Há vários anos que penso o mesmo: a patética sessão na Assembleia da República, tal como a divisiva descida da avenida da Liberdade, constituem-se num fator de lamentável e reciclada polémica, que apenas contribui para converter o 25 de abril numa data de confrontação, quando deveria ser simplemente uma dia de festa e de celebração da Liberdade.
Este 25 de abril dos "prós e contras" é um péssimo serviço que o país presta à sua melhor memória. Mas também já percebi que esta é uma causa perdida. Das televisões aos jornais, do parlamento aos futebóis, tudo a partidarização leva adiante de si, sem grandes ganhos para uma melhor cidadania. E sem que isso contribua para que as novas gerações sintam a menor gratidão histórica face a uma data cujo significado profundo hoje se podem dar ao luxo de ignorar.
Por razões que a conjuntura ajuda a entender, as coisas tornaram-se ainda bem piores este ano, com protagonistas a justificarem, para eles próprios, as palavras da canção-senha de abril, "E depois do adeus":
Quis saber quem sou
o que faço aqui
quem me abandonou
de quem me esqueci
Ou muito me engano ou já não vão a tempo de obter qualquer resposta.
