sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Os riscos do medo


Há muito que a agenda europeia é dominada pelos medos. Foi, aliás, o medo perante a ameaça soviética, nos tempos da Guerra Fria, que cimentou a construção europeia, razão por que alguns consideram que, para além de Schumann e Monnet, há mais alguém que merece algum crédito pela solidificação do projeto integrador: Josef Stalin…

Aquilo a que Fourastié chamou os “trinta gloriosos” anos, entre o final da Segunda Guerra e a crise petrolífera de 1973, trouxeram à Europa crescimento, prosperidade e emprego, criando, deste lado do Atlântico, uma sociedade de consumo similar àquela que os EUA já gozavam. Do lado “de cá” da “cortina de ferro”, permaneceram sempre óbvios os temores defensivos. Mas o medo essencial na Europa morava então nas casas e nas ruas do “socialismo real”, tutelado por Moscovo.

Com os tempos económicos a serem menos favoráveis, com os alargamentos sucessivos a induzirem uma imparável diversidade e a conduzirem a uma objetiva mudança de natureza da União, esta tornou-se muito mais desigual. E, com o tempo, bastante menos otimista. O euroceticismo começou a bater à porta dos europeus, mais a uns do que a outros pela assimetria dos efeitos, fruto dos egoísmos nacionais que tornam Bruxelas o bode expiatório de tudo quanto corre mal em casa, adubado pelas quebras de solidariedade num projeto que se sente cada vez mais economicista e só residualmente tributário dos valores que haviam estado na sua origem.

Os medos regressaram em força às populações europeias e o projeto integrador, em lugar de ser visto como uma defesa para esses receios, começou a ser olhado como a verdadeira causa dos problemas. Se os alargamentos já haviam induzido o medo às deslocalizações de empresas, a imigração económica somou-se como uma nova ameaça ao emprego e, mais do que isso, induziu pulsões securitárias de novo tipo, afetando a bondade da livre circulação. A isso acresceu, nos últimos tempos, a questão dos refugiados e, ainda mais recentemente, a vaga terrorista, que veio “legitimar” o mal-estar intercultural e inter-religioso que já emergia em muitos países.

Este complexo quadro é o terreno ideal para quantos hoje advogam um recuo no processo integrador. Para Portugal, é muito claro que qualquer diluição desse paradigma seria muito negativo e agravador da nossa perifericidade.

Deixo um alerta específico: qualquer cedência ao Reino Unido, no seu pedido de “devolução” de poderes, que pudesse configurar um recuo nos direitos dos nossos trabalhadores seria um precedente muito nefasto. É que nunca se sabe se, aberta a porta, a senhora Marine Le Pen não poderia começar a ter algumas outras ideias…  

27 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Domingo vamos resistir à onda azul, que cobre a cor cinzenta da peste fascista. Porque não tenhamos duvida nisso : o fascismo , porque esse é o nome, vimos como começou na Alemanha em 1933 : Um programa social abrangente, para todos os gostos, uma vitória eleitoral, mesmo regional, uma leitura convincente das frustrações populares, e são tantas, desde os dias dos governos de esquerda como de direita, de esquerda porque esqueceu o programa para o qual foi eleita, e de direita porque nunca foi o programa efectivo, apesar das boas palavras dos discursos. O cartão vermelho dos explorados e esquecidos, a rejeição do "sistema"era fatal. E sabemos que isso termina sempre nos campos de concentração.

Domingo , para um eleitor de esquerda , será difícil votar naqueles que brincaram demais com os "pestíferos" da extrema direita, nos quais os da direita democrática encontraram (?) frequentemente certos "valores" comuns ! Como se os "valores" dos" pestíferos" pudessem trazer a salvação da nação.

O que eles querem , os "pestíferos", é o poder, e depois os valores serão os deles : partido único, ódio dos estrangeiros, ódio da diferença qualquer que ela seja : raça, religião, costumes, ódio da democracia que valoriza o indivíduo livre e mestre do seu pensar.

Não esquecer que Hitler chegou ao poder pelas urnas, apoiado por um vasto movimento popular. Se bem que organizado com a complacência dos partidos de poder, foi um golpe de Estado que permitiu a Hitler de aceder ao governo. Quanto ao seu principal apoio, veio dos industriais alemães.

