domingo, novembro 01, 2020

Cheia

 


A lua cheia a fazer pouco do crescente na noite das bruxas.

Pandemia


António Costa esteve muito bem, na sua intervenção sobre a pandemia. Mostrou ter consciência da realidade e dos meios disponíveis para lhe procurar fazer face. Sem triunfalismos, com serenidade e determinação. Ele sabe que este é o maior teste da sua vida política.

Observare


Numa parceria com a Universidade Autónoma de Lisboa, a TVI passa a apresentar, semanalmente, aos sábados à noite (com repetição posterior), o programa “Observare”, sob a coordenação de Pedro Pinto, no qual Carlos Gaspar, Luís Tomé e eu analisaremos a situação internacional.

O primeiro programa pode ser visto clicando aqui.

Lembrem-se!

Há algo que ninguém parece querer notar. O Serviço Nacional de Saúde português é um extraordinário milagre, atendendo à qualidade do serviço que presta. Sendo Portugal o país mais pobre da Europa ocidental, seria natural que o seu serviço público de saúde acabasse por ser o pior dentre esses países. Ora, com todos os seus problemas, é, sem a menor dúvida, dos melhores.

sábado, outubro 31, 2020

Observare

 


Hoje, às 23:00 na TVI 24, “Observare”, o novo programa semanal sobre relações internacionais. Apresentado aqui.

É isto que eu penso

Muito - mas muito! - do que se está a passar, entre nós, com a pandemia deve-se, simplesmente, à falta de educação cívica, de prudência básica, de respeito pelos outros e de bom-senso. 

Deixemo-nos de histórias e de tentar “passar a bola” para os outros.

O meu Prémio Camões 2020

 


Sem covid


No auge do debate sobre o Brexit, que foi uma questão que se tornou obsessiva no quotidiano do Reino Unido, a Sky News decidiu criar noticiários onde esse tema nunca era referido. 

Acho que a saúde mental do nosso país ganharia muito se algum dos nossos canais de televisão emitisse notícias “covid-free”, isto é, sem nunca falarem do tema. 

Mas receio que ninguém tenha coragem para fazer isso.

Eleições presidenciais americanas


Veja aqui o Expresso da Meia Noite de ontem, em que participei num debate sobre as eleições presidenciais americanas.

Diga lá, Moneypenny!


Mas há a menor dúvida de que Sean Connery foi, a grande distância, o melhor James Bond de sempre? 

Diga lá, Moneypenny, se não está de acordo comigo!

O génio e o caráter

A História regista vários casos de personalidades que, tendo revelado um mérito excecional nas áreas em que operam, com isso concitando a admiração e respeito da sociedade, praticaram, noutras dimensões da sua vida, atos graves de natureza cívica. A questão que se coloca é saber se a comunidade, ao querer reconhecer publicamente os méritos de uma atividade que todos aplaudem, o pode fazer sem levar em conta os restantes aspetos.

Esta questão veio à baila a propósito da atribuição do prémio Camões ao professor Vitor Aguiar e Silva, cuja empenhada partilha dos valores da ditadura fascista, com reconhecida militância política contra a liberdade de quem lutava pela democracia, suscita legítimas dúvidas sobre a oportunidade de um reconhecimento académico que iluda esses outros aspetos da sua vida.

Provavelmente não há uma resposta de sim ou não a esta questão, dividindo-se as opiniões, mas colocá-la, muito abertamente, é a expressão da dúvida que a muitos assalta. Como é o meu caso.

quinta-feira, outubro 29, 2020

França


Hoje, é dia de sermos todos franceses, por muito que a adaptação da expressão histórica já esteja banalizada. Pertencemos à família de quantos se recusam a ver a vida, o nosso modo de vida, ceder à barbárie ou sequer à cobardia de não lutar pelos nossos ideais, para apaziguar os energúmenos do extremismo. Estar hoje com a França - sem nenhum “mas”, note-se! - é estar do único lado da História por que vale a pena lutar. Só isso! Viva a liberdade!

