Sou um fã do voto eletrónico. No Brasil, um dos grandes eleitorados do mundo, e salvo para alguns residuais adeptos das teorias da conspiração, a fiabilidade do sistema não merece nenhuma séria contestação - a qual, dado o ambiente político, seria bem fácil e natural. Em qualquer eleição brasileira, minutos depois de encerrado o tempo de voto - do Rio Grande do Sul ao Amapá, da Rondónia a Espírito Santo - os resultados são logo conhecidos.
É, contudo, evidente que, para se optar pelo voto eletrónico, é necessário haver uma conjugação de vontades políticas, de sinal contrário, que, por cá, a teimosa crispação partidária dificilmente permitirá.
Nos anos em que andei pela OSCE, em Viena, uma organização também dedicada, embora com êxito limitado, à promoção da democracia, falava- se de um sistema de voto eletrónico que tinha sido inventado na Bielorrúsia. O governo de Minsk bem se esforçava por promover a sua venda a outros Estados mas, ao que constava, apenas o Casaquistão o adquirira.
Atentendo às intocáveis credenciais democráticas do regime do senhor Lukashenko, sou levado a concluir que só por indesculpável preconceito é que o voto eletrónico bielorruso tinha tantos detratores.
