quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

"O Independente"


Nuno Saraiva, a abrir uma crónica ontem no DN, a propósito do livro "O Independente - a Máquina de Triturar Políticos", de Filipe Santos Costa e Liliana Valente, escreve esta frase: "Foi dos livros em que mergulhei nos últimos tempos o que mais prazer me deu". Ora eu gostava de dizer que o Nuno me tirou as palavras da boca. Foi exatamente isso o que eu senti.

Se, neste final de ano, me é permitido aconselhar a compra e a leitura de um livro, esta seria a minha escolha. Está ali o essencial para se perceber a evolução daquilo a que, em tempos, se chamou o "cavaquismo" e do Portugal desse tempo. Há por ali retratos imperdíveis de figuras cuja importância se esvaiu com o tempo, mas que pareciam então ter um destino nacional assegurado. Mas também por ali está o perfil, a preto e branco, de um jornal que, com muita arte e às vezes com muito pouca ética deontológica, não deixou de marcar um tempo importante no jornalismo português, por muito que isto possa parecer algo incongruente. 

Durante esses anos em que foi dirigido por Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas, "O Independente" foi um ator central na vida política portuguesa. "Queimou" pessoas, destruiu carreiras, bombardeou inimigos de estimação, protegeu amigos do peito, desenvolveu uma espécie de jornalismo onde, lado a lado, o brilhantismo convivia com alguma canalhice, numa total impunidade. O livro retrata tudo isso sem estados de alma, mas também sem contemplações. Lê-lo é um prazer, difícil é pô-lo de parte quando o tempo do dia não é suficiente. Recomendo-o vivamente. 

9 comentários:

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
Sim o Independente foi um destruidor de carreiras e eu sem contar “espatifou” a minha. Foi no caso Beleza, ter dado apoio em Banguecoque ao marido da Drª Leonor Beleza (anos de 1988) e depois um ano a seguir, o mesmo apoio a José Beleza, que nada sabia nem de política de Portugal, como assim do referido caso Beleza que foi no que mais bateu o Independente, pelo ódio figadal, do Paulo Portas, à Drª Leonor Beleza.
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Sem contar estou metido na molhada e disparado, para Banguecoque, a toda a brida, pelo ministro dos Estrangeiros Deus Pinheiro, o inspector Constantino Ribeiro Vaz que me viria a inquirir, a altos berros, dentro de um gabinete da Embaixada de Portugal em Banguecoque como se eu fosse um criminoso.
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Levei desde logo a suspensão e ilibado de qualquer culpa ao fim de 8 meses e voltei ao trabalho.
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Fiquei sempre debaixo do olho como conspirador, sem aumento de salário e ao fim de 24 anos venho para casa com a vergonha, do Palácio das Necessidades, de uma reforma de miséria de pouco mais de 600 euros.
Mas neste mundo se fazem e nele se pagam!!!
E o Portas não está livre de mais tarde ou cedo comer pela medida grossa!!!
Saudações de Banguecoque

Reaça disse...

O PP e o MES, dois "meninos cultos" demais para o povo que somos.

Como tal, criaram aquele brinquedo, o "indepemdente" para se divertirem e vencerem o tédio de meninos mimados.

Essa fauna não se integra, embora finja que sim..

Há mais gente mimada e gozona.

Nova guarda uns, e velha guarda outros.

Banqueiros, MRPP's, jornalistas e governantes, aparece disso em todo o lado.

Esses gozões quando não nascem já assim, criam-se em geral, após regressarem de "altos estudos" na estranja, para onde os paisinhos os enviaram com boas mesadas.

Alguns fazem-se de pessoas sérias, isto é, não se riem, "aguentam-se"
Sempre houve disso.

Joaquim de Freitas disse...

Desculpe Senhor Martins, vivo em França há 50 anos e há coisas que me escapam: Não se enganou, só recebe realmente 600 euros de reforma, em Banguecoque, após tantos anos de trabalho como diplomata?

José Martins disse...

Caro senhor Joaquim de Freitas,
Não sou diplomata, mas funcionário publico, administrativo, ao serviço de Portugal em Banguecoque.
Bom Ano 2016

Isabel Seixas disse...


Bom ano a Todos
A Si especialmente, Sr. Embaixador, claro que vou comprar o livro...

Por cá há os cidadãos que encontro e dou boleia, porque vão a pé os 3 km que os distanciam da cidade às vezes para irem aos serviços de saúde que a maioria das vezes os poem doentes,( para grande tristeza dos que têm brio, consciência profissional e orgulho em servir, aliás para o qual são pagos), e ainda acreditam que alguns senhores do livro fizeram o que lhes foi possível para reduzir assimetrias iniquidades e injustiças...

olhe menina vou-lhe contar uma "passaige"
tinha perdido a carreira porque ando devagar por causa dos ossos, e passou um sr. lá da minha terra e "proguntei-lhe" o chenhor num simporta de me lobar que lhe dou o dinheiro da carreira(porque menina, sou pobre mas não preciso de esmolas)...

-Não posso.

passados uns tampos lá numas terras que ele tinha ao dar uma curba co cabalo e co a carroça onde lobaba um entulho, a carroça birou-se e ele ficou dobaixo dela, eu ia a passar e ouço-o gritar , ó menina o queu lá puxei pro tirar...
Sabe menina precisemos todos uns dos outros, obrigada atão deus lho acrescente, pode-me deixar aqui... A menina donde é?

de Bornes Claro, mas vivo por aqui, bom ano Sr. Manuel

aamgvieira disse...

Já li, foi prenda de Natal, muito bom.

O "ataque" aos reaccionários mentais que existem da esquerda á direita.

Joaquim de Freitas disse...

Senhor José Martins, peço-lhe desculpa da ousadia da minha pergunta. Muito obrigado pela resposta. Tem realmente razão de queixa. Injustiça flagrante do sistema. Desejo-lhe também um Bom Ano 2016, o melhor possível!

Anónimo disse...

O Independente era um Pasquim escrito por gente fina, para gente fina. Uns tantos queques divertiam-se em chatear o Cavaquismo. Para depois, ironicamente, o irem apoiar, anos mais tarde. Gente sem vergonha, sem uma réstea de valores. E, como ainda hoje sucede, com a colaboração escondida, ou (mal) disfarçada do Ministério Público. Basicamente, era um jornal de escândalos sobre a Direita - porque estava no Poder. Como poderia ser sobre a Esquerda. Como se o Poder incomodasse os tais meninos queques. Um deles, PP, veio mais tarde a sentar-se ao seu (Poder) colo. Não havia pachorra para aquilo. Preferia, de longe, o Expresso. Ou o Jornal.
Bom Ano!

Anónimo disse...

Se bem me lembro, muito antes, Camilo Castelo Branco, escreveu um livro chamado A Corja.Beirões e transmontanas conhecem bem o significado da palavra, tão bem aplicada a alguns personagens do dito (in)DEPENDENTE.Mais tarde, caiu-lhes a máscara.