Chegado há pouco a Paris, capital de um país sobre o qual Margareth Thatcher tinha sentimentos muito pouco simpáticos, acabo de saber da morte daquela que, por quase 12 anos, chefiou o governo britânico. Eu vivia em Londres ao tempo do seu afastamento do poder. Por uma quase coincidência, tive o privilégio de assistir, na Câmara dos Comuns, ao seu último e histórico discurso parlamentar, como já contei aqui.
Goste-se ou não das ideias de Thatcher, ninguém pode deixar de reconhecer que ela foi uma estadista que, como poucos, marcou o seu país e o tempo internacional: na sua visão e influência sobre a relação transatlântica, no modo como formatou a singular posição britânica face à Europa, no seu sentido premonitório do papel de Mikail Gorbachev no futuro da URSS, na sua teimosia patriótica face às Falkland/Malvinas e em tantos e tantos outros dossiês. E, naturalmente, com tudo o que isso ainda significa para o mundo de hoje, com a sua promoção de uma agenda liberal radical.
Uma das expressões que ficaram ligadas à imagem de Thatcher é a palavra "tina" - "there is no alternative" -, lema que, pelos vistos, continua a ter ardentes seguidores noutras paragens.
