quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Fraga da Almotolia


Há dias, falei aqui do Buraco Sagrado, um dos lugares "secretos" de Vila Real. Hoje estive perto de outro, a Fraga da Almotolia. 

Pergunte-se a um vilarealense se conhece a Fraga da Almotolia. Em dez, deve encontrar um que diz que "ouviu falar" e, em cem, talvez um tenha por lá passado algum dia. E, no entanto, se lhes pedirmos indicação sobre onde é o Chaxoila, quase todos dirão que sabem - sem que reconheçam que o tal lugar da Fraga da Almotolia (porque se chamará assim?) é quase por detrás do restaurante Chaxoila, desde há muito uma "casa de pasto" de referência das cercanias da cidade de Vila Real.

A Fraga da Almotolia, uma área na zona das Flores, à saída de Vila Real para Chaves, era um lugar tradicional de exercícios militares do RI 13, a unidade do Exército da cidade. A seguir à descolonização, a exemplo do que aconteceu em outras zonas do país, a agência norueguesa para a cooperação, Norad, criou na Fraga da Almotolia um bairro para acolher famílias de "retornados", numa acção de solidariedade que viria a ser complementada com uma magnífica ajuda à construção e equipamento do novo Hospital de Vila Real. Não obstante ter dado a uma das suas avenidas o nome de Noruega, fico com a sensação de que a cidade nunca agradeceu devidamente estes desinteressados gestos nórdicos.

Por que falei hoje na Fraga da Almotolia? Porque fui almoçar (aliás, muito bem) ao Chaxoila e achei que o serviço público que é este blogue também tem obrigação de revelar aos seus leitores os locais do Portugal desconhecido que existem na minha terra. Prometo não exagerar nesta toponímica bizarra, mas ainda não excluí elucidá-los sobre os mistérios da esquina da Cardoa, partindo já do princípio de que lhes são familiares os Quinchosos, que já foram beco e hoje ganharam vida nova. 

10 comentários:

Ana Vasconcelos disse...

A Noruega prestou imensa ajuda a Portugal nessa altura. Devemos-lhe muito. Lembro particularmente a ajuda aos nossos laboratórios e institutos de investigação, como o IPIMAR (ex INIP) e o INETI (ex LNETI). O navio de investigação marinha Noruega foi dado por eles. Os primeiros computadores com que trabalhei, na altura em que ainda havia grandes salas com mainframes enormes, temperatura controlada, etc, eram Norsk. Cada vez que precisava de uma listagem era preciso fazer um pequeno exercício de programação. Listagens mais complexas vinham do centro de informática. Outros tempos. Como as coisas mudaram.

Anónimo disse...

O que comeu foi as tripinhas. Olhe que os maricas e os encornados que detestam que o senhor fale das sitios da nossa Grande Vila Real, começam já a reclamar, enquanto isso as mostrengas deles lá se vao lambusando todas naos e sabe bem com quem. O Embaixador convenhamos estou como diz um comentário num outro post seu, este gente só gosta de sacristia e cheiro a bidé, do estilo D.Miguel. Sabem lá eles o que é umas divinas tripas, sabem lá eles o que é um rico cabrito assado em Poiares da Régua, sabem lá eles o que é um toucinho do céu, um pastel de santa clara, uma gancha, um pito, uma bola de carne da Gomes,um vinha de alhos no malcriado na Raia, uma posta na adega o senhor vinho e por ai vai, sabem de cheirar bidé e saias de padres e frequentar festas para as mulheres conhecerem quem as lambuse, porque mitos deles já nem para isso servem. Tenho dito. Viva Vila Real.

Anónimo disse...

Também toda a gente ficou a saber, assim, que o Lameirão fecha à quarta feira...Mas como se vê as alternativas são muitas!

Anónimo disse...

Não fora eu estar muito, muito longe e iria lá ao "Chaxoila" experimentar essa cozinha transmontana...

josé ricardo disse...

Nestas coisas do torrão que nos viu nascer é naturalmente difícil concretizar um olhar equidistante e objetivo. As prosas dos anónimos acima são, neste sentido, elucidativas. Infelizmente, o meu olhar sobre Vila Real é muito crítico, tendo em conta outras cidades similares na dimensão e na geografia. A degradação exasperante da baixa da cidade (em particular a rua Direita) é triste. Fora do centro, não se pode, por exemplo, andar em segurança pelos passeios, simplesmente porque estes não existem. À noite, a iluminação é deficitária. Em contrapartida, estragou-se o que poderia ser uma área de lazer com um inenarrável circuito citadino onde, nos restantes dias do ano, os carros passam por lá como se estivessem a andar numa qualquer estrada nacional, visto que aquilo é, de facto, similar a uma estrada nacional.
Anoto estes pontos com pena, visto que a cidade tem, a meu ver, potencial para muito mais. Infelizmente, parece-me que as idiossincrasias de Vila Real sobrepõem-se a uma abertura que lhe impede de copiar o que os outros fizeram de bem.

Um abraço,
José Ricardo

Anónimo disse...

Há pessoas que gostam de corridas e outras não. Não há nada a fazer. Acontece que Vila Real é a Capital do Automobilismo desta País com todo o mérito e o gosto dos seus cidadãos aficionados. O circuito é o que temos como diz o meu amigo António Taveira. Há que melhorar sucessivamente mas não transformá-lo num passeio de namorados e dizer que aquilo tinha sido o circuito.
Quanto à baixa, devo dizer que acabei a noite de fim de ano no Clube. Aconselho vivamente. Não fica a dever muito a lugares do género por esse mundo fora. Até brincamos a imaginar que o Dr. Zézé ficaria satisfeitíssimo de ver transfigurada a sala de jogo naquele bar.
Proponham coisas novas que acrescentem qualidade, mas não estraguem o que é a essência da cidade.

josé ricardo disse...

Qual essência, qual carapuça (transmontano de Moncorvo a falar)! A essência das cidades são as pessoas e não os carros. Deixe-se de tretas com isso da capital do automobilismo. Alargue os seus horizontes, meu caro anónimo,alargue-os somente (pequeno exemplo) até Viseu e veja como são tratados os munícipes. Passeios largos (exato: para os namoradinhos, novos e velhos; com filhos e sem filhos), passadeiras e ruas iluminadas... Em suma, uma cidade para as pessoas e não em busca de tolos epítetos que mais não são do que mantos diáfanos de fantasia, como diria o Eça.
Um abraço,
José Ricardo

Anónimo disse...

"Vila Real foi de longe o melhor circuito em que corri até hoje. Para quem corre em Vila Real, nenhum outro circuito conta!
John Miles"

Vou ter que dizer ao John para dar uma saltada a Viseu que é perto e dizem aqui que é muito interessante!

Ah! Já agora quando o caro senhor que gosta de namorar vier a Torre de Moncorvo tenho todo o prazer de lhe indicar uns locais bem apropridos para o efeito como por exemplo a pista ecológica do Sabor. Era o antigo caminho de ferro. Mas esteja sossegado, arrancaram os carris portanto não se vão magoar!

josé ricardo disse...

Oh, meu caro anónimo, não me fale em Sabor nem em Moncorvo, na que era a maior comarca do reino, na maior igreja matriz de trás os montes... enfim, Moncorvo é Moncorvo. E não tem circuito, veja lá... E já agora, Viseu também não tem, nem Guimarães, nem Aveiro, nem Viana, nem..

Um abraço,
José Ricardo

Anónimo disse...

Não! Todas têm circuitos!... Os circuitos dos tristes...