sexta-feira, março 19, 2021

A raça na corte


Quando, em 1910, a República foi implantada em Portugal, apenas o caso óbvio da França e o modelo particular da Suíça destoavam, num mar de regimes monárquicos que submergiam a geografia política do continente.

Com o passar das décadas, os conflitos, as secessões e a emergência de radicalismos de sinal diverso marcaram o destino de muitas dessas Monarquias.

Parte delas viria a falhar no teste da sua compatibilidade com a onda de prevalência da soberania popular que foi varrendo o continente.

As Monarquias que se mantiveram enquanto tal, na sua maioria tituladas por descendentes de figuras que se tinham prestigiado como símbolos de unidade em tempos nacionais de extrema dificuldade, como foi o caso da Segunda Guerra mundial, aceitaram o compromisso de anular a sua capacidade de influenciar a gestão política dos respetivos países.

Aos reis é hoje pedido que sorriam e representem com dignidade o Estado de que são um símbolo. Quando a conjuntura os obriga a intervir pontualmente na coisa política, exige-se-lhes um imenso bom senso.

Ora o bom senso não nasce necessariamente com as pessoas - e os reis são pessoas. Viu-se isso, há pouco tempo, em Espanha, onde o antigo monarca desbaratou, por insensatez de comportamento, o capital de prestígio que tinha acumulado numa transição política tida por exemplar.

Com uma parte significativa das opiniões públicas - mais nuns países do que em outros - a colocar progressivamente em causa o princípio dinástico da chefia do Estado, os monarcas e as suas famílias vivem sob uma atenta observação. Alguns parece estarem mesmo sob uma implícita aferição pública da sua “utilidade”, numa relação custo-benefício, a qual, porque decorrente da progressiva dessacralização das suas funções, se torna, dia a dia, mais exigente.

Passado que foi, já há muito, o tempo da sua intocabilidade pela comunicação social, os soberanos e suas famílias têm de aguentar esse forte escrutínio, porque parte das sociedades democráticas não olha com bons olhos os privilégios e as mordomias, obrigando-os assim, cada vez mais, a seguirem uma vida que se assemelhe à do comum dos cidadãos.

Os gastos com as famílias reais ou similares são hoje objeto de um forte debate, sendo a sua expressão social seguida com um interesse que vai da medíocre coscuvilhice tablóide à compreensível exigência ética.

As cortes, no seu esforço de sobrevivência institucional, têm assim de ter inteligência para se adaptarem às mudanças da sociedade, às tendências da contemporaneidade. Com um grau de aceleração sem precedentes, isso envolve hoje linguagens, padrões comportamentais e a observância de uma multiplicidade de outros sinais.

O que se terá passado recentemente na corte britânica, com acusações de cedência a estereótipos racistas e discriminatórios, toca uma preocupação que atravessa o mundo, a que as novas gerações são particularmente sensíveis.

Da mais “profissional” das Monarquias europeias não era expectável um erro tão grosseiro. Mas, como diz o povo, no melhor pano cai a nódoa.

quinta-feira, março 18, 2021

Qualificação


É difícil exceder em imaginação qualificativa aquilo que esta cronista da “Folha de São Paulo” ontem escreveu sobre o presidente Bolsonaro.

Vou confessar o que nunca tinha lido: Basculho, jacodes, enxurro, infando, estrupício, broxável, capiroto, pequi roído. Mas o mais delicioso vocábulo é, sem a menor dúvida, o criativo “excrementíssimo”.

“A Arte da Guerra”


Em conversa com António Freitas de Sousa, no “Arte da Guerra”, do “Jornal Económico”, abordamos hoje em video as próximas eleições legislativas em Israel, as pressões chinesas sobre Hong-Kong e a profunda crise político-social em que está mergulhado o Líbano.

Pode ver aqui.

quarta-feira, março 17, 2021

Poluição visual

É um cruzamento, relativamente estreito, entre a rua das Praças e a rua S. João da Mata, na Lapa, em Lisboa.



Podia ser um recanto interessante de uma Lisboa de um certo tempo, com casas de época, que a vista poderia desfrutar.




Nos dias de hoje, neste pequeníssimo espaço, há esta floresta de placas rodoviárias. Contem-nas! São 14 ou 15! 




Não pode ser diferente? É mentira. Em outros países, bem mais desenvolvidos, cívicos e organizados, há bairros onde não há este inferno de latoaria, onde à entrada do bairro é dada uma indicação geral. E é tudo!