Uma Visão exata


Leiam o editorial da diretora da revista Visão, Mafalda Anjos, na edição hoje publicada, para se ter uma perspetiva completa, informada e coerente, sobre o mundo do negacionismo e da desinformação, que cavalga os receios em torno da pandemia.

Ali surgem retratados, com rigor e precisão, todas as categorias desses vários inconscientes, desde os maluquinhos das teorias da conspiração e das forças ocultas aos neolibertários, aos que recusam a máscara e um mínimo de regras de civismo. Estão lá todos retratados.

OBSERVARE


Este sábado, às 21.45, na TVI 24

Jorge Galamba


Acabo de saber que morreu o Jorge Galamba, para nós o Jójó. Há muito que a vida o tinha retirado do nosso convívio. Recordo bem as suas entradas triunfais no Procópio de outros tempos, a alegria e graça constantes, com a voz e gargalhadas fortes a atravessarem a sala. Ah! E os seus inevitáveis derriços, se acaso descortinava por ali uma beldade inesperada e despernada. Porque o Jójó, nesse domínio, não perdia tempo e era um galanteador emérito.

O Jójó estava connosco em Nova Iorque, a passar uns dias, quando as torres gémeas cairam, no dia 11 de setembro de 2001. E por ali ficaria, por quase uma semana, enquanto a cidade não teve aviões. 

Nessa noite, com tudo em polvorosa e as ambulâncias a sirenarem pelas avenidas, ainda mais do que o habitual, o ar a cheirar a algo indefinível, dos fumos que o vento nos trazia da tragédia acabada de acontecer no fundo de Manhattan, um odor que pairaria por dias, acabei por ter a bizarra ideia de irmos cear fora. 

Estava muito cansado, pelo dia extremamente pesado que tivera, e achei que sairmos era uma boa solução para espairecer um pouco. A pé, nessa noite aturdida e de ruas quase fantasmas, fomos andando até ao Elaine’s, na Segunda Avenida com a rua 88. Sem surpresas, estava às moscas. 

“Não é por aqui que costuma aparecer o Woody Allen?”, perguntou o Jojó, que conhecia de ouvido a fama boémia da casa, retratada em tantos filmes. De facto, constava que Allen pousava pelo Elaine’s, mas eu, confesso, nunca o encontrei, nem às tantas outras vedetas que se dizia serem clientes, nas várias vezes que por lá passei. 

A própria Elaine Kaufman, dona da casa, que não nos conhecia, veio nessa noite à nossa mesa, uma das poucas ocupadas, comungar daquele sentimento muito estranho que atravessava os nova-iorquinos e quem por lá andava, nessa data fatídica para mais de três mil ocupantes do World Trade Center. 

Era uma mulher pesada, com um sorriso divertido. Trocámos umas banalidades sobre a trágica circunstância que se vivia por essas horas. Logo que ela se afastou da nossa mesa, o Jójó lançou-me, em tom baixo: ”Deve ter sido um bom pedaço, no seu tempo!”. O tempo áureo da Elaine já tinha passado, visivelmente, mas o Jojó ainda foi a tempo de lhe celebrar a glória física perdida. Só ele, com aquele comentário, foi capaz de me alegrar a noite, naquele dia bem triste. Era assim, o meu amigo Jójó.

Em Lisboa, nos jantares natalícios da Mesa Dois do Procópio, que durante uma década organizei em diversos locais da cidade, o Jójó, além de me ajudar a “juntar o rebanho”, como ele dizia, tinha a decisiva tarefa de “tratar das massas”, de “recolher o bago”, como mandava o João da Ega ao Palma Cavalão. Era o nosso “ministro das Finanças”, no final dos repastos, nunca os deixando cair em défices. Quiçá era ungido dessas funções por virtude da sua longa experiência empresarial, como homem de confiança de Francisco Pinto Balsemão, nos tempos heróicos do “Expresso”. 

