terça-feira, março 03, 2020

Não percam, amanhã, 4 de março!


Brasil

Desde que saí do Brasil, fui-me habituando a alimentar regulares discordâncias com amigos que por lá criei. Alguns com posições diametralmente opostas, note-se. Aquele país entrou numa “guerra de trincheiras” da qual me recuso a ser parte.

Vem isto a propósito da atribuição, pelo município de Paris, de uma distinção ao antigo presidente Lula. 

Há amigos meus indignados com o que consideram ser uma provocação, uma atitude desajustada face a um cidadão cuja precária liberdade, de que atualmente usufrui, não pode fazer esquecer que ele foi já condenado em justiça e sobre ele impendem ainda outras acusações.

Outros amigos, porém, exultam, por estas horas, ao verem como que implicitamente reconhecido pelo mundo que Lula está a ser sujeito, no seu país, a um processo condenatório completamente enviesado, por motivos puramente políticos, sob um corpo de provas frágil e muito pouco credível.

(Já imagino o que virá “por aí”, em termos de comentários indignados!).

Não sou brasileiro, não sou juíz, mas acompanho com alguma atenção o que se passa naquele país. Por isso, apenas quero dizer uma coisa, bem simples: não tenho a certeza de que Lula não seja culpado de alguma coisa, mas tenho a convicção (que, valha ela o que valer, é a minha e por isso aqui a deixo) de que a sua culpabilidade é bem menor do que a diabolização que dele querem fazer.

segunda-feira, março 02, 2020

Diz que é uma espécie de desilusão...

Há semanas, um amigo dizia-me que, às vezes, ao ler-me, ficava chocado com o facto de, à revelia do que lhe parecia ser a coerência essencial daquilo que entendia serem as minhas ideias, políticas e não só, se confrontar, com alguma surpresa, com posições que abertamente contrariavam essa lógica, o que lhe suscitava intimamente uma reação do género: “Então este tipo, com quem tantas vezes estou de acordo, sai-me agora com uma destas!?” Uma espécie de uma desilusão...

Não o esclareci sobre se, na realidade, essa minha atitude tinha mais a ver com um displicente desinteresse em sustentar a coerência ou, muito mais, com uma forma provocatória de estar na vida, uma espécie de assumido “estar-me-nas-tintas”. Ou se acumulava, até com algum gozo.

De uma coisa, porém, tenho absoluta certeza: um amigo define-se pelo facto de continuar a sê-lo, mesmo depois de constatar que está em completo desacordo com o que dizemos, ainda que em coisas que tidas por ele como essenciais. O resto, já aprendi: no melhor cenário, são amigos de ocasião, no pior, amigos da onça.

domingo, março 01, 2020

Brevemente, num Afeganistão perto de si...

Os EUA são peritos em intervir em países alheios, mas a História prova a sua inabilidade para montarem “exit strategies” minimamente sustentáveis. Na maior parte das vezes, “deitam dinheiro” sobre os problemas que criaram, quase sempre na forma de créditos para as suas empresas. Foi um “filme” que já se viu no Iraque, e que vai ser realizado, pela enésima vez, no Afeganistão.

O destino da comenda

Anos 50 ou 60. O secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, depois de muitas insistências e empenhos de terceiros, lá se tinha dignado receber aquele diplomata. 

Era um homem apagado, a quem nunca tinha sido atribuída a chefia de qualquer missão, que jamais tinha podido ouvir alguém chamá-lo de embaixador, que rodara entre alguns postos de segunda linha, sem grandes queixas de ninguém mas também sem um lustro minimamente notório. 

Curiosamente, quer ele quer o secretário-geral tinham entrado para as Necessidades no mesmo ano, mas os seus destinos não podiam ter sido mais díspares. O chefe da carreira, que é aquilo que todo o secretário-geral é, tinha tido um percurso profissional fulgurante, com alguns postos daquilo que, na linguagem mordaz da casa, se chama a ”linha Elisabeth Arden”: Nova Iorque, Londres, Paris, Roma... O seu modesto colega de entrada apenas chegara a ministro plenipotenciário de segunda classe, vulgo “ministro de segunda”, e jazia, prestes a chegar à reforma, numa obscura repartição, onde vulgarmente ia parar quem estava destinado ao esquecimento.

O gabinete do secretário-geral era, ou parecia, imenso. Estava situado no chamado terceiro andar do palácio. Quem não estivesse habituado à linguagem da casa diria que aquele era o primeiro andar do edifício das Necessidades, situado imediatamente após o piso da entrada, a quem acede pelo largo do Rilvas. Mas não, as contas, por lá, não se fazem assim - e não me obriguem a explicar agora porquê.

Escrevi que o gabinete “era”, porque, desde há bem mais de três décadas, a birra de um ministro, num assomo de poder, determinou a saída do secretário-geral desse espaço tido por nobre, enviando-o para outro andar - mais abaixo, claro. Onde hoje está e, por sinal, dignamente instalado o chefe da carreira.