Por cá, deve haver uns especialistas que entretêm a vida com isto. E nós que aguentemos! (Faltam várias das placas nas fotos, mas não tive coragem de fotografar mais. Já havia vizinhos a espreitar pelas janelas...)

terça-feira, março 16, 2021

Óscares


Pedro Gomes Sanches explica, no Expresso, os critérios para atribuição os Óscares, a partir de 2024. Leiam:

Para ser elegível a Oscar a partir de 2024, o filme tem de cumprir dois de quatro standards. O primeiro standard é assegurar que uma das três condições seguintes é verificada. Primeira condição: o actor ou actriz principal ou um dos principais actores secundários tem de ser asiático, hispânico ou latino, negro ou afro-americano, indígena, americano nativo ou nativo do Alaska, do médio-oriente ou do norte de África, nativo do Hawai ou de uma ilha do Pacífico ou de outra raça ou etnia subrepresentada. Segunda condição: pelo menos 30% dos actores secundários têm de ser de pelo menos dois dos grupos subrepresentados; a saber: mulheres, grupos étnicos ou raciais, LGBTQ+, ou pessoas com deficiências físicas ou cognitivas ou surdos. Terceira condição: a história principal deve ser sobre um dos grupos subrepresentados (os mesmos referidos na condição anterior). O segundo standard deve cumprir uma de duas condições. A primeira é que dois dos directores de departamento (de casting, cinematografia, composição, adereços, cabeleireiro, etc.) sejam de um dos grupos subrepresentados. A segunda é que pelo menos um respeite a primeira condição do standard.

A imagem é do cartaz dos Óscares 2021.

Zero três


“E tens um carro para ti”. Esta frase, que me chegou a Oslo, em cuja embaixada de Portugal eu trabalhava, numa carta, pela mala diplomática, algures no início de 1982, alegrou-me um pouco o espírito. Era escrita por um colega da embaixada em Luanda, para onde eu acabara de ser transferido. Explicava que se tratava de um Volkswagen deixado pela “tropa” portuguesa, que eu ia ter direito de utilizar, quando chegasse ao novo posto. 

Por esses dias, eu não andava muito animado, “to say the least”, pela minha colocação em Luanda.

Três anos antes, sem ser candidato a nada e nem sequer ter sido consultado previamente, como era de regra, o ministério tinha-me enviado para Oslo, para o meu primeiro posto diplomático no estrangeiro. Ao que parecia, tinha sido essa a solução que, no Conselho do Ministério (hoje, Conselho Diplomático), órgão que determina as colocações e promoções, o meu diretor-geral, Alexandre Lencastre da Veiga, havia conseguido descortinar para evitar que eu fosse colocado em Bagdad, para onde o secretário-geral de então, Caldeira Coelho, me queria enviar. No seu entendimento, o meu perfil funcional merecia outro destino. Mas o chefe da carreira, que me “tinha no radar”, ao que deduzi por razões políticas, para utilizar uma expressão um dia ouvida a quem dele esteve próximo, teria mesmo ironizado, em conversa com o diretor-geral, com a proposta que tinha acabado de fazer para eu ir para a cidade de Saddam Hussein: “Ele parece gostar desse tipo de regimes!”

Três anos depois, era Luanda que me surgia no horizonte. Um outro diretor-geral, com o pelouro do pessoal a seu cargo, tinha-me telefonado para Oslo, inquirindo sobre se eu tinha “alguma objeção em ser colocado em Luanda”. Segundo me disse, o meu nome era um dentre quatro que o Conselho estava a considerar.

Quando ele me referiu os restantes três nomes, percebi logo que seria eu o designado: um deles tinha feito o serviço militar por lá, outro tinha crianças pequenas, outro alegava, há anos, uma doença do foro psicológico, o que já lhe tinha permitido escapar a outros postos difíceis. Com o destino marcado, pedi que fosse dito, da minha parte, ao Conselho: “Informo que não tenho interesse em ir para Luanda mas, se me mandarem, vou”. Não sei se ele o disse. E, é claro, fui. Pela pressa com que me enviaram, quase sem me deixarem completar três anos no posto nórdico, quase posso dizer que fui “para Angola, rapidamente e em força”.