Com a passagem dos anos, fui vendo o Jojó cada vez mais triste. Dele guardo alguns emails ainda divertidos, ao tempo em que trabalhava no Tribunal Constitucional, o derradeiro paradeiro profissional que lhe conheci.

Esta fotografia, que lhe tirei no jantar da Dois, no Vírgula, há mais de uma década, era já a de um “outro” Jójó. 

Um abraço de pesar ao João Galamba e à restante família.

quarta-feira, outubro 28, 2020

Quem ganhou?


Os últimos dias têm trazido o Bloco de Esquerda para a ribalta política. Ao mostrar a sua oposição a um orçamento de crise, contrastando com o sentido de compromisso demonstrado pelo PCP, o Bloco quis sinalizar que, à esquerda, havia quem defendesse um outro pacote de medidas, com forte impacto social, que o executivo havia decidido não acolher.

Com o estrondo mediático da sua atitude, os bloquistas acabaram por transformar o debate orçamental num espetáculo de esquerda vs esquerda, com a direita nas bancadas.

Quem ganhou com esta quase crise?

O PCP não foi, com certeza. Os comunistas nunca se recompuseram da incomodidade de 2011, quando, ao votarem ao lado da direita, ajudaram a abrir caminho a quatro anos que saíram caro aos seus eleitores. Se há coisa que não falta àquele partido é memória e a inédita disponibilidade de Jerónimo de Sousa, em 2015, para a dar a mão ao regresso do PS ao poder, foi disso cabal mostra. Agora, ao ver-se ultrapassado pela esquerda, em matéria de exigência perante o governo socialista, o PCP ganha em sentido de responsabilidade aquilo que perde em imagem reivindicativa. A ver vamos como António Costa os recompensará.

Para o PS, uma Geringonça informal era o cenário ideal, com o PSD a dar a mão em questões “de Estado”. Assim, esta turbulência em torno do Orçamento apenas contribui para adensar a ideia de que o governo terá entrado numa onda de “trapalhadas”. O resultado dos Açores, episódios como o da App, bem como a gestão atribulada da questão presidencial, cria em muita gente a perceção de que o PS está a iniciar o fim deste seu ciclo político. Sendo ou não verdade – e não julgo que o seja, longe disso – essa é uma imagem que pode espalhar-se com facilidade, no contexto de incerteza e de navegação à vista a que a pandemia obriga o governo.

E o Bloco? Como sai disto? Vale a pena refletir num ponto: o Bloco ou tem uma ligação operativa aos socialistas, que lhe permita influenciar, pela positiva, a conduta das políticas públicas, ou arrisca continuar a ser um despiciendo partido de “bate-pé”. O Bloco, fora do parlamento, não é quase nada - salvo na comunicação social complacente que lhe magnifica desmesuradamente a voz política. O Bloco não tem autarquias, não tem implantação sindical significativa, vive dos “sound bites” mediáticos e de agendas sociais excessivas, simpáticas (SNS) ou demagógicas (Novo Banco).

Ninguém, à esquerda, ganhou com esta tensão política. Mas a direita, no estado em que está, nem sequer isso aproveita.

segunda-feira, outubro 26, 2020

Caetano e os portugueses no Brasil


Faz hoje quarenta anos que morreu, no Rio de Janeiro, Marcelo Caetano. Por vontade expressa em vida, os restos mortais do chefe do governo derrubado em 25 de abril de 1974 permanecem no Brasil.

Há pouco mais de quinze anos, assumi funções como embaixador português no Brasil. Algumas semanas passadas sobre o início das minhas funções, fui recebido numa sessão solene, como sempre acontece a todos os embaixadores portugueses, no Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro. Fez as honras da casa o Dr. António Gomes da Costa, à época presidente daquela instituição.

