quarta-feira, julho 31, 2013

"A gaiola dourada"

Devo dizer que já me não recordava de ter passado uma noite de cinema tão divertida como a de ontem, ao assistir à comédia cinematográfica "A gaiola dourada". As peripécias em torno da existência de um casal de trabalhadores portugueses em Paris, com os todos os "clichés" e quadros de vida comuns a tantos outros compatriotas nossos, são tratadas de uma forma ao mesmo tempo carinhosa e descomplexada, graças a um belo "script" e a excelentes interpretações, dentre as quais me permito destacar a minha amiga Jacqueline Corado da Silva, bem como o próprio realizador-ator luso-francês Rúben Alves - que com este filme quis homenagear os seus pais. Fui dar a ambos um abraço de parabéns por este seu delicioso trabalho, que honra a memória da nossa fantástica comunidade em França, junto da qual tive o privilégio de trabalhar durante os quatro últimos anos da minha carreira.

Gostei de ver na assistência o meu antigo colega, o embaixador francês em Portugal, Pascal Teixeira da Silva, ele próprio um descendente de portugueses emigrados, que em breve termina a sua missão em Lisboa. E fiquei muito feliz por deparar, no meio da multidão, com um grande amigo dos portugueses em França, o "maire" do "XIVème arrondissement" de Paris, Pascal Cherki, também membro do grupo de amizade França-Portugal no parlamento francês.

Por algumas horas, "regressei" a Paris, à alegria sã da nossa comunidade e ao seu insuperável orgulho nas suas raízes. E, não sendo eu nostálgico, confesso que isso me fez muito bem.

15 comentários:

  1. Eu já decidira ir ver o filme, embora com certas dúvidas: quando se espera muito, receia-se sempre a desilusão.

    Após ler as suas impressões, fiquei tranquila, pois sei que , afinal, vale mesmo a pena assistir ao filme.

    Bem haja!

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  2. Anónimo10:42

    Vi este filme há uns meses e devo dizer-lhe que me deixou ambivalente. De facto, há uma certa naiveté que perpassa todo o filme e que chegou mesmo a comover-me em certos momentos. Mas de um somatório de clichés dificilmente poderá resultar outra coisa que uma caricatura. Há uma distância enorme que separa a vida como ela aqui nos é mostrada da vida como ela é. Parece-me que neste filme o realizador não tenta abreviar esta distância, não tenta fazer coincidir as personagens com as pessoas. Pelo contrário, ela é um instrumento da comédia.

    Finalmente um elogio para a inigualável Rita Blanco. O trabalho desta actriz é para mim inexplicável. É uma actriz que empresta a todas as personagens que faz uma profundidade que quase me fere e que não pára de me chocar.

    José

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  3. Anónimo11:20

    É preciso azar: e logo a atriz havia de ter um nome... espanhol!

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  4. Já me despertou a curiosidade Senhor Embaixador, lá terei de ir ver

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  5. ora aí está um tema que dá para muito, drama, comédia, o da emigração.
    bom que esteja bem tratado, feito e interpretado e faça rir. convidará tambem a emigrar ainda mais?

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  6. Anónimo16:10

    É por causa destas e de outras que me pergunto muitas vezes porque razão os portugueses expatriados se portam de uma forma diferernte dos que aqui residem. Deve ser mistério ou então..... é este solo que os torna assim.

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  7. Anónimo17:11

    Fui emigrante, mas não em França. Tenho vivido alguma história da emigração Portuguesa em França, pois tenho lá familiares já na 3ª. geração. Foi para mim uma novidade a realização deste filme e que em breve irei ver.
    Os meus cumprimentos, Snr. Embaixador

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  8. Anónimo17:34

    No início da década de sessenta do século passado, sendo eu menino e moço, meti-me no Sud-Express, na Guarda, rumo a Paris. Pela calada da noite, atravessámos Espanha, os emigrantes de regresso a França fecharam as janelas do comboio e o cheiro a vinho tinto, frango assado, presunto, queijo tornou-se nauseabundo. Anda hoje sinto esse cheiro quando passo por Ciudad Rodrigo, Salamanca e País Basco.Depois, em Paris, Champigny e quejandos. Não sei se terei humor bastante para ver o filme.Oxalá essa vertente não abafe a outra.

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  9. Anónimo23:55

    Este não escapa no próximo fim-de-semana! :)

    Isabel BP

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  10. A emigração é um acto trágico da vida, porque deixa imensa pena aos que ficam e aos que partem.Não se emigra por prazer, porque deixar a terra natal é um passo para o desconhecido. Todos sabemos quais foram as causas essenciais da emigração portuguesa. Uns, os mais idosos, para escapar à miséria dos sem trabalho, ou do trabalho mal pago; muitos jovens para escapar ao serviço militar na África; outros para escapar à perseguição da policia política salazarenta.

    Mas o que é talvez mais trágico é de constatar que hoje, meio século mais tarde, o êxodo continua. Que milhares de portugueses são obrigados a procurar no estrangeiro o que a pátria foi desde sempre incapaz de lhes oferecer: as condições de vida básicas.
    A única nota optimista é que os jovens integraram a noção que o mercado do trabalho é agora internacional, ou pelo menos europeu. E que perdurará qualquer que seja o desenvolvimento ulterior de Portugal.

    Que pena eu tive de ver aquela senhora, há uns dias atrás,que mal falava francês, a tal ponto que o "patrão" não a compreendia (vinha de chegar !)fazer a limpeza na casa daquele vizinho meu, para ganhar algum dinheiro para mandar para o filho que estuda medicina na universidade do Porto!
    E estou farto de ouvir os amigos, franceses, dizer-me, por acaso, que têm uma "bonne portugaise"!
    Nesses momentos, tenho vergonha de ser Português.

    Não sei se um dia alguém será capaz de fazer o balanço da perda económica para Portugal, de toda a juventude bem instruída que parte. Sabemos que a França perdeu imenso poder económico quando as guerras de religião obrigaram os protestantes a partir, para fazer a riqueza da Holanda, da Alemanha e doutros países.A França paga ainda hoje esta hemorragia de talentos .

    Um filme, mesmo bem interpretado, não pode ser mais que uma caricatura dos sofrimentos sem fim, suportados na vergonha e na humilhação dos bairros de lata de Champigny. Aqueles que la viveram não o esquecerão jamais.

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  11. Anónimo08:09

    Em tempos, passeando por Lyon, apercebi-me de que, antes de ver os nossos compatriotas, já os ouvia. Ao longe...

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  12. Anónimo10:26

    Ao anónimo das 17.34.
    as viagens no Sud na segunda metade dos anos 80 não eram melhores. Até um fogareiro a petróleo eu vi a funcionar numa "couchette". As viagens de 27 horas eram uma verdadeira aventura.

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  13. Anónimo13:48

    O problema é a SuperBock....

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  14. Anónimo17:31

    Ao anónimo das 17:34 (31.7.13)
    Então não gostou do "cheirinho" dos emigrantes nesse comboio! Era um felizardo, os seus papás não precisaram de emigrar e até tinham dinheiro para o menino passear...Não sabia que foi com as remessas de dinheiro, que esses mal cheirosos emigrantes enviaram, que então o Portugal desses tempos se consertou? Concordo que não seria agradável esse cheiro, mas vir publicamente comentar é de quem não tem qualquer formação!

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  15. Estou morta por ver,obrigada pela sugestão.

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