quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Alistair Darling

Com um pequeno e heterogéneo grupo, almocei com Alistair Darling, que foi ministro das Finanças de Gordon Brown. Havia-o conhecido pessoalmente em Londres, ainda no "shadow cabinet", em 1996. 

Com a saída do governo, onde esteve consecutivamente entre 1997 e 2010, Darling ganhou uma liberdade de análise que se torna especialmente interessante para interlocutores internacionais.

Nesta conversa, o ex-ministro deu uma visão muito crítica do processo decisório europeu, em especial da sua capacidade de reação perante as crises. Do mesmo modo, foi bastante cético quanto à vontade prevalecente no seio do G20 para levar à prática muito daquilo que, no anterior momento de "pânico", havia aparecido como base consensual operativa. O facto de a administração Obama estar agora "de mãos atadas" pelos legisladores americanos e de não ser clara, algumas vezes, a linha seguida por Pequim, são fatores que tornam as decisões possíveis no seio do G20, num futuro imediato, muito imprevisíveis. E chamou a atenção para o facto de a City londrina, apreciando e até agradecendo uma regulamentação à escala global que possa prevenir crises, não estar disposta a aceitar "coletes de forças" regulatórios que possam pôr em causa a sua eficácia. E, em especial, a sua preeminência no mercado financeiro internacional, depreende-se. Acho que os amigos franceses que estavam na mesa terão tomado as suas notas.

4 comentários:

patricio branco disse...

Magnifica instituição ou prática essa do shadow cabinet, que permite à oposição praticar "o seu governo", algo que nos falta em portugal onde nao há organização nos partidos para fazer isso

Anónimo disse...

Na mesa terão tomado as suas notas.
In FSC

Do meu ponto de vista a plagiar a ementa...

Só consigo ler, Ali Stair Darling

Escusado será dizer que conheci o Sr. aqui... E já não é nada mau...
Aposto que o Sr. não lhe falou sequer em Nós...

Tenho tantas saudades da Helena Oneto...

Posso só começar o dia com Porra aqui em chaves não tem mal nenhum. e em Espanha é uma espécie de COnho, que é uma preposição a ligar palavras e frases e a dar energia...

(...)

Isabel Seixas

Helena Sacadura Cabral disse...

Como ser ministro sombra com o apelido Darling?!
Caro Patrício Branco cá também há ministros sombra na oposição. Só que estão demasiado à sombra e a maior parte deles ou é pouco conhecida, ou não se sabe o que fazem.
Mas os do governo, nem por estarem ao sol, são melhores...

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

Caríssimo Senhor Embaixador Francisco Seixas da Costa,

É, com efeito, uma análise bem interessante. Na verdade, sem uma voz em uníssono a Europa perde capacidade de intervenção na cena internacional, sem liberdade de acção de B. Obama e sem consenso no G20 não haverá possibilidade de pôr limites éticos ao mercado financeiro internacional. A mudança tem de vir de fora para dentro ou, por outras palavras, só o primado da política sobre o mercado financeiro poderá impor os limites morais a estas operações. Faz, portanto, todo o sentido a afirmação de Sua Excelência Alistair Darling.

Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt