Em 2 de fevereiro de 2009, publiquei o primeiro texto no meu blogue, Duas ou Três Coisas, que inaugurei nesse mesmo dia. Era já perto da meia-noite. Tinha chegado a Paris poucas horas antes, para aquela que viria a ser a minha sétima — e última — colocação no quadro externo da carreira diplomática.
O título vinha de Jean-Luc Godard e do seu "Deux ou trois choses que je sais d’elle". Godard era um nome que eu admirava no cinema francês, embora estivesse longe de ser o realizador que mais apreciava. Mas aquele título pareceu-me feito para um blogue. E assim ficou.
Um dos primeiros posts tinha uma fotografia de Marina Vlady, a protagonista do filme.
Anos depois, José Ferreira Fernandes — que sabe coisas que nós nem sequer sabíamos que valia a pena saber — escreveu no Diário de Notícias um texto sobre o meu blogue, sobre Godard e sobre Marina Vlady. E contou uma história.
Godard terá pedido a Vlady para se casar com ele, logo no início das filmagens. Levou com os pés. Durante a rodagem, deixou praticamente de lhe falar, comunicando com ela apenas através do microfone de orelha. Até que um dia lhe perguntou:
— Define-te numa palavra.
Marina Vlady respondeu:
— Indiferença.
A palavra ficou no filme.
Não consigo ser indiferente à morte de Marina Vlady, que aconteceu ontem, aos 88 anos.
E assim volto a deixá-la aqui, uma vez mais, com a mesma imagem com que a publiquei naquela primeira noite de fevereiro de 2009.

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