quinta-feira, 23 de maio de 2019

Fora dos carris



Detesto parecer rezingão, mas, como passo o tempo a dizer coisas bem simpáticas sobre este país, acho que tenho algum crédito para poder ser crítico quando é preciso sê-lo.

Não haverá ninguém, lá pela CP, que, de uma vez por todas, ponha a funcionar, de forma decente, o WiFi que é anunciado nas carruagens do Alfa Pendular, entre Lisboa e Porto, uma coisa que qualquer tasca tem?

E que perceba que oferecer “A Bola” ou o “Vida Económica” a turistas de outras línguas é quase ofensivo e revela desdém? Ter um jornal inglês ou espanhol seria o mínimo!

Ontem disse aqui mal dos atrasos da TAP (e podia ter falado do caos dos nossos aeroportos) e logo tive comentários, no meu blogue, de que o fazia pelo facto da empresa ter sido aberta ao capital privado.

Hoje digo mal, com convicção, desta terceiro-mundista CP, com carruagens incómodas, refeições abaixo de qualquer classificação, casas de banho imundas, ar condicionado muitas vezes a não funcionar. E trata-se de um serviço público.

Há anos que isto é assim, não muda. E o que ouço, de muitos dos frequentadores, é um “não é mau de todo”! Não é mau de todo?! Só se o “benchmark” forem os bancos de sumopau da antiga linha do Corgo! Já andaram de comboio pela Europa? Sejam exigentes, caramba!

Há décadas que anseio por um governo que, de uma vez por todas, ponha a CP “nos carris”. E, já agora, a Refer, que me dizem responsável pelo estado das linhas férreas.

13 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns. Finalmente o Sr. Embaixador começou a ver o país real.

Portugalredecouvertes disse...


Realmente acho que tem razão !
os comboios podiam ser muito mais atrativos, limpos, sem grafitis,
e com conforto, afinal comboios e estações bem limpas para não seria um grande custo !
uma vez que as viagens são em geral longas, e que os bilhetes não são tao baratos como isso
também há bastante pessoas que desejam viajar de comboio,deveriam ser bem recebidas pela empresa !
e todo o cuidado é pouco quando se atravessa a linha onde existe a tabuleta "PARE, ESCUTE E OLHE" que realmente deve ser "antiquado" para tantos turistas que por aqui passeiam de carro, haverá muitos que não percebem essas instruções...


JC disse...

Ora, Sr. Embaixador, vá até Beja no InterCidades. As carruagens são limpas, os bancos são aceitáveis, quer na 1º, quer na 2ª classe, o pessoal é simpático, a carruagem bar está fechada e portanto não há refeições nem aceitáveis nem inaceitáveis, o Wifi também só funciona às vezes e tem o privilégio de chegar a Casa Branca, fazer transbordo para uma automotora a "gasoil", graffitada e que em certas partes do percurso (quando desce) vai a uns estonteantes 120 Km/h. Mas também por 18,00 € ida e volta...
Bemvindo ao Portugal real, o da malta dos 800,00 € no fim do mês.
P.S. (Salvo seja) Já agora vá de carro pela N259 de Grandola a Ferreira do Alentejo e e continue na N121 de Ferreira a Ficalho e vai ver o que são umas miseráveis estradas a que pomposamente chamam IP8.
E nós somos exigentes, o problema é que se exigimos muito, os supra ditos 800,00 transformam-se em 700,00... É que o dinheiro só chega para certos problemas...

Luís Lavoura disse...

Eu não sei nada do assunto, mas acredito que o mau funcionamento do WiFi não seja culpa da CP e sim das operadoras de telecomunicações, cuja taxa de cobertura fora dos agregados populacionais é fraca. Se o Francisco tentar falar ao telemóvel durante uma viagem de comboio facilmente constata que a ligação é frequentemente perdida a meio da conversa. Se a cobertura para os telemóveis é fraca, para o WiFi também o será, pois o sinal da internet é transmitido pelas antenas de telemóvel.

Luís Lavoura disse...

Oferecer um jornal nunca pode ser ofensivo - é uma gentileza. Quem recebe a oferta pode não a aceitar, por qualquer motivo, mas não tem o direito de a considerar como uma ofensa.

Luís Lavoura disse...

É claro que as carruagens dos Intercidades da CP são (muito) incómodas, mas isso é em grande medida porque a CP quer fazer as viagens mais baratas, o que implica colocar mais pessoas dentro de cada carruagem, o que implica colocar 4 bancos à largura da carruagem em vez de somente 3 como é frequentemente o caso na Europa Central.
O Francisco sabe perfeitamente que os comboios na Europa Central são mais cómodos - mas também deve saber que eles são muito mais caros que os portugueses. O conforto paga-se.

