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domingo, agosto 28, 2016

O Raposo e o lobo

Há poucos meses, um cronista chamado Henrique Raposo, figura de uma direita biliosa, muito ao estilo de certa "produção" da Universidade Católica, a que o "Expresso" dá jubiloso e regular acolhimento, escreveu um pequeno livro sobre o Alentejo, que provocou uma celeuma dos diabos.

Porque não faço parte da escola do "não li e não gostei", li o livro, achei-o bem escrito, naquele género do frontal-chocante de quem quer fazer nome pelo escândalo e - surpreendam-se os meus amigos - recomendei-o a muitas pessoas. 

Nesse texto, Raposo vinga-se da sua ascendência alentejana, num exorcismo autoflagelatório das origens familiares comunistas, de que se sente tentado a renascer num indiferenciado subúrbio lisboeta, a modos que a criar credibilitação para a ascensão a um mundo a que não chegou pelas duas outras vias possíveis: o renegar do extremismo esquerdalho ou o suporte confortável dos apelidos.

A mim, o livro sobre o Alentejo agradou-me, confesso, porque nele são ditas algumas verdades e, em especial, porque é profundamente heterodoxo face a uma estafada mitologia alentejofílica - muito UCP, muito Catarina Eufémia, muito Zeca e muito Grândola -, peditório para o qual já dei há muito.

Ontem, no "Expresso", Raposo decidiu aventurar-se longamente sobre o fenómeno muçulmano, sobre o multiculturalismo e a questão da integração. Até aí tudo bem: não há bicho careta, mais intelectual ou antropólogo impressionista e amador, que hoje não mande por aí bitaites sobre burkas, jilabas e babuchas. 

Só é pena, não sendo contudo supreendente, que, sobre Sartre, Edward Saïd e a esquerda, no tocante à questão argelina, Raposo não se tenha eximido de ser intelectualmente desonesto, faccioso e falso. Com o "Expresso" a dar-lhe alegre cobertura ao topete.

Isto tem de ser dito. E eu digo-o.

Há um novo mundo com Trump?

  Entrevista no podcast da Fundação Res Publica. Pode ver aqui .