domingo, 28 de abril de 2013

Viva a ASAE!

A pretexto de uma qualquer revisão da equipa governamentativa, tudo indica estar em preparação uma operação de desativação da função repressiva e policial da ASAE, instituição que alguns novos ventos pretendem qe se dedique agora mais à "formação" e à "educação". Fico preocupado, porque sei bem "do que a casa gasta". Temo mesmo o pior, porque conheço o Portugal retrógrado que se esconde por detrás das medidas de "compreensão" com "os legítimos interesses do pequeno e médio comércio", com que se pretende "humanizar" a ASAE.

A ASAE sempre incomodou bastante. Incomodou os comerciantes desonestos que fazem concorrência àqueles que pagam regularmente os seus impostos, incomodou alguns donos de unidades hoteleiras, restaurantes e cafés que punham no bolso o que deveriam investir em equipamentos e métodos de higiene para salvaguardar a saúde pública dos seus clientes, incomodou certos industriais e armazenistas para quem a validade e salubridade dos produtos eram identificáveis com preciosismos e rigor excessivo, incomodou os taxistas piratas que sonham passar pelo Estoril no caminho entre o aeroporto e a Baixa. E incomodou muita mais gente, em especial, claro, alguma classe política que sobrevive demagogicamente e faz o seu "fond de commerce" do voto dos supracitados e daqueles que deles dependem ou influenciam, às vezes por mera iliteracia cívica.

Eu já vivi no Portugal do comércio "à balda", das cozinhas imundas das tascas e restaurantes com baratas e ratos, do salve-se quem puder e do arranjismo do comércio e indústria que, com a total complacência dis poderes públicos, não tinha o mínimo respeito pelo público pagante. Eu sou do país que assistiu, por décadas, à "guerra" heróica e quase sempre muito solitária da Deco, ao esforço magnífico de homens "chatos" como Beja Santos, à má vontade e ao amiguismo (e, às vezes, à mais comezinha e disfarçada corrupção) que, por muito tempo, bloqueou a defesa do consumidor em Portugal.

Como governante, e com imenso gosto e empenho, representei, por mais de cinco anos, Portugal no conselho de ministros do "mercado interno" da União Europeia, onde ajudei a ligar o nome do nosso país a medidas de modernidade que o procuraram afastar de um mundo de outros tempos, que hoje só quero esquecer e ao qual me recusarei obstinadamente a regressar.

Não me venham com acusações de "fundamentalismos" anti-tabágicos, de excessos de rigor e de falta de flexibilidade na adaptação às medidas que a mera lógica da defesa do consumidor exigia. Não tenho a menor complacência para uma certa brigada snobe, acantonada na trincheira finaça do Ancão ou da Comporta, que defende a venda, sem condições mínimas de higiene, das bolas de Berlim no quente dos Verões sulistas, elitistas e liberais - para utilizar uma máxima consagrada.

Eu também não gosto do tom Dirty Harry que o diretor da ASAE às vezes assumia, detesto aqueles coletes "operacionais" que o seu pessoal usava (usa?), fiquei por vezes incomodado com o espetáculo mediático com que a ASAE envolvia algumas das suas operações, sob o "voyeurisme" das televisões. E aceito, sem dificuldade, que possa ter havido, aqui ou ali, algum excesso, no cumprimento das leis que a ASAE tem por obrigação fazer respeitar. Mas recuso-me a confundir tudo isso com o essencial: a ASAE foi uma benção para o consumidor português.

Por isso, para mim, e para sempre no futuro, nomeadamente na luta política que sobre isto aí virá, viva a ASAE!

22 comentários:

Isabel Seixas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Isabel Seixas disse...

Era uma vez um País
sentado, no sol da sua simpatia,
traido, por insolação,antipatia
do sol...
Os cidadãos do País
distribuidos por heresia
em quatro formas de nariz,
brincavam, ´como se fosse a sério,
como pescadores indolentes,
num obsessivo despautério
de procurar o anzol,
ora opositores ora governantes...

Sucede a necessidade maior,
dividir para reinar,
o determinante único e Mor
para numa equipa trabalhar...

Quase todos despidos da moral da moral, aquela moralizante,
(a não sermos nós, pois claro)
os narizes aduncos,
nos seus desvarios de poder,
professam a filosofia
de desmentir as próprias verdades que os levaram à chefia...

