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domingo, agosto 28, 2016

O general e o bispo


Será verdadeira, a historieta? É demasiado "boa" para isso, mas não resisto a contá-la, tal como ma relatou um amigo, há dias.

O episódio ter-se-á passado na estação ferroviária de Vila Real, no final dos anos 50 da última centúria. O general Aníbal Vaz, estimável vila-realense que muito ajudou os seus conterrâneos com dificuldades "lá em baixo"  - leia-se, em Lisboa -, figura que Salazar cuidou em afastar do comando da GNR em 1961, por suspeitas de implicação no "golpe Botelho Moniz", estaria fardado e com condecorações a pingar-lhe do peito, à espera de um qualquer outro dignitário, prestes a chegar de Chaves, no velho comboio da linha do Corgo.

Na plataforma, preparado para viajar em direção à Régua, primeira etapa para Lisboa, estava também o sempiterno bispo de Vila Real, dom António Valente da Fonseca, figura avantajada, que lembro ter a forma de um daqueles sinos que antigamente se usavam nas mesas familiares para chamar as "creadas", vestido da clássica púrpura reluzente dos estilistas vaticanenses.

O comboio tardava a chegar. Dom António, que conhecia bem o general, decidiu uma graçola, fingindo confundi-lo com um "factor de primeira" (uma das classes que sempre achei mais "prestigiantes" na hierarquia ferroviária nacional):

- Ó senhor factor! Então o comboio chega ou não chega? Isto nunca anda a horas?

O bom do general Vaz não se ficou e, com a confiança que se dizia ter com a excelência reverendíssima local, terá retorquido:

- Já vem na Cigarrosa, está quase a chegar! 

E o olhando o saiote empinado pela barriga proeminente do bispo, acrescentou:

- Eu, se fosse a si, "minha senhora", nesse seu "estado interessante", com os solavancos do comboio, talvez não ousasse fazer a viagem...

Um cheirinho de goibada

Ficará para a ciência política, com a distância do tempo, refletir um dia sobre as razões pelas quais um eleitorado que tinha dado uma maior...