O cúmulo da confiança é um amigo, tão sportinguista como eu, que ontem, depois do empate do Porto, comentava, em tom já sério: “Alguém tem de começar a mexer-se para se garantir autorização para podermos comemorar no Marquês. Se os comunistas fizeram a Festa do Avante...”
segunda-feira, fevereiro 08, 2021
domingo, fevereiro 07, 2021
António Barreto
António Barreto, um homem inteligente e culto, desenhou, ao longo dos últimos anos, uma laboriosa e sofisticada narrativa sobre o país. A necessidade de ter de a republicar todas as semanas, renovando-a semanticamente, tem-se revelado uma tarefa pesada e nem sempre com sucesso.
“Observare”
No programa desta semana, sob a coordenação de Filipe Caetano, Carlos Gaspar, Luis Tomé e eu analisamos a ratificação (e não a retificação, como, por lapso, surge no título do vídeo) pelos EUA da extensão, por cinco anos, de acordo nuclear com a Rússia, bem com a situação política após a ação dos militares no Myanmar.
No meu caso, referi a censura à internet na Índia e um apelo, num artigo de Merkel, Macron, Guterres e outros subscritores publicado na imprensa internacional, para um esforço multilateral assente na luta comum contra a pandemia.
Pode ver aqui.
Sergey Lavrov
Nas Nações Unidas, em Nova Iorque, existe uma sala imensa, conhecida por Indonesian Lounge. É um espaço aberto, com cadeirões e cadeiras, a toda a volta. Serve para encontros breves, entre políticos ou diplomatas: consultas, apresentação de uma candidatura, transmissão de uma mensagem. Passei por lá horas, em “rapidinhas” diplomáticas de toda a natureza. O mesmo aconteceu, com toda a certeza, com quem me antecedeu e sucedeu.
Quando cheguei a Nova Iorque, em março de 2001, vai agora fazer 20 anos, e como é costumeiro, fui cumprimentar colegas embaixadores (além da imensa “máquina” onusina). Em regra, para um país como Portugal, visitam-se os representantes da União Europeia, os de língua portuguesa, os dos países membros permanentes do Conselho de Segurança, um número importante de latino-americanos, asiáticos e africanos com relações fortes connosco e uma dúzia de “key players”. Mas eu decidi mudar um pouco o registo: fui visitar os representantes de todos os países. Todos? Todos. Os então 190! Posso estar enganado, mas acho que nunca ninguém fez isso! Nem imaginam a trabalheira que aquilo me deu! Mas, um dia, explicarei por que assim procedi.
Um dos primeiros embaixadores que quis visitar, logo que cheguei a Nova Iorque, foi o russo, Sergey Lavrov, desde há 17 anos ministro dos Negócios Estrangeiros do seu país.
Com os EUA, a Rússia é a “chave” das Nações Unidas. Claro que há a China e, naturalmente, o Reino Unido e a França - os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, os chamados P5, no fundo, o diretório que manda na “casa” e sem o acordo dos quais nada se faz.
Em particular à época, Moscovo e Washington determinavam fortemente o dia a dia da organização. Os EUA viviam então as primeiras semanas da administração George W. Bush e, após a saída do embaixador de Bill Clinton, Richard Hallbrook, tinham apenas um encarregado de negócios (substituto do embaixador). Ora Portugal, com a Rússia e os EUA, compunha então a “troika” de acompanhamento do “processo de paz” em Angola.
Lavrov foi muito simpático. Respondendo pessoalmente ao pedido de audiência que tinha sido feito por secretárias, telefonou-me a convidar para jantar em sua casa, na semana seguinte, com amigos. Mas também percebeu que não era bem isso que eu pretendia. “Estás livre, amanhã à tarde, ás 15 horas, para falarmos, no Indonesian Lounge, Francisco”. Claro que sim. Estranhei um pouco o “Francisco” e não terei retorquido “Claro, Sergey!”
E lá falamos, no dia a seguir, no tal espaço, os 20 minutos da praxe, comigo a deixar-lhe todas as mensagens políticas que queria. Sergey Lavrov foi extremamente simpático, como o seria durante todo o tempo em que coincidimos em Nova Iorque. Ele já tinha já tido um relacionamento exemplar com o meu antecessor, António Monteiro. Era um “vieux routier” e um excelente diplomata. Ficámos amigos.
A certa altura, com um sorriso aberto, foi pedagógico para o “newcomer” que eu era. E disse: “Posso dar-te um conselho, de quem já anda aqui há muito tempo?” (Lavrov chegou sete anos antes de mim e acabaria o seu posto dois anos depois de eu sair).
Apontou então para uma esquina que existe, na entrada do Indonesian Lounge, que é um espaço aberto, que não tem propriamente uma porta de entrada: “Cuidado com aquela esquina!”
