sábado, 6 de abril de 2013

Os telefones e a crise

Um dia, no decurso de um Conselho de ministros em que se discutia um assunto sensível, um membro do governo saiu da sala e fez um telefonema através de um telefone fixo. De seguida, desconfiada, uma outra pessoa decidiu usar o mesmo telefone e, primindo a tecla de repetição, encontrou no outro lado da linha uma figura que dirigia um jornal. Jornal onde, no dia seguinte, o debate tido no Conselho de ministros apareceu descrito em pormenor.

Há minutos, dois jornalistas televisivos, sem qualquer pejo, estranhavam não estarem a receber SMS's que indiciassem o modo como as coisas estavam a correr no seio do Conselho de ministros, potencialmente decisivo para a crise política em curso. A certo passo, um deles disse que acabava de ser informado, seguramente "de dentro", de que "as coisas correram bem".

O tempo passa, mas os vícios são os mesmos. Ou, como dizem os ingleses, "old habits die hard".

9 comentários:

jj.amarante disse...

"As coisas correram bem": será motivo para preocupação?

Anónimo disse...

Por isso, quando um ministro de Salazar lhe dizia que a conversa que tinham tido devia ser levada a CM, ele respondia não ser necessário, uma vez que essa conversa já tinha sido um CM.

Anónimo disse...



O Velho, o Rapaz e o Burro

Vivia no monte um homem muito velho que tinha na sua companhia um neto.

Certo dia o velho resolveu descer ao povoado com o seu burro fazendo-se acompanhar do neto. Seguiam a pé, o velho à frente seguido do burro e atrás o neto.

Ao passarem por uma povoação logo foram criticados pelos que observavam a sua passagem:
- Olhem aqueles patetas, ali com um burro e vão a pé.
O velho disse ao neto que se montasse no burro e este assim fez.

Um pouco mais adiante passaram junto de outras pessoas que logo opinaram:
- O garoto que é forte montado no burro e o velho, coitado, é que vai a pé .
Então o velho mandou apear o neto e montou ele no burro.

Andaram um pouco mais até que encontraram novo grupo de pessoas e mais uma vez foram censurados:
- Olhem para isto. A pobre criança a pé e ele repimpado no burro.
Ordenou então o velho ao neto:
- Sobe rapaz, seguimos os dois montados no burro.
O rapaz obedeceu de imediato e continuaram a viagem mas um pouco mais adiante um grupo de pessoas enfrentou-os com indignação:
- Apeiem-se homens cruéis, querem matar o burrinho?
Descendo do burro, disse o velho ao rapaz:
- Desce, continuamos a viagem como começamos.

Está visto que não podemos calar a boca ao mundo.

História popular de La Fontaine

Alexandre

Anónimo disse...

Há coisas que simplesmente nunca mudam, nem com o tempo,nem com a vontade, mesmo que se faça tudo para que isso aconteça...

Isabel Seixas disse...

Jamais me passaria despercebido as lindas mãos que seguram o telemóvel com unhas elegantes e à francesa, agora que é o pejo contra a avidez, coitado, ainda por cima dada a diferença de género ...Sem alternativa.

Isabel Seixas disse...

Jamais me passaria despercebido as lindas mãos que seguram o telemóvel com unhas elegantes e à francesa, agora que é o pejo contra a avidez, coitado, ainda por cima dada a diferença de género ...Sem alternativa.

Guilherme Sanches disse...

Por outras razões, um chefe muito "cusca" da empresa onde trabalhava quando esses telefones com memória apareceram, costumava andar pela calada, de telefone em telefone a repetir marcações dos últimos números.
Descoberta a habilidade, depressa arranjámos solução generalizada - depois de terminar a chamada, marcava-se o Zero e adeus cusquice...
Um abraço

Anónimo disse...

Essa tecnica teria sido usada momentos antes de ter acabado a reunião dos juizes do Tribunal Constitucional, de anteontem, pois enquanto outras Tvs não davam informação, já a TVI informava qual tinha sido a decisão ( ... )

freitas pereira disse...

Nada que se compare ao "Watergate" que levou Nixon à demissão. Mas o objetivo dos jornalistas é sempre o mesmo : "O "Scoop" ! Informar antes dos outros, ser o primeiro "mais bem" informado, é vital. "Tudo correu bem "lá dentro" , por conseguinte, nada de interessante! Se tivesse corrido "mal", então que grande "manchete" !
O mundo político procura o "sensacional" tanto como os jornalistas! Aquele que deixou o Conselho de Ministros discretamente, para informar, espera um dia obter o retorno do ascensor. De qualquer maneira.
Há sempre um "Deep Throat" ( garganta profunda), nas organizações políticas, como aquele que informou os dois jornalistas do Washington Post, sobre o financiamento ilegal da campanha eleitoral de Nixon e a ligação deste com os assaltantes da sede do partido democrata, o Watergate.
E depois, foi o " impeachment," a resignação do Presidente do Império !
Os jornalistas podem ir longe, muito longe, para obter un "scoop" ! E têm sempre quem os ajude!
Isto recorda-me um incidente que presenciei e no qual a minha vida estava em jogo também, nas ultimas semanas antes da queda de Saïgon, no Vietname. Era o ultimo voo da Air France, com escala em Saïgon, vindo de Hong Kong.
Um acordo entre a França, o Vietname e os USA, após a retirada dos Franceses da península, definiu como únicas companhias de aviação autorizadas a aterrar em Saïgon, a Air France e a Panam. Com a condição de não falhar a escala , caso contrário perderia o direito de escala.
O trafego aéreo era controlado pelas autoridades militares americanas, que tomavam o controlo do vôo na vertical de Danang, no norte, até ao aeroporto de Tan Son Hut, em Saigon.
Durante a aterragem, proibido tirar fotos( os caças americanos carregavam as bombas ao lado mesmo da pista , que largavam alguns km mais longe !) e obrigação de sair do avião durante a escala, por uma questão de segurança, porque a uns 50 km de lá, viam-se, ao longe, as explosões dos bombardeamentos dos caças americanos no delta do Mékong. Os Vietcong apertavam o cerco.
Os passageiros ficavam fora do edifício do aeroporto, ao sol. Quando , depois de fazer embarcar um grupo de elementos privilegiados do regime que fugiam para França, veio o momento de embarcar os outros passageiros, acompanhados pelo comandante e a tripulação do avião da Air France, encontrava-se um jornalista fotografo vietnamita, não longe do avião, que tirava fotografias dos passageiros no embarque. Foi o momento em que, o comandante, se afastou do grupo e veio ao encontro do jornalista e lhe deu soco violento, fazendo-o cair e com ele a máquina fotográfica que o comandante espezinhou. Embarcamos rapidamente. Autorização de descolar imediata.
Já não longe de Phnom Penh, onde havia mais uma escala, o comandante explicou-se sobre o gesto: " Aquele jornalista encontrava-se ali, havia algumas semanas, para, no caso em que o avião fosse atingido por um míssil vietcong, pudesse "vender" ao melhor preço, ao Paris -Match ou outros magazines, a foto do "ultimo" vôo da Air France à partida de Saïgon! O "Scoop" !
J. de Freitas