sábado, 6 de agosto de 2016

Hombre!

Afinal, na tabacaria da vilória, a oferta em matéria de revistas não era melhor do que na da praia, onde já me aviara de jornais. Claro que havia tudo quanto o social de coscuvilhice exige, mas o Nouvel Observateur era-lhes desconhecido, o L'Express não tinha vindo e o Economist "talvez só amanhã".  

Trouxe o El Pais e vinha a olhar para os títulos da primeira página, com a tragicomédia do impasse político espanhol, quando me dei conta de que tinha deixado o carro muito mal estacionado, quase no meio da estrada.

Pensava para comigo "ando muito distraído, tenho de ter mais cuidado", quando abri a porta do carro e comecei a sentar-me.

Foi então que ouvi, do banco ao lado, um sonoro e feminino "Hombre!" Que diabo tinha dado à minha mulher?! Como é que ela tinha adivinhado que eu tinha comprado um jornal espanhol?

Olhei melhor: era outra senhora, era outro carro, de cor exatamente igual ao meu, o qual, claro, estava imediatamente atrás. Pedi "perdón!", com a minha mulher a rir-se imenso e eu encavacado.

Será do calor ou da idade?

4 comentários:

Anónimo disse...

Tera ficado ate tarde a ver a abertura das Olimpiadas? Se ficou culpe Vinicius, Jobin, a tal garota...

Saudades

F. Crabtree

Isabel Seixas disse...

Teve piada, mas...

Por se acaso faça o despiste da mudança natural das visões, nomeadamente das lentes, não vá o diabo tecê-las...
valeu-lhe decerto o ser um caucasoide a parecer bem afeiçoado, mas não se fie na virgem e corra mas é, que presumo, agora moreno, a invadir carros alheios, nem a sua mulher o salva de uma batatada, espontãnea, à espanhola.

Boas férias

Anónimo disse...

Que aborrecimento, perder as catedrais francesas do "conhecimento correcto" !

Leia o "Tony chamuças" no Twitter o homem que está a afundar Portugal.

Anónimo disse...

Um engano que não é tão raro assim... Acontece a muito boa gente.