Sabemos que a direita francesa, agora, está aterrada do resultado do seu jogo infantil desde há anos com a "peste", pondo por cálculo malsão a República das Luzes, a República social em perigo, preferindo a política dura ao movimento social, à esquerda de ruptura. Em França e porque não em Portugal, há os que preferem os fachos aos proletários. A" peste cinzenta" é sempre o fruto podre do capitalismo em crise. Muitos são aqueles das classes dominantes, que consideram sempre "os de baixo", os "invisíveis", como uma espécie de raça inferior.

E é por isso que esta direita foi frequentemente caçar nos pântanos pestilenciais da extrema direita, respirar o seu ar venenoso, na esperança de trazer alguns votos desta "aproximação" e mesmo "compreensão" dos "valores" "comuns"! Claro que este jogo traz alguns votos, mas a curto prazo, muito curto, arrasta com ele a pior das monstruosidades. E não há fascismo com rosto humano.

Quando a crise baralha as referências, as marcas, provocando uma crise de valores, provoca também um rejeição da politicaria, mesmo da política "strictu senso" e das políticas ( ah já experimentamos tudo , como dizem alguns portugueses da diáspora , incultos e amnésicos, para justificar o seu voto lepenista !) , pode provocar uma deflagração vasta e mortífera.

Domingo temos que salvar este pelo país das liberdades, que é a França. Viva a França.

Joaquim de Freitas disse...

Ler "strictu senso". Obrigado.

Joaquim de Freitas disse...

Senhor Embaixador: Peço desculpa , queria rectificar não o strictu senso, que estava correcto, mas a última frase : "este "belo" país" em vez de "pelo". Muito obrigado.

Anónimo disse...

Sr. Embaixador,

Bem sei que o seu tempo é escasso mas se tiver tempo leia o último livro do George Friedman, Focos de Tensão.

Abraço

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Pois... É preocupante a ascenção ao poder da extrema-direita. Muito preocupante. Mas, mais preocupante - mas isso não parece preocupar ninguém (nomeadamente a esquerda, por, talvez, sentir culpas no cartório) - é enfrentar as razões mais fundas que explicam essa ascenção. A esquerda (mesmo a democrática a que me sinto ligado) sempre atirou para trás das costas, ou para debaixo do tapete, as questões da imigração, da identidade cultural das nações e, agora mais premente ainda, a questão do conflito civilizacional aberto em Setembro de 2001. "Enfiou a cabeça (e o Samuel Huntington) na areia". Portas escancaradas, promoção desenfreada e quase paranoica do "multiculturalismo" (ao invés da integração cultural - sim, com o mesmo sentido com que se usa hoje o termo integração social), a elevação do direito à diferença (queremos ser todos tão diferentes que se deixou de cultivar o que nos é comum) à categoria de Santo Graal, o relativismo cultural eram as palavras de ordem. Quem as ousasse desafiar era acorrentado às etiquetas de racista, xenófobo, islamofóbico, eurocêntrico, etc.. Foi assim que os Le Pen cresceram. Agora temo-los pela frente. Problema bem sério. E no combate à FN que se impõe e se exige, o primeiro é erro clamoroso a evitar é não distinguir os votantes dos seus militantes e apodá-los todos de fascistas e nazis.

Alcipe disse...

Concordo plenamente

Jaime Santos disse...

Lamento Sr. Embaixador, mas já não comungo do seu entusiasmo relativamente ao Processo de Construção Europeia, e designadamente quanto à pertença de Portugal à Moeda Única, que vejo como a principal causa do nosso fraco crescimento económico e do endividamento geral em relação ao Estrangeiro nos últimos 15 anos. A UE não é uma zona monetária ótima, muito longe disso, e este é um problema que tinha sido levantado por economistas anglo-saxónicos, de Esquerda e de Direita, muito antes do Euro ganhar o seu nome. Pergunto-me se não deveremos aliás sacrificar o Euro para salvar a Europa, já que este se fez para ela e não o contrário. Dito isto, obviamente que concordo consigo nas questões que se referem aos direitos de circulação e direitos sociais dos nos emigrantes noutros Países da União. Espero aliás que o Governo do PS esteja solidamente do lado da Alemanha na tentativa de resolução da Crise dos Refugiados. Faremos o que está certo, com a vantagem de que os Alemães sabem bem mostrar-se agradecidos quando se lhes dá o jeito. Não são pessoas ingratas...

Zuricher disse...

O espantoso é alguém admirar-se desta evolução. Isto sim é o verdadeiramente espantoso quando, desde a criação da UE, era claro para alguém com alguns conhecimentos de história que este era o futuro da União Europeia. Aliás, francamente não sei sequer se ainda existe UE ou se é apenas um moribundo que ainda por aí se vai arrastando. Algo como foi a Sociedade das Nações que se arrastou moribunda desde o princípio dos 1930s até que em 1946, finalmente, lhe passaram a certidão de óbito.

