sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Ventos da pequena história


Não faço ideia se a imprensa internacional destacou o assunto na agenda das curiosidades, mas seria imperdoável se não tivesse ficado bem registado o caso da desistência de uma candidata às eleições presidenciais portuguesas, alegadamente por virtude da documentação para a instrução da respetiva candidatura ter sido levada pelo vento que assolou os Açores. Creio que nunca o famoso anticiclone tinha tido uma intervenção política tão significativa...

Verdade seja que, neste morno tempo de campanha presidencial, este terá porventura sido o seu episódio mais excitante. Ao que vou lendo, os candidatos dedicam-se a refeições e conversas corporativas, transportados por ondas grisalhas de apoiantes, perante um país que parece esvaído num cansaço político, depois da saga da indigitação governativa. Nada que deva desagradar muito ao putativo incumbente que dispõe da mais óbvia notoriedade mediática, que entra na semana natalícia com expetativas elevadas, devendo, no entanto, cuidar em não ser filmado a comer bolo-rei, como sucedeu a alguém há uma década, embora tenha sido a nós que saiu a fava...

Imagino que a António Costa não apeteça falar muito de eleições presidenciais. Como tem sido triste regra recente, o PS balcanizou-se entre candidatos que se reclamam da área do partido, conduzindo este a mais uma situação embaraçosa. Não optar entre os voluntários pareceu-me ser uma atitude sensata, embora também possa ser lida como desvalorizante da escolha. E, como o passado recente provou à saciedade, o lugar tem muito maior importância nos equilíbrios internos do que por vezes se supõe.

Passados que foram meses de excitação e combate político, fica-se com a sensação de que o país está a viver um tempo de desejada “acalmação”, não obstante ainda emerjam, aqui ou ali, histriónicas ressacas, típicas das saídas inesperadas do poder. Atentas as expetativas baixas com que o novo executivo foi recebido, a autoridade serena do primeiro-ministro, a qualidade muito respeitável da sua equipa e o inesperado “bom comportamento” dos seus companheiros de jornada induz uma imagem de estabilidade em que, há semanas, ninguém apostaria.

Entramos daqui a dias em 2016. Se o défice deste ano se aguentar, se o Banif acabar por não correr mal, se os patrões aceitarem pacificamente o salário mínimo, se o orçamento vier a estugar ambições excessivas e a fazer sorrir Bruxelas, quem sabe se tudo não pode vir a correr pelo melhor?! Ah! Mas é muito importante que o senhor Draghi tenha muito boas festas para que nós todos tenhamos um ano novo feliz.

5 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem.

Anónimo disse...

Caro Seixas da Costa,

Olhe que o "famoso anticiclone" não teve intervenção directa no caso. Estivesse ele centrado na região e a depressão que levou os papéis não teria chegado às ilhas.

Cumprimentos.

JRodrigues

Helena Sacadura Cabral disse...

Francisco
Para si e para todos os seus comentadores umas Festas capitosas e um 2016 com um pouco mais de capital e boa saúde são os meus votos.

Carlos Fonseca disse...

Não haverá por aí nenhum candidato que se disponha a ir até ao Guincho com as assinaturas dos proponentes na mala do carro? Se isso se concretizasse, e eu pudesse escolher, sugeriria um que em tempos se gabava de ir para lá logo de manhã dar umas braçadas.

Anónimo disse...

António Costa surpreende sempre pela originalidade.

Costa é original.

Enquanto as originalidades surgirem, tudo vai correr às mil maravilhas.

A maior originalidade de António Costa não são as decisões apenas.

A maior é António Costa não ter nem as qualidades nem os defeitos da maioria dos portugueses.