A aceitação pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de uma "boleia" da GALP para ir ao Europeu é uma insensatez. Acho eu.
Daí a isso justificar a sua demissão vai uma imensa distância. Acho eu.
O país, contudo, não pode estar à mercê do meu (ou do seu, leitor), "achismo". Tem de haver alguem com legitimidade, originária ou delegada, para se pronunciar sobre isso.
A ausência de um organismo próprio, que avalie e dê pareceres sobre as questões de ética pública, não implica que essa avaliação se não faça.
No tocante ao comportamento dos membros do governo, é ao presidente da República que compete essa avaliação.
(Recordo, em 2000, que Jorge Sampaio exigiu a António Guterres a demissão de Armando Vara, por uma determinada questão).
Se, neste caso, o presidente (que se saiba) não atuou, isso pode significar que, no seu juízo (o juízo de quem tem uma indiscutível legitimidade), o caso não se reveste de uma gravidade que justifique a demissão do secretário de Estado.
É essa, também, a minha opinião, que, porém, vale tanto como a do leitor. Ou, para usar uma bela expressão que muito se diz na minha terra: digo eu, não sei...