Anónimo disse...

"Hoje digo mal, com convicção, desta terceiro-mundista CP, com carruagens incómodas, refeições abaixo de qualquer classificação, casas de banho imundas, ar condicionado muitas vezes a não funcionar." - já experimentou andar de comboio na América do Sul, África ou Ásia? Diria maravilhas da CP.

Anónimo disse...

A CP é hoje um enorme desprestígio para Portugal. Temos vindo a receber (não sabemos até quando) uma enorme quantidade de turistas, estamos em tempo de redes sociais e websites formadores de opinião sobre tudo e Portugal demonstra não estar preparado nem estar á altura dos belos atributos naturais que possui. Indiferentemente de ser pública ou privada, a CP é hoje uma vergonha. A TAP está a tomar o mesmo caminho, apenas com uma (grande) diferença. Os atrasos e falhas constantes da TAP muitas vezes são atenuados por um pessoal simpático, atencioso e que tenta fazer o que pode (muitas vezes em situações que fogem totalmente ao seu controlo). Na CP...temos talvez o serviço mais antipático, mal-educado e arrogante que conheço - ao nível dos taxistas do aeroporto de Lisboa. É horrível ter que lidar com pessoas tão ásperas e de mal com a vida, é uma energia que pode estragar um dia de férias ou aquilo que poderia ser um belo passeio. Uma das primeiras medidas que a CP terá que tomar, será com o pessoal. Muita dessa gente precisa de ir para casa. Um "pica" não é um inspetor da judiciária a interrogar um traficante ou um assassino, é um funcionário que tem que ser uma pessoa apresentável, educada e simpática. Ele está a dar a cara e a falar pela empresa, os exemplos que tenho encontrado têm sido péssimos. Eu sei responder-lhes mas nem toda a gente está para isso...uma pena.

Anónimo disse...

Tem toda a razão. Agora, a sugestão dos jornais espanhóis é que é de gritos...
Sempre aquela mentalidadezinha de cidadão de segunda na península...

Mal por Mal disse...

A CP e a REFER são o símbolo perfeito da embrulhada em que a portuguesada está metida.

Uma vergonha, mas quem sempre viveu mais ou menos, também não sabemos distinguir o que é mais ou o que é menos.

Tal como saúde e outras coisas que tais.

Haja quem nos saiba enrolar.

E enrolar tão bem como o Costa, só encomendando outro, o que agora é difícil.

Anónimo disse...

Concordo com tudo, menos com a necessidade de providenciar jornais em inglês ou espanhol (esta necessidade tããão tuga de ser subserviente ultrapassa-me)- para além do facto comezinho de no reino unido ou em espanha não haver jornais portugueses nos comboios de nível equiparado aos alfa, acho que se só houver jornais nacionais o "desdém" de que fala ( e que não interpreto assim) estará uniformemente distribuído. Jornais em inglês ou espanhol fariam os turistas de outras nacionalidades sentir-se discriminados. Bora lá então, CP, comprar: süddeutsche zeitung, corriere della sera, le monde, le fígaro, l' equipe, libération (a minha costela francesa exige possibilidade de escolha),gazet van antwerpen, nederlands dagblad, politiken, ... e ainda l'osservatore romano, para que os turistas oriundos do vaticano se sintam mais em casa. E a Hola, que as notícias sobre aristocratas e famosos também importam.

Carlos Fonseca disse...


A REFER ainda existe? Não foi substituída pela Infraestruturas de Portugal?

AV disse...

Já há vários anos que escrevo sobre a situação vexatória a que estão sujeitos os clientes da CP nas viagens entre Lisboa e o Porto. Ultimamente tenho acrescentado aos meus comentários apreciações sobre a forma e as condições em que se viaja nas linhas de Cascais e Sintra; para alem dos cancelamentos de combóios é deplorável ter de ir em pé todo o trajeto. Acrescento agora as viagens na Fertagus em que se propõe retirar os bancos das carruagens para poderem ir mais pessoas de pé, isto é transformar-nos em animais. Animais que julgo já exigirem mais condições no seu transporte do que os humanos. Se acrescentarmos as "tragédias" que diariamente se vivem na Soflusa nas travessias entre Lisboa e o Barreiro ficaremos com um retrato do panorama nacional nesta área. Vá lá que iremos exportar para Bruxelas o ministro que nos últimos anos foi (i)responsável pelo setor. E não poderemos exportá-lo para mais longe? E já agora acompanhado pelo chefe?