quinta-feira, setembro 24, 2026

Truman e Hiroshima


Há três anos, numa deslocação ao Missouri, pedi para visitar a "library" do presidente americano Henry Truman. Tinha alguma curiosidade em perceber qual seria por ali a memória justificativa do lançamento das duas únicas bombas atómicas usadas num conflito. E, sem surpresas, lá a encontrei, edulcorada em ganga argumentativa estratégica, como é de regra da narrativa dos vencedores das guerras.

As muitas dúvidas em torno da figura de Truman, o homem que tomou a decisão, em 1945, de mandar matar centenas de milhares de civis inocentes em Hiroshima e Nagasaki, perseguiam-me desde a adolescência. Em minha casa, lá por Vila Real, onde as conversas sobre a Segunda Guerra mundial eram curiosamente frequentes, num ambiente que era abertamente aliadófilo, Truman permaneceu sempre com uma imagem altamente controversa. O meu pai repetia, sem dar espaço ao perdão: "Tinha uma pedra no lugar do coração".

Achei sempre que só iria fechar a minha história pessoal, algo traumática, com Truman indo a Hiroshima. Estive lá esta manhã.

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