Na minha cabeça, tenho o ano dividido em dois períodos, muito desiguais em dimensão: de setembro a dezembro e de janeiro a julho. Estes são os meus dois "semestres". Agosto é a pausa.
Para mim, o ano começa, verdadeiramente, em setembro. É um mês diferente de todos os outros, com menos "eventos" mas não com menos compromissos, bem pelo contrário. Arrumo (ou penso arrumar) nele muitas coisas, no caminho para os onze que se seguem. Depois, outubro e novembro são meses cheíssimos. Só lá para 20 de dezembro é que tudo estaca. A pausa natalícia prolonga-se até à primeira semana de janeiro, quando tudo rearranca, de novo bem a sério. Fora o período da Páscoa, todo esse segundo "semestre" é muito intenso, apenas com as festividades em junho a atenuar o ritmo, mas com as aulas a reforçá-lo. Como já estou muito longe do tropismo obsessivo para o turismo, fico a ver os meus amigos, entre maio e junho, a avançar para "as viagens".
A maior diferença que senti entre os anos de vida em que estava numa atividade profissional oficial, "from nine to five", e a atípica "aposentação" que se aproxima dos quatro anos, são os meses e julho e dezembro. No passado, esses eram meses de transição para tempos de férias, já de um relativo "phasing-out" laboral. Hoje, não: verifiquei que a atividade privada acelera fortemente na última quinzena de julho e na primeira de dezembro. Foi uma descoberta interessante.
Quando vivi na Noruega, ouvia dizer que o dia de hoje, o 15 de agosto, era "o início do inverno". Também convém não exagerar! Mas há pouco, ao acordar, confesso que senti, como dizia o poeta", que já "cheira a setembro". Aliás, confesso, ando a preparar esse mês há largas semanas. São muitos os amigos com quem já troquei o clássico "então, combinado!, almoçamos lá para setembro!". Se acaso todos esses almoços de "rentrée" viessem a ter efetivamente lugar, setembro seria um mês de 40 dias. Úteis, claro.