sábado, 11 de agosto de 2018

Elogio do silêncio?

O descendente da família que ocupou hereditariamente a chefia do Estado português até 1910, personalidade estimável a quem o regime republicano até se dá ao luxo de conceder a amabilidade de um destaque honorífico na coreografia do seu protocolo, habituou-nos a vir a público, episodicamente mas sem regularidade, dizer de sua justiça sobre alguns temas da atualidade. Esse é um direito que democraticamente lhe assiste e que nos cumpre defender e respeitar - tal como a qualquer outro cidadão desta República democrática.

Como não faço parte de quantos - entre os quais conto alguns bons amigos - aguardam um ensejo, numa nova curva da História, para promover a restauração do regime derrubado vai para 108 anos, apenas alguma curiosidade faz com que, desde sempre, esteja razoavelmente atento ao conteúdo desses afloramentos discursivos. Dentre eles recordo coisas sensatas que lhe podem ser creditadas ao tempo da luta pela autodeterminação dos timorenses e, num polo algo contrastante, a sua criativa proposta para que se desistisse da realização da Expo98, a semanas da respetiva abertura. 

No cômputo global, o saldo desses pronunciamentos não parece, até ao momento, ter impressionado excessivamente o país - e daí a estranha ausência, quiçá injusta, de uma recolha escrita das suas ideias e propostas. Diria mesma, na minha perspetiva de republicano, que o que o herdeiro em causa tem vindo a dizer quase sempre me conforta, por não ter condições para ferir, nem ao de leve, a estabilidade do ”statu quo” que favoreço.

Uma coisa é clara: sinto os seguidores da crença monárquica quase sempre bem mais inquietos com o efeito público daquilo que surge dito pelo herdeiro da família Bragança do que ansiosos por acolherem o favor da sua palavra orientadora, como guia e estímulo para servir de alimento doutrinário à sua causa. Deixo o mistério da explicação deste facto para quem faz parte desse ramo de fé institucional a que o destino me poupou.

5 comentários:

Anónimo disse...

MONARQUISTA!!!!! SEMPRE!!!!! VIVA A MONARQUIA!!! DEUS SALVE O REI!!!!

Anónimo disse...

Há quem prefira ser vassalo a cidadão.
São gostos.

Anónimo disse...


Os represenmtantes genealógicos da Casa de Bragança, a qual reinou neste país até 1910, quando foram autorizados a residirem em Portugal eram muito estrangeirados.
Pouco percebiam da sociedade portuguesa daquela época. É preciso saber-se que o Senhor D. Duarte Pio é da geração de D. Carlos I.
Alguns até não consigam falar português o suficiente para manter uma conversa mais longa.
Mas era o que tinha restado desta família que reinara em Portugal depois de 1640.
Se tinham qualidades para dinamizar a sociedade portuguesa e terem destaque para poderem voltar a reinar está à vista.

Talvez arranjando-se uma outra dinastia e uma outra nobresa para a apoiar e ao seu serviço ainda fosse possivel.
O que não facilitou muito a implantação da República mais cedo foi a falta de um projecto para o país dos políticos republicanos nos últimos 30 anos da monárquia.
Era apenas a revolução pela revolução,dos vintistas.
E se andarmos um pouco mais para trás podemo-nos aperceber que depois de 1821 isto só não foi uma república porque os outros países europeus não quiseram negociar em 1815, no Congresso de Viena, senão com os Enviados do senhor D.João VI. O resto é..... o costume....especulações... de especuladores.

alvaro disse...

Isso depende de cada um. Para mim chamar-me cidadão é um insulto. preferia ser o que sou e sempre fui: -Um aldeãoou então e no mínimo um vilão. Mas cidadão? Isso aplica-se aos que vivem em cidades. Nunca lá vivi nem quero.

Anónimo disse...

Na "res pública" o cidadão é tratado como vassalo, antes só o rei tinha "privilégios" hoje uma horda de aproveitadores, políticos de profissão, enriquecidos no poder. A maioria dos países desenvolvidos e prósperos, são monarquias. Preferes ser cidadão e enganado, ou ser tratado como vassalo, sabendo que é vassalo?