Embora saiba que esta não é uma posição popular, afirmo abertamente que sou um adepto da acção ASAE - a (para muitos famigerada) Agência de Segurança Alimentar e Económica.O trabalho da ASAE repercute um tempo novo na defesa dos direitos dos consumidores portugueses e, por mim, não estou minimamente disponível para me juntar ao coro populista de quantos acham que o nosso país viveria melhor sem essa estrutura de controlo de serviços e, em especial, aos que entendem que Portugal deve manter-se liberalmente no mundo do "jeitinho" e da flexibilização de procedimentos. Às vezes, com patéticos argumentos de tradicionalismo e de românticas pulsões saudosistas.
Mas a ASAE, por mais eficaz que seja, tem ainda à sua frente um desafio que, a ser concretizado, constituiria a sua verdadeira coroa de glória: pôr na ordem o verdadeiro escândalo que constitui o serviço de táxis na zona das chegadas do Aeroporto de Lisboa.
Como diplomata, há anos que oiço, impotente, reclamações de amigos estrangeiros que se queixam do mau serviço prestado por muitos taxistas que operam nessa área, que vão desde a sua atitude pessoal deselegante (e isto é um refinado eufemismo) aos constantes abusos em matéria de preços e outras práticas que nós, portugueses, bem conhecemos. Aliás, chega a ser instrutivo falar com taxistas que não operam nessa zona - de onde eles próprios são excluídos, para evitar concorrência - para se ter uma melhor ideia do que se passa nessa espécie de "Chicago" da sua profissão.
Infelizmente, e como muitas outras pessoas, faço parte do grupo "cobarde" dos que preferem ir apanhar um táxi, no Aeroporto de Lisboa, à zona das partidas, para não ter de me confrontar com a elevada possibilidade de situações desagradáveis na zona das chegadas.
Se a ASAE conseguisse pôr cobro ao que se passa com os táxis nessa zona, estou certo que muitos lhe agradeceriam e que, com isso, a sua imagem pública melhoraria imenso.