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terça-feira, maio 14, 2019

O tempo das cerejas


“Já estamos no tempo das cerejas, sabia?”, disse-me hoje a empregada do hotel, algures na Cova da Beira, terra afamada das melhores cerejas. E acrescentou: “Na minha terra, em Alpedrinha, elas amaduram mais cedo”. Gostei do orgulhoso “amaduram”, em lugar do “amadurecem”. 

Não lhe perguntei se conhecia a canção de Montand e hino da Comuna de Paris, “Le temps des cerises”, porque, nos tempos que correm, já ninguém conhece o que eu conheço e, a cada dia, dou-me conta de que cada vez conheço menos coisas que quase todos conhecem. E também não ousei recordar-lhe que, como lá se diz no poema, “é bem curto o tempo das cerejas”. 

Ontem, no Souto da Casa, ofereceram-me cerejas. Ouvi então a voz de Montand: “Quand vous en serez au temps des cerises / Si vous avez peur des chagrins d'amour / Évitez les belles!”. Sábio conselho, difícil de seguir. Diz quem sabe dessas coisas.

São todos iguais?

Ontem falei aqui dos cartazes políticos que se eternizam na paisagem. Não expliquei por que razão ninguém reprime isso, com fortes coimas ou...