Tem alguma graça olhar o modo como certos operadores mediáticos, criados e mantidos por investimentos puramente ideológicos, ruinosos nas cifras mas que esperam ser recompensados a prazo (cada vez mais longo, pelos vistos...) nas urnas, têm vindo a tratar, “com pinças”, a questão das touradas. Eles sabem bem que os seus aparelhos de proselitismo político caminham, neste domínio específico, por uma linha muito fina e delicada: a que é traçada entre o trauliteirismo ultramontano, aliado neste caso a um marialvismo transversal policrómico, e a imparável frescura mental de uma juventude que nem por se poder sentir conservadora noutros domínios consegue comungar já da simpatia por práticas que sente dizerem respeito a outros tempos, que inevitavelmente olha como meros resíduos de um primitivismo social que só a inércia e o tradicionalismo decadente ainda alimentam, mas que não deixarão, em tempo mais ou menos breve, de passar ao caixote do lixo da História. E como esses “outlets” do conservadorismo da paróquia vivem na angústia de não perder ambos os públicos-alvo, gizam um discurso equívoco, rebuscado na forma e ambíguo na opção de fundo. Que patuscos são! Eles observam, nós topamo-los bem!