Já os narizes, ainda, arrebitados
e ainda cheios de trunfos
com os peitos insuflados
sopram ventos mal criados
sem exequibilidade ao nascer...

os narizes protetores
eufemizam os seus rancores
acordando com os anteriores
na salvação das auditorias
esquecendo que os estilos de vida saudáveis
só se tornam efetivos e viáveis
no promover,
nos contextos
pelos próprios usuários
a pedagogia das cidadanias...

Então vêm os salvadores
ó narizes redutores
convencidos, promissores,fotocopiadores dos impérios sucessivos,
espetam-se como comentadores
num qualquer ecran televisivo ou de computadores,
a armar-se aos cágados,
de todos os descobridores
da pólvora e dos retardadores das soluções
em noivados embriões
depois dos fetos consumados...

Era uma vez um País
que se esqueceu de ser dono do seu nariz,
meteu-se de aprendiz de feiticeiro
com obra e com obreiro
só precisava de certa diretriz
cobrir o leviano umbigo ao léu
aglutinando os quartos num só Nariz
para voltar à moral da história
trazer de volta da memória
o futuro de ser um País
bem dono do seu nariz.

e vai daí,
bom domingo...
vou mas é à queima das fitas...

Bmonteiro disse...

Tem toda a razão, mas não há bela sem senão.
Carta à Direcção ASAE Castelo Branco, denunciando negócio ilegal oficina reparação auto: Nada.
Carta Director nacional ASAE, idem: Nada.
Nem a solução sugerida ajudou:
para evitar despesas viajem, carro e ajudas custo, oficiar chefe posto GNR local (perto 60 Km) para actuar. Nada.
Nada com deixar andar.
Talvez por insuficiente português da minha parte.
Contudo, o fecho de alguns tugúrios de café & tinto, em boa hora accionados.

patricio branco disse...

totalmente de acordo, ficamos sempre assustados e de pé atrás quando ouvimos falar em mudanças,restruturação... existirão pressões, quererão cortar no orçamento, se voltarem as baratas não importa, ou os ratos, e os produtos fora de validade, etc
permiti-me portanto copiar e partilhar, indicando proveniência do texto
ps. ficava bem uma qualquer fotografia a ilustrar, não digo duma barata, mas duma frigideira...

Anónimo disse...

Este post é um superior ato de civismo.

Cabal manifestação de política séria.

Respeitosos cumprimentos.

Guilherme.

Jasmim disse...

Concordo inteiramente.

Anónimo disse...

Neste país de cobardolas, da cunha e de chico-espertos, este post é absolutamente essencial.

Na ASAE só queriam ver os coletes, o bigode do chefe, o aparato, esacondiam o essencial: a defesa do consumidor português

Plagiando-o: viva a ASAE!

Parabéns caro conterrâneo!

duarteO

Anónimo disse...

Não subscrevo porque não sei escrever tão admiravelmente!
Mas concordo plenamente!
O tradicional não é desculpa porque não tem nada a ver com “sujo” e, o rigor “chato”, é sempre preferível em assuntos de segurança.

Portugalredecouvertes disse...

Eu penso que a ASAE trouxe um nível bom de segurança ao país,
ou eu me engano ou desde que esse organismos apareceu, tem havido menos notícias sobre intoxicações alimentares em Portugal

Anónimo disse...

subscrevo tudo menos a tirada contra a "brigada snob" entrincheirada num lugar snob porque acho que é apenas um preconceito do embaixador. O que interessa meia dúzia de piadas parvas de uma minoria da minoria dos bem instalados?
João Vieira

EGR disse...

Senhor Embaixador : não duvide que está a caminho fazer da ASAE uma irrelevancia.
Estão a preparar-se para a passar, ou até ja passaram para a tutela da Secretaria de Estado do Turismo, cujo titular- mais oriundo de um grande escritório de advogados- já declarou que entendia que a ASAE sofre de um "certo fascismo alimentar".
Quanto ao Portugal que refere eu tambem o conheci e não quero lá regressar !

Anónimo disse...

infelizmente a autoridade em portugal costuma sofrer dos dois problemas que refere
o laxismo
ou
o autoritarismo

a asae so perdeu com a maneira como entrou a matar
infelizmente a policia parece sofrer do mesmo problema...



bh


Anónimo disse...

