À polémica em torno do modelo da prova de cultura geral a que foram sujeitos os candidatos ao acesso à carreira diplomática, assunto de que já aqui se falou, acaba de ser somado um novo capítulo: o exame foi anulado, aparentemente não por um qualquer juízo de inadequação sobre a prova, mas por irregularidades detetadas na respetiva execução. Na blogosfera fala-se também de outros episódios, como o recurso ao Google por parte de alguns concorrentes, o que, a ser verdade, revelaria outras deficiências na fiscalização.
Não gosto de ver o "meu" Ministério envolvido em processos polémicos e só posso lamentar que um ato tão importante como a escolha de novos diplomatas possa ficar inquinado por um episódio desta natureza. Episódio que - convenhamos - com algum cuidado poderia ter sido evitado.
O acesso à função pública, em particular num momento tão complexo como aquele em que vivemos, tem de ser um processo cristalino e "irreprochable". Há que esperar que a repetição da prova anule agora todas as dúvidas e consagre um processo incontroverso, apurando os mais competentes e, já agora, pessoas com um nível cultural à altura do privilégio e da honra que significa representar Portugal no mundo.
