Era um homem discreto, bastante jovem, sempre sorridente, de quem emanava "uma boa onda" e uma natural simpatia, como se lembrarão outros que, como eu, com ele partilharam, durante um ano, a mesa do conselho ministerial do "mercado interno" e as presenças nos "assuntos gerais", naquele final dos anos 90. Enrico Letta era o ministro sem pasta que tinha a seu cargo os assuntos europeus, no governo dirigido por Massimo d'Alema. Hoje, com menos de 50 anos, tem a seu cargo a chefia de um governo italiano em tempo de grave crise.
Para os Negócios estrangeiros desse novo governo entra uma figura que alguns, em Portugal, também conhecemos bastante bem, em especial como comissária europeia que teve a seu cargo a política de defesa dos consumidores, a política de pescas e também as questões de ajuda humanitária. É uma mulher de convicções, com quem não é fácil negociar (sei do que falo!). Com ela, com toda a segurança, a palavra da Itália não se deixará capturar, nos tempos que aí vêm.
Talvez não haja hoje por cá a real perceção de que do sucesso ou insucesso deste governo italiano pode depender muito do futuro próximo da Europa. Um " barco" em que nós também estamos. Por essa razão, para além de devermos desejar que um país amigo como é a Itália recupere uma estabilidade "sustentada" (como agora se diz, a propósito de tudo e de nada), esse é também um voto que devemos formular no nosso próprio interesse.
