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sexta-feira, novembro 20, 2009

A mão francesa (2)

"Com mãos se faz a paz se faz a guerra
com mãos tudo se faz e se desfaz"

Lembrei-me do belo poema de Manuel Alegre que assim começa ao apreciar a discussão em torno do golo ilegal que qualificou a França para a fase final do campeonato do mundo de futebol.

Estes são momentos de verdade para avaliar se o "futebolismo" acéfalo ultrapassa alguma racionalidade. Nos comentários franceses ao falso golo criado por Thierry Henry, viu-se de tudo: desde os que lamentaram o acontecido e criticaram a falsa inocência assumida por Henry, até aos adeptos do "vale tudo desde que se ganhe". Posso estar enganado, mas tenho a sensação que, no conjunto dos comentários lidos e ouvidos, prevaleceu por aqui um certo sentimento de se estar "mal à l'aise" e mesmo com vergonha pelo facto da França ter ganho o acesso desta forma. Interessante foi ver muitos sectores da classe política desgostosos com o que se passou, parte dos quais reclamando mesmo a (impossível) repetição do jogo. Atitude de "fair play" que acho extremamente saudável.

Pergunto-me para que lado teria pendido a nossa balança de comentários se o mesmo caso se tivesse passado com a selecção portuguesa? Lembro-me de um antigo dirigente desportivo, com uma formação profissional que o vocacionava para equilíbrio de julgamento, que um dia disse mais ou menos isto: "quero que o meu clube ganhe, mesmo que seja com um golo marcado com a mão, em posição de fora de jogo e já depois do tempo regulamentar". Em todo o mundo há gente (pelo menos a pensar) assim, mas, se isto é desporto, vou ali e já venho.

Uma última nota para referir que, naturalmente, veio por aqui várias vezes à colação, nas últimas horas, a célebre "mão do Vata", um lance ilegal com que o Benfica derrotou o Olympique de Marseille. Foi há 19 anos, mas só os elefantes têm mais memória que os adeptos de futebol...

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Maria Lúcia Amaral deixou de ser ministra da Administração Interna. Jurista de primeira água, foi arrastada pela enxurrada mediática da inte...