Era, com toda a certeza, o resto de uma conversa que nascera ainda no carro, a propósito de limites de velocidade, e que se prolongava agora à mesa do restaurante.
O miúdo tinha um ar de "sabichão", óculos de aros grossos, daqueles que querem saber tudo. Falava com uma voz agaitada, estridente e algo irritante, que ecoava por toda a sala. A pergunta era "simples":
- Mas, ó mãe, se cá é sempre proibido andar a mais de 120, porque é que deixam vender carros que "dão" mais?
A senhora olhou em volta, embaraçada, sem saber o que dizer, com o puto a insistir, alto, "diz lá, mãe!"
Não a pude ajudar, porque justificar perante uma criança uma chocante hipocrisia da nossa sociedade é algo que não está ao alcance de um simples escriba de blogue.
