O Rádio Clube Português perguntava-me, há minutos, o modo como a comunidade portuguesa em França apreciava a acção do presidente Nicolas Sarkozy, nesta primeira metade do seu mandato. Em especial, se ela acompanhava a tendência da sondagem do "Le Nouvel Observateur" de ontem, que consagra algum desgaste de imagem do líder francês.
Para além do cuidado diplomático que um representante estrangeiro deve ter sempre neste tipo de comentários, dei-me conta de que, mesmo que quisesse, seria impossível para mim ter uma opinião clara, pelo facto da nossa comunidade ter por aqui um papel de uma discrição quase extrema em matéria da vida política local.
Muito embora haja já um número interessante de eleitos de origem portuguesa nas instituições democráticas francesas, essa presença está ainda bem longe daquela que seria desejável para uma defesa plena dos seus interesses e da comunidade em que estão inseridos. E é pena que assim aconteça: bem melhor seria que os portugueses com direito a voto fossem activos protagonistas da sociedade política francesa. Nesse caso, não apenas os partidos políticos franceses procurariam, com maior frequência, recrutar figuras da nossa comunidade para lugares electivos, a fim de "arrastar" consigo o voto português, mas, igualmente, os próprios eleitos franceses se mobilizariam em favor das agendas de interesses da nossa comunidade (em especial em matéria de ensino e promoção de apoio local às suas instituições associativas).
O facto dos portugueses serem uma "comunidade silenciosa" é, com certeza, lido como uma nota positiva num magma social e étnico onde certos afloramentos e tensões, de outras origens, marcam pela negativa o quotidiano do país. Mas tem, como reverso da medalha, o preço de alguma irrelevância no plano das vantagens que decorrem da afirmação cívica.
Para além do cuidado diplomático que um representante estrangeiro deve ter sempre neste tipo de comentários, dei-me conta de que, mesmo que quisesse, seria impossível para mim ter uma opinião clara, pelo facto da nossa comunidade ter por aqui um papel de uma discrição quase extrema em matéria da vida política local.
Muito embora haja já um número interessante de eleitos de origem portuguesa nas instituições democráticas francesas, essa presença está ainda bem longe daquela que seria desejável para uma defesa plena dos seus interesses e da comunidade em que estão inseridos. E é pena que assim aconteça: bem melhor seria que os portugueses com direito a voto fossem activos protagonistas da sociedade política francesa. Nesse caso, não apenas os partidos políticos franceses procurariam, com maior frequência, recrutar figuras da nossa comunidade para lugares electivos, a fim de "arrastar" consigo o voto português, mas, igualmente, os próprios eleitos franceses se mobilizariam em favor das agendas de interesses da nossa comunidade (em especial em matéria de ensino e promoção de apoio local às suas instituições associativas).
O facto dos portugueses serem uma "comunidade silenciosa" é, com certeza, lido como uma nota positiva num magma social e étnico onde certos afloramentos e tensões, de outras origens, marcam pela negativa o quotidiano do país. Mas tem, como reverso da medalha, o preço de alguma irrelevância no plano das vantagens que decorrem da afirmação cívica.