domingo, março 20, 2022

A guerra

Bombardeamento semântico. Aqui

É de Homem!


Há semanas, foi anunciado que António Sousa Homem, um discreto advogado reformado (esta é a única fotografia que se lhe conhece), de idade bem avançada, que vive no Moledo e que, no “Correio da Manhã”, publicava, com regularidade, crónicas que eram muito apreciadas pelos leitores do jornal (e por outros, que o não sendo, como é o meu caso, lá o procuravam pela sua excelente prosa), decidira colocar um ponto final nesses textos. Como conhecedor que sou da opera omnia escrita do velho causídico, que tinham já dado origem a vários volumes, fiz parte de quantos tinham ficado tristes com a notícia daquela súbita paragem. Disse isso a Francisco José Viegas, um escritor e editor que sabia ser próximo do cavalheiro. E ainda há dias, numa conversa com uma figura da alta investigação policial nortenha, cujo nome não vem a caso, mas que, num agosto passado, tinha visto a tomar café com Sousa Homem numa esplanada em Caminha, eu tinha repetido idêntica observação. Muitas outras pessoas o terão feito, ao que agora apuro. E hoje, para me alegrar este domingo chuvoso, constato que o Dr. António Sousa Homem regressou ao periódico, imagino que “a pedido de várias famílias”, como antes a imprensa dizia, quando entendia dever corresponder a um expressivo sentimento quantitativo dos leitores. A sua coluna chama-se “Em certos aspectos”, com a palavra escrita com “c”, porque o senhor é de outros tempos e não vai em modas ortográficas. Seja muito bem regressado, caro Dr. Sousa Homem! Peço ao Francisco que lhe transmita os meus respeitos.

A Ucrânia e os seus partidos

Numa decisão ontem tomada, o presidente Zelensky, determinou a dissolução dos restantes onze partidos de esquerda que ainda existiam na Ucrânia.

O passado, lá no alto

 


Em Kiev, há poucos anos.

Gastão Cruz (1941-2022)

 


Geopolítica na areia

Vai ser muito interessante perceber - e não deve demorar muito - a razão pela qual o presidente do governo espanhol decidiu fazer o gesto que fez, ao favorecer as pretensões marroquinas na questão do Saara Ocidental. Sanchez habituou-nos a nunca dar ponto sem nó.

Lá se vai o mito…


Havia uma velha tese de sociologia política empírica que dizia que dois países que tivessem lojas da McDonald’s nunca entrariam em guerra entre si. Foi arquivada.



Diz o Provedor do “Público”

 


Bateu uma saudade…


O Acordo Ortográfico, visão IKEA

 


Moldova, claro

 


Heróis da terra

Nunca a famosa frase de Marx de que “a História ocorre uma vez como tragédia e se repete como farsa” (ou coisa parecida) se aplicou melhor do que à comparação entre os “viriatos” fascistas e os revolucionários lusos de esquerda que foram para a guerra civil de Espanha e os sete voluntários “nacionalistas” portugueses que se ofereceram para a Ucrânia mas que, afinal, decidiram vir de volta, quando perceberam que aquilo era mesmo “a doer”.

Este tipo é um pouco estranho!

Há dias, num jantar, referi, perante um grupo de amigos, que havia um ministro do atual governo cuja voz eu nunca tinha escutado. (Enganei-me: afinal, são dois).

E também disse que, desde o início da pandemia, nunca (repito, nunca!) tinha ouvido o mais pequeno comentário de qualquer especialista, político ou jornalista sobre o tema: a Covid é uma questão a que me mantenho, em absoluto, alheio em matéria informativa, desde março de 2020. Creio, aliás, que raramente alguém ouviu da minha boca a menor referência ao assunto, muito menos qualquer comentário nas redes sociais. Tomei os cuidados recomendados, vacinei-me e foi tudo.

Finalmente, também esclareci, para espanto geral dos circunstantes, que, praticamente desde há dois anos, havia deixado de ver noticiários nas televisões portuguesas. Essa assumida “abstinência informativa” em língua portuguesa, havia sido, aliás, uma das razões que me tinha levado a abandonar, a meio do meu mandato de seis anos, o lugar que ocupava no Conselho Geral da RTP (embora eu continuasse a ver alguns outros programas). Como recente exceção, admito que tenho assistido (com agrado, mas moderação quantitativa), na CNN Portugal, a alguma informação sobre a guerra na Ucrânia: informação, raramente comentários. Mas, às vezes, confesso, faço uma leve cedência e ouço aquilo que eu próprio lá vou dizer, como comentador contratado que sou…

Disse o que disse, nesse jantar, sob palavra de honra, com a minha mulher como fiel garante da veracidade. “Mas, então, como é que faz para se manter atualizado?”, perguntou uma amiga, presente nesse jantar. É muito simples: excetuada essa tal coisa da pandemia (tema do qual persisto em me manter persistentemente alheado), noto que há muitos bons canais de televisão em outras línguas e que a internet me dá, nos dias de hoje, sobre tudo quanto me importa, toda a informação de que necessito. E vivo lindamente assim!

