Fernando Henrique Cardoso, que por dois mandatos foi presidente do Brasil, abrindo depois caminho ao presidente Lula, esteve alguns dias em Lisboa. Muito respeitado internacionalmente, é uma personalidade que honra o seu país, em cuja história democrática tem um lugar destacado. Tive o gosto de o encontrar, em excelente forma e bem disposto, no passado fim de semana, durante um almoço de amigos.
Ser uma figura pública tem, por vezes, o condão de proporcionar episódios curiosos. FHC, como é conhecido no Brasil, contou-nos duas histórias deliciosas.
A primeira foi passada numa rua de uma capital sul-americana, onde se deslocara, vários anos decorridos após a sua saída de funções.
Um casal, ainda jovem, olhava para ele fixamente. Tinham ar de turistas, pelo que deduziu que fossem brasileiros. Não se enganou, ao ouvir o cavalheiro dirigir-se-lhe em português:
- Eu conheço-o! Deixe-me ver...
O presidente estava divertido com a hesitação dos seus compatriotas. Foi então que a senhora se decidiu:
- Já sei! O senhor trabalha na "Globo"! Não é isso?
- Trabalhava! Agora já não apareço mais na "Globo". O meu contrato acabou...
A segunda historieta é mais recente. Passou-se num elevador onde FHC seguia. Entram duas senhoras. Ambas o fitam. Uma delas, após alguma hesitação, pergunta:
- Desculpe! Não é o Fernando Henrique Cardoso?
O antigo presidente decidiu brincar um pouco:
- Não, esse é o meu irmão...
Ao que outra comentou:
- Pois é! O senhor é bem mais velho que ele!