A capital angolana era, então, um posto de categoria D, a mais baixa, isto é, aquilo a que os ango-saxónicos chamam um “hardship post”. Em plena guerra civil, com recolher obrigatório, quase sem lojas, com uma extrema dificuldade para se adquirirem bens alimentares, Luanda era então uma cidade muito difícil para se viver. Oslo já tinha sido um posto de categoria C, o que significava que eu começava a minha carreira a andar “pelo fundo da tabela”. Mas o que tem de ser tem muita força.
  
Se tivesse dinheiro ou alternativa, teria saído então da profissão, que parecia estar a tornar-se madrasta para mim, prenunciando um percurso futuro nada promissor. Mas, como vivia apenas do meu trabalho, a necessitar do salário ao fim do mês, com a minha mulher a prescindir da carreira dela para poder acompanhar-me, tive de aceitar. 

Ia para Luanda, aliás, arruinado financeiramente, porque a Noruega tinha sido caríssima e, mesmo com uma vida relativamente modesta, não conseguira aí poupar um tostão, ou melhor, uma coroa. Saí mesmo como uma dívida a um banco norueguês, com o meu embaixador por fiador, que paguei já só em Angola. São estes, para que constem, os salários “dourados” da diplomacia, de que às vezes a inveja fala através da imprensa.

Eu ia levar um VW Golf para Luanda, mas demoraria meses a chegar, por barco, com a minha bagagem. Ter ali um carro, desde o primeiro dia, particularmente indo morar na Avenida Marginal e tendo de ir trabalhar na parte alta da cidade, era essencial.

Mal eu sabia, contudo, que, quando chegasse a Luanda, o apartamento que me era destinado se tinha “eclipsado”, tomado pelas autoridades locais, com estranhas cumplicidades lusitanas à mistura. Iria ser então obrigado a viver, por quatro meses, num hotel próximo do limite do aceitável, para depois ter de ir ocupar, no edifício da embaixada, um minúsculo apartamento, com torneiras na parede... mas sem canos por detrás. 

Mas lá me foi apresentado o carro que me era destinado. Era um carocha preto, com um motor terrível, bancos que tinham sido de napa em tempos áureos, com um buraco do chão, por onde entravam as baratas. Sem chave nas portas, claro. As latas do carro abanavam por todo o lado, conferindo ao diplomata condutor um estatuto de duvidoso prestígio.

Era o “Zero Três”. Porquê esse nome? Porque a matrícula era MX-42-03. E eu era o nº 3 da embaixada. O carro do ministro-conselheiro, o segundo da hierarquia, era um Mercedes a cair da tripeça, com a matrícula a acabar (claro!) em 02, e o do meu colega que se seguia na linha da casa, era outro Carocha, o 04. Tudo óbvio.

Antes da chegada do meu Golf, meses depois de mim, e também ainda antes da ida da minha mulher para Luanda, o 03 iria dar-me imenso jeito, para me transportar pelas ruas de cidade e para ir para a praia, “off-season”. É que eu teimava sempre, para horror dos meus amigos angolanos, em frequentar as praias da ilha de Luanda no tempo do “cacimbo”, gozando, nos fins de semana, de uma magnífica solidão para ler e ouvir música. Para quem vinha da Noruega, o “cacimbo” ali era puro verão...

Por que é que me lembrei disto agora? Porque, há pouco, num número da revista brasileira “Piauí”, que acabo de receber como assinante que sou, relembrei que Jair Bolsonaro designa os filhos, por ordem decrescente de idades, como 02, 03 e 04.

Ao ver esta referência, senti alguma nostalgia daqueles tempos complicados de Luanda. Terra onde, afinal, acabei por ser feliz, porque a felicidade, tal como o Natal para os homens, é onde nós quisermos - e, vá lá!, onde pudermos e soubermos ser.

