Há qualquer coisa de trágico no destino dos ministros das Finanças.
Há dias, Fernando Teixeira dos Santos ressurgiu de uma auto-decidida discrição para colocar os pontos nos is da História, para, finalmente, contrariar a "narrativa" (continuo a detestar a palavra) criada pela nova maioria, que abriu caminho ao modelo político-económico em vigor nos últimos dois anos. À época, havia ficado no ar a ideia de que o ministro e o antigo chefe do governo haviam terminado o mandato em terrenos algo opostos. Agora, fica a ideia que as convergências superavam as divergências e era talvez o método aquilo em que divergiam.
Ontem, Vitor Gaspar, o protagonista desta nova orientação, saiu de cena, visivelmente desgastado, talvez mais com as divergências no seio de um executivo que parece estar a perder os "nervos de aço", que a execução da sua agenda ideológica radical exigiria, do que com a constatação de que são os factos que não estão à altura da qualidade e justeza das ideias propostas.
No hall do hotel de Hammamet, na Tunísia, onde me encontro, ouve-se, um pouco alto, música de Vangelis.
PS - ... e logo hoje é que havia de dar-me para andar pelas "primaveras árabes"!
PS - ... e logo hoje é que havia de dar-me para andar pelas "primaveras árabes"!