quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Brasil

Jantei na noite de ontem com um amigo, diplomata de um importante país europeu, que comigo coincidiu como embaixador no Brasil. Disse-me da tristeza com que estava a seguir a situação naquele país e, muito em especial, o seu sentimento de que a linha de rumo hoje confirmada, com o início do processo de afastamento da presidente Dilma Russeff, lhe parecia poder vir a desencadear uma crise que muito afetaria a imagem do Brasil no mundo. 

Sou da mesma opinião. O facto desse processo ser desencadeado por um presidente da Câmara de Deputados sobre o qual impendem graves acusações, deixando a ideia de que se está perante um mero processo retaliatório, torna tudo muito mais estranho, o que parece encaminhar o Brasil para uma crise institucional muito grave.

Nunca vi aquele país tão dividido. Nem no tempo da ditadura militar, ao que me recordo, se sentia este ambiente confrontacional. Chega a ser incomodativo falar com alguns amigos brasileiros, de tal forma a polarização está acesa no debate popular. Tenho assistido, em situações sociais, a uma agressividade entre as pessoas que julgava que não regressaria ao debate político dessa grande democracia da América do Sul. Há dias, num jantar, referi a minha amizade pessoal por uma figura secundária, ligada ao atual poder político. O ar de quase desprezo com que, de imediato, fui olhado por vários dos presente revelou-me o tempo de intolerância que se atravessa.

Sou apenas um observador estrangeiro e é aos brasileiros que compete definir o seu destino. Porém, como sincero amigo do país, não consigo deixar de ter opinião sobre uma realidade política que acompanhei bem de perto. Não tendo a menor simpatia pessoal por Dilma Rousseff, cuja atitude negativa face a Portugal me parece uma evidência, devo contudo dizer que os dados que conheço sobre o processo de "impeachment" que lhe diz respeito me parece serem muito mais uma espécie de "terceira volta", por via parlamentar, das eleições de há pouco mais de um ano do que um caso com reais fundamentos juridico-políticos. E isto é muito perigoso para o prestígio do país Brasil na ordem internacional.  

11 comentários:

Anónimo disse...

O Brasil tal como outros Países coloca no poder pessoas com "rabos" de fora durante a sua vida. Cada vez é mais difícil encontrar pessoas totalmente idôneas para tal. As pessoas estão fartas. A sede de poder é enorme por parte de todos os quadrantes e está a atingir um limite de saturação. Isto começa a tomar uma dimensão que qualquer dia está fora de control. Hoje foram detidos mais uns dirigentes da FIFA alegadamente corruptos. O polvo parece que não tem fim.

Maxmilianno disse...

o Brasil não está dividido: "Datafolha 2 – Larga maioria apoia o impeachment de Dilma: 63%; só 33% são contra".

septuagenário disse...

A Dilma é de uma estirpe de brasileiros que têm "desgosto" por ter sido Portugal a colonizar aquele mundo e cinzelar aquelas fronteiras escandalosas.

Há países africanos em mau estado, mas a América latina tem países em estado mais complicado.

Majo disse...

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~ O Brasil não merecia...

~ Tenho o mesmo desgosto...
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Anónimo disse...

Senhor Embaixador, não será que os mesmos "críticos do Papa Francisco" minam a opinião pública mais humilde, modesta e sujeita através de "umas obras sociais de emergência face à pobreza"? Pena que os governantes políticos no Brasil se tenham distanciado da "realidade quotidiana das necessidades de sobrevivência imediata dos cidadãos, para terem perdido o comboio, para "as instituições... de serviço" no terreno...

aamgvieira disse...

Em Portugal, por outras razões:

A Relação de Lisboa, entende que não ficou provada em julgamento, qualquer afinidade politico-partidária, entre Maria Lurdes Rodrigues e João Pedroso, porque Maria Lurdes Rodrigues não é militante do PS e foi nomeada ministra da Educação como independente, nem Morgado é do PS.

João Pedroso nem é irmão do protegido de Ferro Rodrigues, do caso Casa Pia, nem Morgado é do PS.

Nem Costa tinha nada a ver com Sampaio , nem João Soares tinha nada a ver com Savimbi, nem nada é o que parece.

Mas provavelmente têm razão, porque António Costa também não foi eleito e é Primeiro Ministro.

No PS nada é o que parece, tudo são coincidências.

Antonio Cristovao disse...

A semelhança dos processos de desestabilização na Venezuela e no Brasil, feita pela oposição,é tanta que espero estar enganado, que foi planeada pela mesma equipa.

Anónimo disse...

Sou Portugues e vivo e trabalho no Brasil tem algum tempo. Infelizmente para os brasileiros e digo a maioria deles, querem é futebol, novela, cachaça e cerveja e o resto pouco importa. Mas a ladroagem por aqui foi sempre um facto.

Anónimo disse...

Para além do que disse o anónimo acima, gostam também muito de religiao, sobretudo os evangélicos, que formam uma espécie de matilha.

Maxmilianno disse...

O Brasil é um homem bêbado que bate na esposa na frente das visitas!

ARPires disse...

aamgvieira, só para lhe lembrar que António Costa foi eleito deputado à Assembleia da República casa da democracia de onde emana o governo.
Gosta de deturpar as coisas, mas da parte que me cabe levará sempre a resposta mais adequada ao momento.
Neste é caso para lhe desejar boas festas e aproveite para comprar dose reforçada de rennie, pois com tanta doçaria vai ficar ainda com mais azia.