Era precisa uma grande dose de sonho e utopia para imaginar que o futuro da UE seria diferente deste que está a acontecer e que redundará na sua implosão.

Reaça disse...

Para Zuricher: em 1946 foi a certidão de óbito talvez nem tanto, mas foi pelo menos um atestado de invalidez.

Em 1944 nas vésperas do dia D, desembarque da Normandia, alguem em entrevista a um jornalista americano aconselhava que a guerra devia parar "já", sem vencidos nem vencedores.

Mas essa pessoa tinha uma força muito limitada, não podia parar a guerra, a destruição da Europa.

Essa pessoa, era o meu ídolo que está à espera de um panteão em Santa Comba.

Deu mais conselhos para a Europa parar com tiros nos pés, mas não adiantou nada.








Joaquim de Freitas disse...

Senhor Manuel do Edmundo -Filho: A minha opinião é que, se quisermos sintetizar o problema do multiculturalismo e da integração, não é sem relação com o pecado original da república : o Império.

E se a crise social que atravessa a França (e porque não a Europa ? ) desde o fim dos anos 80 fosse devida a uma espécie de impasse post colonial? O elo crescente entre um passivo histórico e, por exemplo, a questão da integração vai até ao ponto de pôr em causa a cidadania. E por conseguinte o problema da identidade e do direito. Claro que se pode perfeitamente ser francês e muçulmano no 21° século, sem ter a justificar-se do que quer que seja. Mas com uma condição : de integrar a escola laica da republica.

Claro que a facho esfera ataca este modus vivendi . Entre iluminados das teorias identitárias, nacionalistas anti Europa transformados em cruzados versão domingueiros, cristãos fundamentalistas limite histéricos face a uma fé que eles sentem que se evapora, ou nostálgicos do Império, pensando ainda que o totalitarismo colonial era a sua Renascença.

Eu sinto tudo isto em certas reuniões de amigos de todas as tendências. Existe nesta postura a ideia mesmo que,se a Nação e a Europa chegam ao seu termo é por causa do multiculturalismo, e do consequente barbarismo que este autoriza ( o bicho no fruto !), e não por causa duma integração a marcha forçada na Europa, e uma mundialização mal compreendida e mal gerida. A diversidade constitui para muitos o desvio da identidade francesa e europeia.

Com uma historia colonial de 130 anos em tantos países, da África e do Médio Oriente, a França e os Europeus não compreendem nada ao Islão .
A tarefa não é fácil, é verdade, quando se trata de desfazer séculos de pensamento islâmico, e a fazer entrar este, de força , na obsessão da assimilação, do mito do muçulmano moderado.

Permita, Senhor Manuel do Edmundo - Filho que não esteja de acordo com a sua ultima frase : " E no combate à FN que se impõe e se exige, o primeiro é erro clamoroso a evitar é não distinguir os votantes dos seus militantes e apodá-los todos de fascistas e nazis". Quando se facilita a subida ao poder, eventualmente, dum grupo inimigo da democracia, não vejo onde está a diferença entre os chefes e os adeptos.
Gostaria de comentar ,noutro comentário, se o Senhor Embaixador mo permite.

Joaquim de Freitas disse...

O veneno fascista e nazi : quem não se recorda desse país pacifico onde a vida é mais fácil que não importa onde. Que recebeu muitos migrantes vindos de não importa onde. Esse país, a Noruega, que viu nascer, também é verdade, um nome que provoca repulsa, que no mundo inteiro significa traição : Quisling .

Vidkun Quisling era o líder do Nasional Samling norueguês, o partido local nazi. Foi escolhido pelos alemães para dirigir a Noruega quando a invadiram ( por causa das minas de ferro!).

Um aborto desse partido, chamado Breivik, voltou a fazer falar do nazismo quando, em 2011, creio eu, pesadamente armado, desembarcou na ilha de Utoya, onde a juventude socialista se reunia .

Anders Behring Breivik, un homme de 32 ans, loiro, todas as características dum bom germânico.

79 mortos na ilha e 8 nas ruas de Oslo depois da explosão duma bomba.
A barbaridade deste massacre, perpetrado por um Europeu, nazi, depois do massacre de Atocha, foram ultrapassados pelos massacres de Paris.

Oslo , sede dos acordos israelo-palestinianos de 1993, não foi estrangeiro à escolha do massacre.

