segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Um zingarelho num besidróglio?


Como se viu, a Paf fez puf! A coligação desfez-se e o CDS vai agora ter de fazer pela vida. Por algum tempo, os "democratas-cristãos" a que por cá temos direito terão de subir uma vez mais a corda, agora já não a partir "do táxi" onde em tempos viajaram à larga, mas da confortável quota parlamentar de que usufruem, inchada artificialmente pela tática falhada de outubro. Sem lugares do aparelho de Estado para distribuir, andam agora à procura de si mesmos no mapa político do país, o que sonoramente é revelado pelo desespero histriónico do seu líder - que utiliza a tática dos índios, levantando pó para fingir que são muitos, sem se dar conta de que já os toparam. 

Passos Coelho deixou claro que, não tendo o sacrifício de lugares em S. Bento valido a pena, cada um passa a caminhar por si próprio pela estrada política. Assim o exige aliás a máquina do seu partido, pressionada por bases orfãs de "pote", onde algumas contas na subliderança continuam por ajustar. A forçada continuidade do líder pode dificultar, contudo, um "aggionarmento" pela via social-democrata, que agora seria teoricamente possível, tal como Rui Rio há dias intuiu. O PSD afastou-se dessa orientação muito fortemente nos últimos quatro anos, mas isso poderia agora ser revertido, neste tempo em que o PS surge "puxado" à esquerda e em que se afasta visivelmente de um centro cuja existência faz parte da sua tática negar. Mas, para mal dos pecados do PSD, Passos Coelho surge ainda, aos olhos dos portugueses, como a cara da "troika" e das suas malfeitorias. E, no partido, a curto prazo, nenhum dos seus escudeiros parece ter o menor espaço para o contestar. Se o governo do PS se mantiver, só um desaire eleitoral pode provocar em "pronunciamiento" na São Caetano à Lapa.

A grande curiosidade está agora em saber o que vai o CDS apresentar como agenda própria, que possa ser lida como distinta do PSD mas, ao mesmo tempo, compatível com o que ambos andaram a dizer nos últimos anos. Em "mentideros" lisboetas, corre que uma clara atitude radical de direita poderia ser a nova aposta de Paulo Portas. Alguma Europa vai por aí, os vários temores saem à rua e no "Correio da Manhã" cada vez mais e esse espaço político está vazio, há muito, entre nós. Resta saber se o lider "centrista" terá a contenção ético-política para evitar que um discurso nacionalista, quiçá protecionista, resvale para um populismo securitário ou de outra natureza - que nem quero lembrar, para não dar ideias.

Tudo é possível, se olharmos a história do CDS, desde os tempos em que era uma separata eurocética  do "Independente" até aos dias de hoje - ou melhor, de ontem, porque hoje nem o CDS nem nós sabemos por onde o partido anda ideologicamente. Interessante, nesse contexto, será verificar se o vírus liberal, que afeta muitos dos quadros a quem o CDS garantiu lugares nos últimos quatro anos, acabará por inviabilizar essa deriva, no eventual caminho para a autarcia isolacionista. Verdade seja que o "compassionate conservatism", o discurso para as "velhinhas & reformados", foi-se para sempre com o momento "irrevogável" e a subsequente subida de Paulo Portas a delegado local da "troika". Mas, como titulou, para glória das estantes, uma prolífica autora apoiante da PaF, "sei lá!"

Um dia, retificadas pelo voto as proporções relativas, imagino que PSD e CDS poderão ser de novo tentados a "juntar os trapinhos". Será então uma nova "geringonça" política, como a que Portas acusa agora o PS de ter criado? Ou será, mais ao seu jeito, um zingarelho num besidróglio, movido pelo "ar do tempo". Tudo é possível, desde que dê para o regresso ao poder, não é?

16 comentários:

Majo disse...

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Rsrsrsrsss...

Excelente ironia, FSC! Excelente!
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Joaquim de Freitas disse...