segunda-feira, março 15, 2021

José Paulo Fafe


Por anos, só o conhecia “de ouvido”: dizia-se, unanimente, ser um “enfant terrible”! Era uma imagem irrequieta, polémica, que me ia chegando por várias vias, sempre a contrastar, nesse registo, com a figura serena e calma do pai, um grande senhor e um imenso democrata, que deixou muito boa fama pelos claustros das Necessidades e que ainda tive o privilégio de cruzar pelo mundo. O António Silva e o Nuno Brederode, dois amigos comuns que o tempo já nos levou, iam-me, entretanto, dando dele uma imagem divertida e risonha. Eu, que o via frequentemente misturado com figuras políticas que estavam longe de ser “my cup of tea”, ia guardando o meu juízo final. Lia-lhe a escrita, trazia “no sapato” uma partida que ele me tinha feito num espécie de “Gente” com que o “Tal & Qual” de outros tempos se divertia, olhava-o sempre à distância - intermediado pelos jornais ou revistas ou pelas redes sociais. Um dia, uma aventura improvável que a pandemia deixou a meio, levou-nos, por iniciativa dele, a algumas almoçaradas e reuniões, com outros comparsas. Foi o bom e o bonito! Só a muito custo conseguíamos, por entre mil historietas e notas contemporâneas, tratar do tema que ali nos convocava. E, nesse caminho de conversa, de gargalhadas e ironias, fomo-nos dando - uma expressão de que gosto muito. Cada vez mais, num percurso de entendimento que chegou à amizade. Desses tempos saiu o convite que me fez para escrevinhar uma introdução a um dos anos de uma recolha da sua escrita no Facebook. 2015, ano do “finis Cavaco”, da Geringonça e do início da nova era socialista-marcelista, coube-me em rifa. O texto lá está, quase a abrir o “Um Homem é um Homem, um Gato é um Bicho” (2015/2020), o livro de José Paulo Fafe que a Âncora agora “deu à estampa” (gosto desta fórmula clássica). Aconselho que o leiam, com proveito, abrindo ao acaso as suas páginas, porque a graça de um produto desta natureza é ser feito de textos, umas vezes curtos outras mais longos, onde se fala de tudo e, principalmente, de mais alguma coisa.

domingo, março 14, 2021

"Lá na rua da Vitória...


"Candeeiros bem bonitos
modernos, originais,
compre-os na Rádio Vitória,
não se preocupe mais.

Lá na Rua da Vitória
quarenta e seis quarenta e oito
satisfaz-se plenamente
o cliente mais afoito.

Porque na Rádio Vitória
Embaixada do bom gosto
Quem lá vai é bem servido
e sai sempre bem disposto"


Eu decorei isto por causa da "embaixada", aposto.

O meu amigo Vidal


"Para o meu amigo, se não há mesa, inventa-se!", dizia-me, em anos idos há muito, o meu amigo Vidal, que nos apresentava pratos de inspiração galega no Muni.

Confirmado hoje ...


 ... que não fazem “take-away”!



“Observare”


Observare: investimento estrangeiro em Sines, EUA reúne com aliados asiáticos, acordo UE-Mercosul e oposição bielorrussa.

Pode ver aqui

Rapidamente e em força

Se acaso eu fosse democrata e adulto nos anos 40 e 50 do século passado, teria sido um orgulhoso colonialista.

Como o haviam sido, desde o século XIX, os republicanos, os combatentes contra a ditadura, os anti-fascistas. Ser colonialista, ser adepto da manutenção do império colonial era um desígnio nacional, patriótico. Os republicanos puseram o país a ferro e indignação porque a “pérfida Albion” nos não deixou executar o sonho do “mapa cor-de-rosa”.

Portugal teimou, depois, em ir para a Grande Guerra para defender as suas possessões ultramarinas, as suas colónias. Cunha Leal, expoente da luta contra Salazar, era um ferrenho colonialista. Norton de Matos, antigo governador-geral de Angola, pedia meças ao ditador de Santa Comba no interesse em manter a nossa África nossa.

Nos anos 50, até o movimento descolonizador ter começado a abalar as anteriores certezas da esquerda portuguesa, as colónias eram “nossas”. Repito o que disse, com total convicção: se acaso fosse democrata e adulto nos anos 40 e 50 do século passado, teria sido um orgulhoso colonialista.

A legitimidade da “posse” colonial só começou a ser posta em causa, em Portugal, pelo PCP. Honra lhe seja! Fê-lo, naturalmente, porque a opinião de quem o guiava (leia-se, Moscovo) tinha entretanto mudado. 

Já havia tido lugar, entretanto, a Conferência de Bandung. A China de Mao, ainda antes do cisma sino-soviético, já tinha cheirado “l’air du temps” e pressentido que o “terceiro-mundo”, a Tricontinental, o suposto “não-alinhamento”, eram a nova fronteira de um Norte-Sul inevitável.

Por cá, bem cedo, os maoístas afirmaram o anti-colonialismo com força e coerência. Honra a Francisco Martins Rodrigues, de quem (quase) todos eles são filhos, por muito bastardos que sejam ou mereçam ser. À parte o PCP e os maoístas, só os católicos “progressistas” os seguiram. Honra também lhes seja.

