quarta-feira, novembro 11, 2009

Maneta

Há dias, um leitor lembrou-nos a relação com a França da conhecida expressão portuguesa "ir para o maneta" - com o sinónimo de destruir ou de dar cabo de alguma coisa. Tem também como significado vulgar escangalhar-se, estragar-se, avariar e morrer.

Fui ver a essa magnífica ferramenta informática que é o Ciberdúvidas e confirmei que, na origem da expressão, está a figura do General francês Loison, companheiro de Junot, durante a primeira invasão francesa. Loison, segundo revela Orlando Neves, no seu "Dicionário de Expressões Correntes", havia perdido um braço numa batalha e, em Portugal, "revelou-se um homem de extrema ferocidade e malvadez, que exercia torturas violentas nos presos e foi responsável por várias mortes".

Na memória popular ficou o verso:

"O Jinot (sic) mai-lo Maneta
julgam Portugal já seu:
É do demo que os carregue
e também a quem lho deu."

Outros tempos, em que imagem da França, apesar de dividir sectores da opinião portuguesa, não era a que é hoje. Felizmente.

3 comentários:

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
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Nós também tivemos o nosso “maneta”!
Em 2 de Setembro de 1994 no “Notícias de Gouveia” numa peça intitulada: “Macau - Resto de um Império” escrevi numa longa peça o trecho seguinte:
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“.... O Governador Ferreira do Amaral quando foi assassinado, (1849) aventaram a hipótese que o bravo e duro militar, teria sido morto por uma seita chinesa porque lhe tolhia os movimentos de acção na prática do crime de extorsão.
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Perdeu um braço no Brasil, durante a guerra da independência na Ilha de Taparica.
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“Maneta”, como a si se identificava, continuou a dar ordens aos seus subordinados, que lutassem, porque ainda tinha outro braço. Foi levado quase à força para o hospital de campanha no brigue Audaz.
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A amputação foi lhe feita a sangue frio e depois de operado subiu ao convés do Audaz incitando os soldados para não pararem de lutar de lutar e dando vivas a Portugal”...
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Saudações de Banguecoque
José Martins

Anónimo disse...

Saiu recentemente um interessante ensaio do Vasco Pulido Valente intitulado "Ir pró Maneta".
O general Loison,bem conhecido pela sua crueldade em Amarante e todo o Norte tem tambem outra particularidade - nunca venceu em qualquer dos confrontos que teve com forças portuguesas, em particular com as do Brigadeiro Silveira.

Vizinho ex-marxista

Anónimo disse...

A este propósito vale a pena ler o livro (um pequeno, mas interessante livro) que Vasco Pulido Valente escreveu. Vem aí essa explicação. Está bem escrito, ou não fosse o seu autor um conhecedor e estudioso conceituado da nossa História. Na Fnac, ou na Bertrand encontra-se à venda. Li-o com imenso gosto.
P.Rufino

A Europa de que eles gostam

Ora aqui está um conselho do patusco do Musk que, se bem os conheço, vai encontrar apoio nuns maluquinhos raivosos que também temos por cá. ...