Obra prima de maquinaria de demolição ! Falta só pôr o PP , em fato macaco, estatelado em cima da roda, com a chave na mão, procurando apertar os parafusos da geringonça, como no filme de Chaplin, do qual não me recordo o nome !

"resvale para um populismo securitário ou de outra natureza - que nem quero lembrar, para não dar ideias. O Senhor Embaixador não ousa, mas eu ouso : o FN.
Aliás se para lá for, vai lá encontrar-se com o Sarkozy, talvez no baile de Viena!

ARD disse...

Muit,o bom!

Anónimo disse...

Excelente análise e comentário. Parabéns!

opjj disse...

V.Exª é um homem pio e como tal vai perdoar todas as malfeitorias de Costa " o bom negociador". O amor com amor se paga e tem destas coisas, cega.
Volto a dizer, oxalá me engane, porque para mim, Pedro, Paulo ou Francisco, aceito-os desde que seja para 0 bem de todos.
Já começou bem,pelas pensões e segue-se banco.Aguardemos os próximos.
Cumps.

aamgvieira disse...

O seu amigo pinóquio, é que continua na maior, na velha tradição socialista...

A maçonaria é que governa este país, aventais a lavar mais branco, punhais pelo ar, telhados de vidro que se partem..o aconchego dos templos com lugares marcados , isso sim , uma vidinha muito real para cada um que se vai safando em Portugal

Joaquim de Freitas disse...

Homem pio ? A piedade , como a caridade é uma carência de justiça!

Isabel Figueira disse...

Gostei muito do seu texto se bem que me deu algum trabalho procurar em alguns dicionários o significado de besidróglio e o que o que encontrei pouco serviu. No entanto pouco importa. O que me está a preocupar é o valor do aumento das reformas mais baixas. Vai até dois euros creio. Nem sequer chega para comprar aquele medicamento que o pensionista deixou de tomar há meses e que lhe faz muita falta. Será que esse aumento será 2 euros x 30 dias?

Tenha uma excelente segunda-feira.
Cumprimentos :)

A JOGATANA disse...

Dos vários ovos-de-colombo que Costa traz no bornal, pôs de pé agora o do Banif

Já vai em mais de 20 ovos em menos de meio ano.

David Lencastre disse...

Excelente análise! Concordo.

Anónimo disse...

Cds é menina fácil que nem o Ps recusou quando lhe conveio.
Nesta matéria o PS jà vai em três...

Anónimo disse...

Sempre me fez alguma confusão como é que um partido com "cinco reis de mel coado" em número de votos, colocou o país a ser governado por meia-dúzia dos seus militantes em ministérios-chave...Há coisas que dão que pensar!

Anónimo disse...

Embaixador, cuidado daqui a pouco pode vir ai a sua amiga Helena Sacadura Cabral ralhar consigo por dizer isso do filhinho dela.

Francisco Seixas da Costa disse...

A minha amiga Helena Sacadura Cabral é uma Senhora que sabe entender perfeitamente o que separa uma crítica política de uma avaliação de natureza pessoal, que não é para aqui chamada.

Helena Sacadura Cabral disse...

Deixe lá meu caro Francisco.
Há gente que gostaria que eu fosse uma débil mental. Azar dos Távoras até saí uma mulher inteligente, que pensa pela sua própria cabeça e sempre por ela se guiou.
Falta lembrar ao Anónimozinho que esta mãe teve outro filhinho chamado Miguel Portas. Talvez isso lhe alivie a falta de senso!

Anónimo disse...

Quando o Embaixador chama, justificadamente, "Senhora" (com "S" grande, maiúculo) a Helena Sacadura Cabral não deixa de fazer uma "avaliação de natureza pessoal". Ainda bem que a faz, digo eu, porque se trata de uma Senhora por quem tenho muito respeito, tal como tenho, e escrevo no presente, pelo seu filho mais velho.
MAC