Fiquei perplexo! Que diabo de especial tinha aquela esquina? Ele explicou: “Nos próximos tempos, vais regressar a esta sala centenas de vezes. Tens de contornar aquela esquina o dobro dessas vezes, na vinda e na ida. De repente, à entrada ou à saída, depararás com um colega nosso - somos quase 200! -, de um qualquer país, africano ou asiático. Vais ter apenas dois ou três segundos para te recordares se ele é o representante do Niger ou da Nigéria. Se lhe disseres “bonjour” e for o da Nigéria, ele nunca mais te perdoará. Se for o do Niger e lhe disseres “good morning”, esquece para sempre o apoio do país dele em qualquer eleição futura! Basta lembrares-te de como te sentirias se te confundissem com o embaixador de Espanha!” Como ele tinha razão! Além disso, Lavrov cuidava em saber os nomes de cada um de nós. Sempre sem falhas.
Ontem, ao vê-lo dar um “baile” de diplomacia agressiva, e até arrogante, ao Alto-Representante da União Europeia, Josep Borrell, “reencontrei” o excelente (e feroz) diplomata russo que é Sergey Lavrov.
sábado, fevereiro 06, 2021
Centrices
A ideia de que António Lobo Xavier seria capaz de utilizar o seu estatuto profissional no BPI para influenciar a política de crédito do banco (e este vergar-se ao “golpe”) em desfavor do único partido da sua vida é uma das maiores imbecilidades da temporada.
Livros
Em algumas incursões que (quando posso ou podia) faço por livrarias, penso sempre (mas esqueço logo) esta ideia: mas, afinal, lá por casa, não há ainda uma imensidão de livros para (por) ler? E reajo logo a tão desconfortável ideia.
CDS
A sobrevivência do CDS, com um património democrático que soube resistir ao revanchismo bombista mais reacionário, bem como a várias e contraditórias manobras de apropriação cesarista, com derivas pelo liberalismo paroquial, seria um bom sinal para o sistema político. Acreditem!
Ainda a vacina
Ter ou não ter vacina a tempo pode ser uma questão de vida ou de morte. Mas é precisamente nas questões essenciais, mesmo nas de vida ou de morte, que se mede o estofo ético das pessoas. Quem não espera pelo momento que lhe compete na vacinação é, além de um cobarde, um canalha.
O raio do vírus
No início, ouvíamos de falar de casos de desconhecidos. Depois, de nomes mais sonantes. Seguiram-se conhecidos, alguns amigos. Vieram, em seguida, os mortos próximos. “Está ventilado!”. Ou o alívio: ”Saiu dos cuidados intensivos!”. Se não morrermos da pandemia, morremos de susto.
Sem adjetivos
Pacheco Pereira explica no “Público”, com meridiana clareza, que a democracia não se “adjetiva”. Vulgarizou-se o uso laudatório da “democracia liberal”, zurzindo, em contraponto, o conceito de “democracia iliberal”. Ou há democracia ou não há democracia!
Contrição
Quando o Sporting foi buscar ao Braga, por um preço brutal, o treinador Rúben Amorim, pareceu-me um exagero.
Agora, vendo o trabalho feito (nada está ganho, claro!) e, em particular, a sua atitude serena (nunca lhe ouvi a voz, porque não vejo nem um segundo de “futebol falado”), dou a mão à palmatória.
O “ministro”
É uma vergonha para a União Europeia colocar-se na posição do seu “ministro dos Negócios Estrangeiros” ter de ouvir isto. E calar-se.
Não se vai a Moscovo mandar ”bitaites” (embora cheios de razão) sobre política interna russa sem ter capacidade de reagir com ações concretas.
Fados e pandemias
Ver na televisão programas filmados em casas de fados, com pessoas encostadas umas às outras, faz pensar: vai ser possível repetir aquilo no futuro, ali como nas caves de jazz e em outros locais com muita gente e pouco espaço? Vai haver alguma vacina contra o medo?
Biden
Vale a pena refletir na razão pela qual Joe Biden, no seu muito pensado primeiro discurso sobre política externa, não teve uma única palavra para a União Europeia - embora falasse do Reino Unido, da França e da Alemanha. E, ao dizer isto, não estou a criticar a União Europeia.
Nós e os outros
Não é agradável, para Portugal, surgir aos olhos dos outros em estado de necessidade, nesta pandemia. Mas é muito agradável assistir a mostras concretas de solidariedade, sem politiquices. Devemos tomar muito boa nota disso.
sexta-feira, fevereiro 05, 2021
Expliquem lá!
Este blogue tem uma média diária regular de leitores que segue, quase sempre, acima dos 1500. Até aqui, tudo bem: é um número muito lisonjeiro. Mas agora expliquem-me lá, se souberem, por que diabo, de ontem para hoje, passou largamente os cinco mil leitores! É que eu não escrevi nada que pudesse dar origem a este “alvoroço”! Ele há cada mistério!
CDS
Com a quantidade de pessoas que, nos últimos dias, se têm demitido da direção do CDS, aquilo devia ser uma montanha de gente! (Que me perdoem a graça os amigos que tenho naquela estimável agremiação).
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Hortaliças de Estado
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