justificação o ambiente agitado que as bolsas atravessam por toda a Europa (e não só). Esse viés faz-se também sentir em alguns títulos de jornais e rodapés televisivos.
A vontade mesquinha de colar a subida das taxas de juro ao caso do orçamento português, sem a menor comprovação mas apenas pelo seu "wishful thinking", qualifica a mediocridade pedante desses inconsoláveis viúvos da defunta coligação. Ninguém afirma isso lá fora, mas esses arautos da desgraça teimam em insinuá-lo cá dentro. E nota-se o prazer que lhes dá magnificar, para consumo da paróquia, qualquer observação crítica sobre Portugal que consigam descortinar num jornal estrangeiro.
Os eventuais efeitos de qualquer opinião negativa sobre o orçamento português, a existirem - e eu não excluo que possam ocorrer, em alguma medida - só poderiam ser avaliados numa situação "business as usual" dos mercados. E, de momento, isso não existe, pelo que tudo o que por ora se disser - a menos que haja entretanto um "downgrading" pelas agências de notação - não passa de simples e infundadas especulações, destinadas a criar um ambiente de desconfiança e mal-estar na opinião pública.
É preciso que isto seja dito de forma clara.