Este tipo é um pouco estranho, devem estar alguns a pensar…

sábado, março 19, 2022

O Joel e o Carlos


Conhecer-se-iam, o Joel e o Carlos? Apostaria que sim.

Ambos morreram ontem, marcados por graves doenças que os tinham incapacitado, desde há anos.

Eram dois estilos muito diferentes de pessoa, embora unidos pelo constante sorriso, pela ironia inteligente, pela sabedoria, pela cultura, pelo culto da conversa. E por um imenso espírito solidário.

O Joel Hasse Ferreira era pausado e calmo. Transportava serenidade. 

O Carlos Pinto dos Santos era agitado e nervoso. Era o movimento em pessoa.

O Joel olhava as coisas da política com moderação.

O Carlos teve sempre a Revolução dentro de si. 

Em comum, tinham também a circunstância, que me era importante, de serem ambos meus amigos. 

Que dias, estes!


sexta-feira, março 18, 2022

Tropa


Já não nos juntávamos há mais de dois anos. É a minha tertúlia de “implicados no 25 de Abril”. Estava lá gente do Exército, da Marinha e da Força Aérea, entre os quais um general, um almirante e até um tenente na reserva fardado com uma camisola da cor dos cravos. Foram mais de duas horas magníficas, de histórias e de opiniões. Curiosamente, à saída, dei-me conta de que a política portuguesa e a guerra na Ucrânia não foram temas que viessem à conversa.

Revisas

A Rússia tem vindo a ser acusada de “revisionismo” da ordem política internacional, isto é, de tentar rever os equilíbrios a que, num certo momento, nem que fosse pela força das coisas, dera sinais de se ter acomodado. (Mas, por favor!, peço que não abramos uma discussão sobre isto, porque esse não é o objeto deste texto.)

Há dias, ao ouvir numa televisão um consagrado especialista em questões internacionais utilizar o termo, claramente nesse sentido, contra a política atual de Moscovo, tive um “déjà vu”. 

É que eu já tinha ouvido aquela mesma pessoa a utilizar esse exato termo, mas com outro bem diferente sentido, embora também com um caráter pejorativo, face ao governo de Moscovo. 

Mas isso tinha sido há 50 anos! 

Essa pessoa era, então, maoísta. Acusava, por esse tempo, o Partido Comunista da União Soviética, de que o “nosso” PCP era então um discípulo fiel, de se afastar da leitura ortodoxa do marxismo, deslizando para a “social-democracia” de figuras como Kautsky e Bernstein, então diabolizada por aqueles que Cunhal considerava estarem afetados pela “doença infantil do comunismo”. Para esses radicais maoístas dos anos 70, a URSS e o PCP eram então “revisionistas”. Na linguagem de café dessa época, o pessoal do PCP não passava de “um bando de revisas”! “Revisa” era uma abreviatura depreciativa em voga…

Uma coisa é certa: Moscovo, por uma medida ou por outra, está condenada a ser “um bando de revisas”!

quinta-feira, março 17, 2022

Vai e vem

Ao anúncio, ontem, no FT, de cedências ucranianas face aos russos, sucede, hoje, uma notícia noutro sentido, no Guardian, moderando as expetativas. De facto, o tom do presidente Zelensky no Congresso dos EUA e o novo pacote de ajuda militar de Biden não rimam com aquele anúncio.

Kremlinologia

Chegam sinais da Rússia de que as divergências em setores do regime que se opõem à guerra na Ucrânia estão a testar os nervos do presidente Putin. A “kremlinologia” dos nossos dias é fraca, pelo que se não sabe se isso pode vir a abalar o poder vigente. “À suivre!”

Da série: “Preparemo-nos! Ide!”

Repetindo o que alguém disse algures, os países ocidentais, que estimularam até ao limite o desejo das autoridades ucranianas de integrarem as instituições europeias e de segurança transatlântica, já deixaram muito claro que defenderão a Ucrânia até ao último soldado… ucraniano!

Bond, volta Bond!


Agora que isto está a ferro e fogo com a Rússia é que decidiram acabar com o James Bond! Esta malta não as pensa!

A dignidade da República

O incidente na sala de um partido na Assembleia da República não é um "fait-divers". Sem a menor ironia, acho aquilo gravíssimo.  ...