Tive o gosto de ser convidado a proferir, na manhã de hoje, a conferência inaugural das XIII Jornadas Internacionais de Protocolo, organizadas pela Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo (Aporep), que se realizam na reitoria da Universidade Nova de Lisboa.
A minha palestra intitulou-se “Ensaio sobre os rituais e a convivência internacional”. Numa conversa de quase uma hora, passei em revista as origens e as dinâmicas contemporâneas do Protocolo diplomático, igualmente focando as suas múltiplas declinações sectoriais, oficiais ou não: militares, académicas, parlamentares, religiosas, autárquicas, empresariais ou outras.
O Protocolo é uma atividade que, tal como os árbitros de futebol, deve procurar ser discreta e passar despercebida, infelizmente quase sempre só se relevando quando alguma coisa “corre mal”. As regras protocolares constituem um sábio “código da estrada social”, que facilita a convivência, supera equívocos, dá previsibilidade confortável às situações, igualiza entidades e evita que o relacionamento institucional coletivo, em especial na ordem internacional, seja capturado pelo poder e pelo arbítrio. É, no fundo, uma soma essencial de bom senso, eficiência, pragmatismo, cooperação e cortesia.
Desprezar o Protocolo, a que De Gaulle chamava “a ordem da República”, como se vê fazer a alguns “parvenus”, é quase sempre sinal de arrivismo, de preconceito demagógico, de populismo saloio, as mais das vezes assumido com arrogância e desprezo por quem tem a desdita de não conseguir ser educado e a urbanidade de saber ser respeitoso para com os outros. E citei o que um dia Jaime Gama escreveu: “Vencer o preconceito em torno do Protocolo é um ato de maturidade que aperfeiçoa as sociedades e lhes confere um acrescido grau de liberdade, porque lhes acrescenta civilização”.
Terminei a palestra recomendando aos participantes naquelas Jornadas: “não sacralizem o Protocolo, não absolutizem o cerimonial, mantenham mesmo alguma saudável ironia sobre as suas liturgias, mas conheçam bem e nunca esqueçam todas as suas regras, até para poderem, quando quiserem, desrespeitá-las, mas sempre em plena consciência”.