Muitos "Amens"! Que tal um artigo num dos diários! O "Post" é importante e lido por alguns (muitos), mas seria essencial multiplicar o seu conteúdo, pela escrita ou/e por um "Prós e Contras". Bem Haja

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Senhor Embaixador,

BRAVO, Subscrevo na TOTALIDADE este seu texto

diogo disse...

Não era assim tão mau . Todos os que aplaudem a tirania higiénica da ASAE chegaram até hoje vivos e sãos a despeito do pão com ranho que vossas exªs consumiram e que nos dias de hoje são completamente reprováveis e nojentas . Nem tanto ao mar nem tanto à terra . Respeitosos cumprimentos

Anónimo disse...

No meu entender acho que a ASAE é uma instituição de referencia Internacional e esta para ficar contra tudo e contra todos que a querem destruir, tenho pena que o Inspetor Geral António Nunes tenha saído...
VIVA A ASAE....

José Couto Nogueira disse...

Neste particular é dificil ser equitativo... Por um lado, a ASAE tinha (tem?) métodos um bocado brutais e um modus operandi bárbaro. Não se justifica, por exemplo, que andem armados e com aqueles coletes de polícia paraguaia... Por outro, eram eficientes e diligentes - sei de vários casos que eles seguiram com afinco e relataram ao pormenor.
Por outro lado ainda, essa história da higiene alimentar foi levada ao exagero, e muito. A cozinha tradicional, os enchidos, tudo isso carece de higiene de fórmica e aço inoxidável e não me lembro de intoxicações fatais. Muitos negócios apetitosos morreram por causa das exigências da ASAE. Espero que a mudança de tutela a torne mais civilizada, mantendo a eficiência.

José Couto Nogueira disse...

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A ASAE actuava (actua?) de uma forma brutal, mais própria de ditadura sul americana do que de país europeu. Andavam armados, com aqueles coletes ridículos e eram truculentos, estúpidos. Além disso fechavam estabelecimentos - restaurantes e fabricantes - tradicionais, cuja higiene podia não ser inoxidável, mas que há muito serviam clientes satisfeitos, sem doenças que se vissem. Claro que é bom que se estabeleçam regras no sector e se acabe com os abusos, mas não com aquela mão pesada. Sei de estabelecimentos que foram multados e fechados anos (sim, anos) para depois ganhar em tribunal... É preciso haver uma ASAE, mas tem de ser uma ASAE atenta às particularidades da nossa culinária não industrial... Quanto à tutela, tanto faz.

Anónimo disse...

Sr. José Nogueira, a ASAE é um Órgão de Policia Criminal como tal tem uso e porte de arma, atualiza-se e os inspetores são pessoas muito bem formadas.
Em relação aos cafés e restaurantes na minha opinião todos que não tenham os requisitos de higiene deviam de fechar todos, pois estamos a falar de saúde publica, mas se calhar você não sabe o que é isso.
Espero que a ASAE continue com este excelente resultado.

Anónimo disse...

E eis que a velha senhora ousa encarnar o país (?!) e ditar-me rimalhices (felizmente curtas, apesar de profundas de compridas) para a sua amiga, a cara Isabel Seixas! On aura tout vu (bem, aqui só vão ver se o caro Autor o permitir - eu, se fosse a ele, não permitia, para salvaguardar a famosa 'dignidade' do blogue…):

sou país
infeliz?
nem juiz
do nariz?
eu me fiz
de raiz,
como quis
- grande treta!

infeliz
é nariz,
dos mais vis
imbecis,
meretriz
que, aprendiz,
por um triz
cá se meta

velha o diz
- porque ris?
sê feliz
faz de atriz
feliz bis
feliz please
com cerviz
alta e reta

(não vi mais rimas em 'iz'
quando tantas há em 'eta'
começando com nariz
passando por narigueta
sem falar desta punh---)

Isabel Seixas disse...

Ó cara velha amiga, que bom vê-la ainda que num epílogo algo solitário, sei bem que esse pseudosindrome de abstinência é promovido por falta de opção na qualidade da oferta, mas se eventualmente for bacalhau sugiro asa branca...

mbs disse...

se outra coisa não houvesse, só o facto de podermos usar uma casa de banho limpa, com papel e água, quando vamos a um estabelecimento de restauração, só por si justificava a actuação da ASAE e desculpava a proibição do uso de colheres de pau...(hoje, até isso eu já acho bem.)Saudades da(não) limpesa de antigamente, nenhumas!