terça-feira, 7 de agosto de 2018

Especialistas e “especialistas”

De há uns tempos para cá, surgiu um número inusitado de escândalos com currículos, em especial pela invocação abusiva de títulos académicos e outros. Na verdade, todos sabemos que o mundo dos currículos é um palco para exageros, falsidades, alguns passíveis de fácil desmontagem, outros um pouco mais difíceis de destrinçar, tal o arrevezado de certas designações. As pessoas ficaram um pouco mais alerta, mas os riscos neste domínio continuam.

Mas há outra realidade que por aí anda e face à qual não tenho visto uma suficiente reação: é o surgimento de “especialistas em ...”, quer em jornais, quer principalmente nas televisões. Um título desta natureza confere àquilo que a pessoa diz uma autoridade automática, uma reverência intelectual. Ora o que se passa é que muitas dessas figuras apenas têm (quando têm) um curso ou uma qualificação académica num determinado domínio - o que é muito diferente de serem “especialistas”, que é uma designação que se pressupõe poder ser atribuída apenas a quem tem uma grande (e reconhecida pelos seus pares) experiência de investigação ou em atividade em áreas práticas do setor. 

Assim, convém estar muito atento: há especialistas e “especialistas”.

2 comentários:

Lousada disse...

Talvez a confusão advenha de confusões semânticas decorrentes de traduções mal feitas...
Sabemos que "especialista" na língua inglesa é "expert"... É claro que se é levado a pensar na proximidade do vocábulo inglês com a palavra "esperto"... Assim sendo, há aqueles que por esperteza usam a qualificação declarada de "especialista" por confusão com esperto... Aliás, muitas vezes tenho visto, se não em terras lusas, pelo menos pelos brasis, usar como tradução de expert a palavra esperto, mesmo... Tanta ignorância é coisa que me causa uma certa... espécie!

Anónimo disse...

Há muitos anos que não faço um curriculum. Quando me desafiaram com várias hipoteses de trabalhos de investigação, já era pública a minnha "esperteza" para eles. E isto foi há quase 22 anos.
Hoje já não necessito de um curriculum e já não me lembro do que lá devia incluir para referir o que fiz de lá para cá.
Há também gente assim.