Os socialistas, presos ainda a um pensamento fora do tempo - que, deles afastados, a Ação Democrato-Social se encarregou de preservar, como num museu, até que se dissolveu no PPD -, demoraram bastante, até perceber que o vento tinha mudado e o império não tinha sentido.

Resumindo: tive a sorte temporal de já poder ser adolescente e adulto a tempo de ter uma atitude anti-colonial. Nunca defendi o “Angola é nossa”, embora saiba de cor a letra do hino, porque o debitava no Canto Coral do liceu. (Como cantava, e ainda sei, o hino da Mocidade Portuguesa - e não tenho a menor vergonha disso, diga-se!) Cada um vive o seu tempo e eu vivi o meu e não o disfarço.

E digo isto, porquê? Porque, nunca tendo sido colonialista - melhor, tendo sempre sido anti-colonialista, porque a isso me ajudou o tempo em que vivi - acho sem o menor sentido, entendendo que não leva a nada e que pode mesmo ser muito negativo para o nosso futuro, a evocação obsessiva das barbáries ocorridas nas guerras coloniais que está a emergir por aí - como a que a “Sábado” desta semana e o “Público” de hoje se dedicam.

A cada tempo corresponde um tempo, uma determinada maturação da consciência, uma certa racionalidade. Pensarmos que a nossa, a do dia que corre, é moralmente superior àquela que outros tinham no passado é mostra de uma arrogância imbecil. Por isso, nunca entendi muito bem o objetivo da auto-flagelação histórica com que alguns se comprazem, como se escavar na memória, de forma divisiva, trouxesse algum bem ao nosso futuro coletivo. O passado foi quando foi. Julgá-lo, à luz dos valores de hoje, é dar ares de possuirmos, só nós, a verdade incontestável, que se lhe sobrepõe. 

Apetece-me dizer a essa gente: coragem era ser anti-colonialiasta quando havia colónias. Sê-lo hoje, retrospetivamente, é uma arrogância saloia.

sábado, março 13, 2021

O cronista

Chama-se Alberto Gonçalves e é um dos mais badalados cronistas do jornal digital “Observador”, pago por esse órgão de comunicação social para escrever coisas como estas:

”Desde há um ano, ou seja, desde que começou esta experiência social, que faço o que me apetece, excepto quando o que me apetece colide com a submissão alheia à repressão em curso. Por exemplo, não posso ir a restaurantes se estes estiverem fechados. Mas nunca me passou pela cabeça respeitar as limitações de circulação e os horários de recolhimento, os quais de resto desconheço. No último fim-de-semana, à semelhança de boa parte dos anteriores, cruzei uns 90 municípios, sem “autorizações” escritas ou desculpas preparadas para criaturas que não têm o direito de as exigir em circunstâncias assim. Se quero “circular”, circulo. Se quero estar com amigos, estou. Se quero ficar em casa, fico – porque é a minha vontade e não porque o prof. Marcelo, o dr. Costa, a orquídea da DGS, uma dúzia de “especialistas” em fancaria estatística e um estúdio de televisão repleto de idiotas o recomendam. Se me apanharem a desobedecer, multem-me. Se me apanharem a obedecer, internem-me. Respeitar ordens implica aceitar a legitimidade das mesmas e de quem as decreta. Há muito que não respeito essa gente, e há muito que as decisões dessa gente são ilegítimas.”

O texto, no antepenúltimo parágrafo, tem a lucidez de dar uma sugestão com algum sentido.

10 sítios de que sinto falta (10)

 


... e da varanda da minha casa, em Vila Real

10 sítios de que sinto falta (9)


Restaurante Cozinha do Manel, Porto

10 sítios de que sinto falta (8)


Restaurante do Rio, em Sol Tróia, na “saison”, e Tasquinha da Arlinda, durante o resto do ano, em Darque

10 sítios de que sinto falta (7)


Pousada de São Bartolomeu, Bragança

10 sítios de que sinto falta (6)


Restaurante São Gião, Moreira de Cónegos

10 sítios de que sinto falta (5)


Miradouro de Nossa Senhora do Folguedo de Cima, Mangalhona

10 sítios de que sinto falta (4)


Restaurante Vallecula, Valhelhas

Comemorações nacionais?

Serei eu quem está enganado ou seria natural que a posse da pessoa encarregada das comemorações nacionais da datas fundacionais do país foss...