O apoio da Noruega à causa do estado palestiniano também não.

Enfim, o Ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês, Jonas Gahr Støre, que tinha visitado o campo dias antes, tinha afirmado o seu apoio à diversidade na Noruega, utilizando a expressão :" Novo Nós" , para falar da sociedade norueguesa. Isto queria dizer , os refugiados e os migrantes, os muçulmanos e os Judeus.
Não foi uma tragédia humana nem o acto dum louco. Mas sim um assassinato político contra pessoas que lutam a favor dum mundo convivial .

E é por isso que creio, Senhor Manuel do Edmundo- Filho, que as teorias fascistas e nazis, a partir do momento em que são aceites e seguidas, identificam os indivíduos. E não pode haver desculpa nenhuma para esse facto.

aamgvieira disse...

Eleições Municipais:

"No que diz respeito aos votantes, as proporções são também desiguais: há 130 637 mulheres registadas, contra 1,35 milhões de homens que se preparam para ir às urnas" -...

Anónimo disse...

o embaixador, o que tem a dizer ás declaraçoes do seu amigo Lula da Silva em Madrid a propósito da colonizaçao portuguesa no Brasil. Claro que este senhor nao é para levar a sério, aliás para mim nunca foi, sabemos que a unica História que ele deve ter lido e que conhece com alguma propriedade será a História da 51 e da Ypioca, ai sim acredito que seja um expert. Mas claro que os espanhois nao o levam a sério, eles nao esquecem que foi durante o periodo em que este amante de branquinha foi presidente do Brasil, que existiram os maiores conflitos diplomáticos entre os dois Paises. Por certo foi lá pedir esmola, ou entao ver se lhe dao mais um honoris causa como nós fizemos de forma vergonhosa em Coimbra. Só nós para darmos um honoris causa a um semi analfabeto. A Espanha, nao costuma dar grandes ouvidos a ex colónias, nem as deles quanto mais a outras.

aamgvieira disse...

Sr. Freitas e o seu mundo "encantado....."

Penso, logo, existo.

Anónimo disse...

Na questao do Lula, ele que guarde a prosápia dele para dar á policia federal do Brasil.

Anónimo disse...

Angola e Brasil,apenas Países a caminho da desgraça. Ex colónias apenas, ressabiados e ignorantes.

Anónimo disse...

O Lula, que vá perguntar aos Países da América do Sul e Central o que tem a dizer de Espanha. Mas como disse o anónimo, ele de História só mesmo das cachaças ai mencionadas.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Estes comentadores têm medo do voto dos Franceses? Não conseguem entender que o povo é quem mais ordena? Se os Franceses quiserem a Senhora Le Pen ganha as eleições e se os Senhores comentadores desta página não gostarem só têm um remédio " comer e calar"

Joaquim de Freitas disse...

Senhor aamgvieira : Tem razão ! Mas há muitos que se contentam só de existir. E é desses que vem o mal.

Joaquim de Freitas disse...

Esta , é a primeira vez que o Senhor José de Mello Breyner escreve algo de evidente , ou a arte de abrir portas abertas! Mas que de "compreensão" por Marine le Pen. Talvez "affaire" de classe ?

Joaquim de Freitas disse...

"Não conseguem entender que o povo é quem mais ordena? "


Há certas frases escritas aqui, que , ao lê-las, tenho tendência a consultar a biografia do seu autor afim de compreender a sua autenticidade. Não se trata de Zeca Afonso, não, mas daqueles que utilizam as sua belas palavras revolucionárias para defender ideias e fins opostos que se quer encobrir.

Sei que é doravante adquirido que as palavras não designam nem as coisas, nem as ideias que seriam exteriores às palavras elas mesmas, mas que designam ideias que não são nada fora das palavras que se utiliza para as dizer.

Atenção : que não haja mal entendido : não se trata de saber se é socialmente conveniente, exigível ou prudente de dizer tudo o que se pensa. Trata-se precisamente de saber se é possível de dizer sempre o que se pensa, o que se tem na cabeça, no espírito.

Espontaneamente, poderia dizer-se que não é sempre possível pois que todos fizemos a experiência do inefável, do indizível, desta impossibilidade de dizer o que se tem no espírito.

Somente, esta impossibilidade experimentada não é uma impossibilidade provada : em vez de sustentar que não se pôde dizer o que se pensava, poderia dizer-se que é porque não se cria realmente naquilo que se dizia.

