sexta-feira, setembro 25, 2026

Vlady


Em 2 de fevereiro de 2009, publiquei o primeiro texto no meu blogue, Duas ou Três Coisas, que inaugurei nesse mesmo dia. Era já perto da meia-noite. Tinha chegado a Paris poucas horas antes, para aquela que viria a ser a minha sétima — e última — colocação no quadro externo da carreira diplomática. 

O título vinha de Jean-Luc Godard e do seu "Deux ou trois choses que je sais d’elle". Godard era um nome que eu admirava no cinema francês, embora estivesse longe de ser o realizador que mais apreciava. Mas aquele título pareceu-me feito para um blogue. E assim ficou. 

Um dos primeiros posts tinha uma fotografia de Marina Vlady, a protagonista do filme. 

Anos depois, José Ferreira Fernandes — que sabe coisas que nós nem sequer sabíamos que valia a pena saber — escreveu no Diário de Notícias um texto sobre o meu blogue, sobre Godard e sobre Marina Vlady. E contou uma história. 

Godard terá pedido a Vlady para se casar com ele, logo no início das filmagens. Levou com os pés. Durante a rodagem, deixou praticamente de lhe falar, comunicando com ela apenas através do microfone de orelha. Até que um dia lhe perguntou: 

— Define-te numa palavra. 

Marina Vlady respondeu: 

— Indiferença. 

A palavra ficou no filme. 

Não consigo ser indiferente à morte de Marina Vlady, que aconteceu ontem, aos 88 anos. 

E assim volto a deixá-la aqui, uma vez mais, com a mesma imagem com que a publiquei naquela primeira noite de fevereiro de 2009.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Vlady

Em 2 de fevereiro de 2009, publiquei o primeiro texto no meu blogue, Duas ou Três Coisas, que inaugurei nesse mesmo dia. Era já perto da mei...