terça-feira, 14 de agosto de 2018

Cruzamentos

Cruzei-me há minutos com um colega que já não via há muito. Ele era, nesse outro tempo, um rapaz muito tímido, metido em si, que sempre queria passar desapercebido, com tanto medo de dar opiniões que parecia que pensava duas vezes antes de nos dizer bom-dia.

Agora está mais solto: “Tenho visto que continuas com a mania dos restaurantes”, disse-me. ”Só não percebo como é que tu, andando sempre nessa vida, não engordas...”. Quando me preparava para lhe dizer que ele tinha de recorrer rapidamente a um oftalmologista, completou “...mais!”

Checkámos memórias comuns de terceiros, por uns minutos - “quem morreu foi o...”, ”quem encontrei há tempos foi o...” - e despedimo-nos com a promessa de estarmos naquele imenso almoço que, desde há anos, cada um de nós vem a programar com uma legião de amigos e de conhecidos, e para o qual nem a área total da FIL chegaria. 

“Ah! Mas não pode ser num desses restaurantes estrelados do Michelin, de que tu gostas! É que eu, para estrelados, é só ovos!“ E deu uma gargalhada que assustou duas tisnadas balzaquianas, a darem-se ares de finas lá na esplanada do Pereira.

Soltou-se, com os anos, aquele colega! Ainda bem! É que tenho vindo a encontrar velhos conhecidos que, com o passar do tempo, se tornam “sérios”, com vagares no gesto e pausas nas falas, talvez para ganharem “gravitas”, sabe-se lá bem para quê.

1 comentário:

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Viva a amizade e a boa disposição!

(Essa do jantar que nem na FIL caberiam os convidados vai pôr os "trolls" em polvorosa, hehe)