Em conclusão, que certos indivíduos tenham dificuldade a dizer o que pensam porque têm falta de vocabulário, de hábito de falar, de eloquência, seria perdoável. Mas o que não o é, é a falta de coragem e de honestidade intelectual ao utilizar expressões no significado das quais não crêem um só segundo.

Anónimo disse...

é de se lamentar que países convidem o néscio Lula da $ilva para palestras, e ainda pagam para escutar um idiota a falar sandices, para não dizer outras coisas!
Se ainda fosse Cuba, Venezuela, Argentina? mas... a España, espanhóis, arranjem coisa melhor para fazer, do que escutar esse que não tem nada a dizer.

Zuricher disse...

Que bem se nota neste espaço de comentários a alergia das esquerdas às escolhas democráticas! Legítimas são apenas as que andem pelas suas bandas. Se os eleitores escolherem a extrema-direita, ai ai ai, que é o fim do mundo ao pontapé!

:-)

Joaquim de Freitas disse...

O Senhor Zuricher não é naif, mas quer fazer crer que o é. Admira-se que a extrema direita seja o alvo da esquerda. A direita não é mencionada pelo Senhor Zuricher e tem razão : a direita acomoda-se e por vezes associa-se à extrema direita. :

A esquerda tem boa memória e não esqueceu a acção nefasta e criminosa da extrema direita, em vários países da América Latina e na Europa .

Em França, a extrema direita é a colaboração com os nazis, nostálgicos do petanismo , anti semitas e católicos integristas, e as milícias que faziam a caça aos resistentes.

Mas é verdade que mesmo o FN pretende agora passar por um partido da direita, e recusa o nome de extrema -direita. O passado é por vezes pesado para aqueles que ainda há pouco pretendiam que os fornos crematórios eram "um detalhe" da historia !

O que é grave é que o FN tem um futuro assegurado, na medida em que as maleitas de concepção da UE, a sua pretensão de retirar a soberania aos Estados e de lhes impor ao mesmo tempo políticas económicas celeradas, só pode descontentar os cidadãos e trazer adeptos aos partidos de extrema direita.

Nunca vi um partido de extrema direita praticar a democracia nos paises que dominou. E Weimar foi ontem...

Anónimo disse...

não se pode confundir extrema direita com ditadura.

Zuricher disse...

Caro Anónimo das 14h07, e mesmo dentro das ditaduras de direita não se pode de forma alguma dizer que foram todas iguais, contrariamente aos comunismos que foram iguais em todo o lado onde chegaram sem sequer particulares adaptações locais. Sem ir mais longe, o Estado Novo e o Franquismo foram substancialmente diferentes. Aliás, as próprias concepções de país eram diferentes em Franco e em Salazar.

Joaquim de Freitas disse...

Finalmente, o que escrevi no meu primeiro comentàrio verificou-se A França ficou de pé.Os Franceses ganharam ! Viva a França! Mas agora vai ser necessário fazer a revolução !

Fazer a revolução em França, mas na Europa também. Não é possível continuar a deixar na berma da estrada tantos humanos, esmagados pela austeridade, pela corrupção das elites e pela política que consiste a facilitar a acumulação do dinheiro por uma pequena minoria, em detrimento da grande massa do povo que receia mais que nunca o futuro sombrio que o espera.

O fascismo foi laminado pelo espírito republicano dos franceses e pelos defensores dos valores da democracia. Mas o fascismo não aceitará a derrota. Continuará a explorar as dificuldades da sociedade , a explorar os erros dos partidos de governo, que só vêm o perigo quando estão perto abismo.

No dia 13 de Novembro a França foi atacada pelos terroristas. Temos de procurar as causas profundas que levam tantos filhos de França e doutros países europeus a preferir morrer no deserto da Síria ou nos atentados, que criar um futuro com os seus irmãos de religião.

No dia 13 de Dezembro, os Franceses disseram não à deriva fascista. Resta a construir uma sociedade justa, baseada na Liberdade, na Igualdade e na Fraternidade , símbolo da Republica Francesa.

Há que destruir o tabu que não se pode tocar no 1% mais rico da sociedade, porque a miséria é a terra fértil que alimenta o substrato no qual o veneno do fascismo e do fascismo pode propagar-se.

Hoje a democracia ganhou graças a um movimento solidário que quis demonstrar que a França eterna não aceita as aventuras . Mas também significou aos seus homens políticos que algo tem de mudar drasticamente na sociedade francesa antes das eleições presidenciais de 2017. O desemprego não é uma fatalidade. Pode ser combatido. Mãos à obra.

Só assim a França pode salvar-se definitivamente e com ela a Europa.