O Real Gabinete é, muito provavelmente, a mais emblemática instituição da comunidade portuguesa e luso-brasileira. Outras importantes e prestigiadas estruturas com esta raiz existem no Brasil, mas o simbolismo do Real Gabinete é reconhecidamente único.

O Dr. António Gomes da Costa era um homem que eu sabia bastante conservador. Ele, aliás, não o escondia, nomeadamente nos artigos que regularmente publicava em “A Voz de Trás-os-Montes”, o jornal da minha terra. 

Posso imaginar que alguma desconfiança sobre o novo embaixador pudesse pairar no seu espírito. De facto, eu afirmava com orgulho ter estado “implicado” no 25 de Abril, sabendo nós que em importantes setores da comunidade lusíada no Brasil essa continua a não ser uma data demasiado reverenciada, e estou a ser irónico. 

Nas palavras que deixei nessa cerimónia, traduzindo exatamente o que pensava e sentia, afirmei, deliberadamente, estar ali como representante oficial do Estado - e não do governo de turno em Portugal -, logo, ao serviço de todos os portugueses residentes no Brasil, independentemente das respetivas ideias. Imagino que, para alguns ouvintes, o que disse tenha sido entendido como uma flor de retórica. Julgo que o saldo dos meus quatro anos no Brasil provou que estava a falar a sério.

Mas não é isso que hoje importa. No final da sessão, sob a sombra tutelar do busto de Salazar, que continua a decorar politicamente uma das salas do Real Gabinete, chamei o Dr. Gomes da Costa à parte e perguntei-lhe se ele sabia em que estado estava o túmulo do professor Marcelo Caetano. Notei a sua cara de surpresa. Mas continuei. Pretendia saber se estava cuidado, bem tratado, preservado. Sendo o lugar onde estavam os restos mortais de uma figura de Estado portuguesa, entendia que devia ser prestado um permanente cuidado ao local, pelo que lhe pedia o favor de tentar saber se isso estava assegurado. Se necessário, a embaixada tentaria providenciar meios para tal.

Recordo-me de António Gomes da Costa continuar um pouco espantado. A última coisa de que deveria estar à espera é que aquele diplomata, que ali havia chegado precedido de uma imagem de esquerda, mostrasse preocupação com o túmulo de um político que, com visível gosto, ajudara a derrubar. Mal ele sabia que eu, que não nutria a menor admiração política pela figura de Caetano, estava a ser muito sincero nos meus propósitos.

António Gomes da Costa disse-me ter conhecimento de que um grupo de nossos compatriotas residentes no Rio mantinha a sepultura a seu cargo. Mas que não deixaria de contactar-me, se acaso soubesse haver algum problema. Nunca me voltou a falar no assunto, pelo que presumi que a questão nunca se colocou.

Ao final da minha estada no Brasil, fiquei amigo de António Gomes da Costa. Trocámos cartas já depois desse período. Lamentei a sua morte, ocorrida há já algum tempo, num artigo publicado da imprensa portuguesa local. Era um patriota à sua maneira, que estava nos antípodas da minha, mas em quem reconheci a extrema dedicação que devotava ao Real Gabinete e às outras estruturas associativas a que estava ligado. Tenho por regra não medir as amizades pela bitola das ideias políticas. Este foi apenas mais um caso.

Neste que é o dia da morte de Marcelo Caetano, lembrei-me de contar este episódio.

O (anti) ciclone dos Açores

As eleições nos Açores eram, até ontem, um não-assunto, no resto do país. Agora, para além do problema da governabilidade, importa perceber: o que ali se passou teve a ver, exclusivamente, com questões políticas locais ou trata-se de um efeito colateral da situação que se vive no poder central? Se for uma mistura das duas coisas, qual terá sido o fator mais importante? 

Tempus fugit

Com todo o respeito que uma declaração ministerial sempre deve merecer em democracia, por que será que está instalada na opinião pública uma...