Por curiosa coincidência, o avião da TAP em que, há minutos, cheguei de Paris chamava-se "Calouste Gulbenkian". E foi a Fundação Calouste Gulbenkian a razão pela qual dei "uma saltada" de 24 horas à capital francesa, para participar na primeira reunião do Conselho Consultivo, agora criado, que tem como função orientar o trabalho da Delegação da Fundação em Paris, composto por seis personalidades portuguesas e francesas e que é presidido pelo professor André Gonçalves Pereira.
A representação da Gulbenkian em Paris, que funcionou até 2011 na antiga casa de Calouste Gulbenkian e que agora está instalada no boulevard La Tour Maubourg, desenvolve, há quase cinco décadas, uma interessantíssima obra cultural, que muito tem prestigiado o nosso país e que, simultaneamente, tem contribuído para honrar a memória de alguém a quem Portugal muito deve. Os tempos mudaram, a presença portuguesa tem hoje uma dinâmica nova na sociedade francesa, as representações em França das culturas que se expressam em português têm de encontrar formas de potenciar a língua comum e, por essa razão, à representação da Gulbenkian apresentam-se hoje novos desafios.
Dispus-me assim, e com gosto, a colaborar, a partir de agora, na reflexão sobre o futuro da Delegação da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris. E, podendo ser coincidência, gostei que esta primeira reunião do Conselho Consultivo tivesse tido lugar no dia 9 de abril, data da batalha de La Lys, em que, em 1918, os portugueses ajudaram à defesa da França e da liberdade na Europa.