Entrava-se para esse antigo gabinete do secretário-geral por uma porta envidraçada a fosco, bordeada a cortinados de veludo verde. A secretária onde se sentava o poderoso embaixador estava situada ao fundo. Os escassos segundos que demorava a travessia da sala atapetada, a caminho da pessoa que encarnava o topo funcional da casa, pareciam, para alguns funcionários que eram ali convocados, uma eternidade, que pontuava a distância hierárquica que esse percurso simbolizava. Lá chegados, havia uma cadeira, sempre colocada ligeiramente de lado, arredondada nos braços e nas costas, com palhinha. 

O nosso homem, que tinha dado entrada na sala por indicação do chefe de gabinete, instalado na antecâmara, aproximou-se da mesa do poder corporativo e, atento e venerador, ali ficou de pé, expectante. O secretário-geral, a custo, levantou os olhos para o velho colega, com quem não falava havia décadas, e, com um ar indiferente, disse: “Ah! És tu!”. Sem lhe estender a mão, apontou para a cadeira: “Senta-te!”. Passaram uns segundos e, com um suspiro e a condescendência de quem não estava disposto a perder muito do seu tempo, atirou: “Então diz lá ao que vens!”

O diplomata tinha ensaiado um discurso que começou a debitar. A sua carreira estava a chegar ao fim, preparava-se para regressar definitivamente a casa, sem que alguma vez a casa tivesse tido para com ele um reconhecimento mínimo, depois dos mais de quarenta anos que dedicara ao serviço público. Nunca pudera dar o gosto à família de ter recebido, por parte do Estado que servira, um gesto de apreço pelo seu trabalho, passado algumas vezes em lugares bem penosos, porque o seu fora o caminho das pedras.

O secretário-geral, sobranceiro, com um palpável e sobranceiro sentimento de distância humana. Era conhecido por ser uma figura autoritária, que utilizara o poder para algumas “vendettas” e não poucos gestos de arbítrio, à revelia do ministro, que lhe entregara a gestão da casa. Notava-se que começava a perder a paciência para toda aquela ladaínha, e já não o escondia, ora remirando papéis sobre a mesa, ora esboçando um esgar desagradado. Olhava o interlocutor por cima das lentes dos óculos, que usava para o despacho que se vira obrigado a interromper para aquela indesejada audiência. A certa altura, visivelmente cansado das lamúrias do colega, que mal reconhecia profissionalmente como tal, exclamou: “Mas então é uma condecoração que tu queres, é isso?”. O outro tartamudeou algo que não contrariava esse entendimento do secretário-geral. 

Este, impaciente e quase irritado, abriu uma gaveta da sua secretária, remexeu umas coisas por lá e fez sair uma pequena caixa côr-de-vinho que fez cair à frente do diplomata: “Pronto! Pega lá! Leva esta!”

A condecoração era um grau baixo de uma ordem criada pela Polónia depois da recuperação da independência do império austro-húngaro, após a Grande Guerra. Era atribuída, por esses tempos, com uma generosidade quantitativa que a desqualificava pelo mundo, pelo chamado governo polaco no exílio, em Londres, a quem desse mostras oficiais de apoiar a sua luta contra o regime comunista que passara a reinar em Varsóvia. A ordem honorífica chamava-se “Polonia restituta”.

O nosso homem olhou a caixa, intrigado, não reconhecendo, na águia dourada gravada na tampa, nenhum sinal identificativo de uma qualquer comenda portuguesa, que era o seu objetivo natural, nesse final de carreira. E perguntou, já tenso: “O que é isto?” O secretário-geral, displicente, respondeu-lhe: “É a “Polonia restituta”. É o que se pode arranjar...”.

Não tocando na caixa, o diplomata pôs-se de pé, afastou a cadeira, ficou hirto e, num assomo de dignidade, que terá vingado uma vida de humilhação e de forçada modéstia, teve uma reação sobre a qual, passados que são todos estes anos, a doutrina da casa ainda hoje se devide. 

Há uma escola, que creio maioritária, segundo a qual, cavalgando a sonoridade da última sílaba da designação da distinção polaca, o nosso homem terá mandado o secretário-geral de volta para a senhora, com suposta vida pública menos prestigiante, que o teria gerado. 

Outra corrente alimenta, contudo, a versão de que o diplomata poderá ter sugerido ao secretário-geral que viesse a introduzir a condecoração num orifício natural que a contenção tradicionalmente usada neste espaço me não permite explicitar, com a crueza lexical que consta terá sido utilizada.

Tirando esta pontual divergência sobre o destino recomendado para a comenda, contradição que, passados todos estes anos, se torna difícil de sanar, a única coisa que me é possível atestar, porque faz parte da irrefragável tradição oral do venerável palácio das Necessidades, é que a veracidade do episódio que acabo de relatar se situa acima de qualquer dúvida.

sábado, fevereiro 29, 2020

Dúvida angustiante

Sempre me coloquei esta (seriíssima) questão: alguém que tenha nascido a 29 de fevereiro sente-se bem, durante ciclos de três anos, a festejar o aniversário a 1 de março? E tem lata para soprar velas e receber presentes numa data que todos sabem que é falsa?

Guiné-Bissau


Foi a primeira colónia portuguesa a declarar independência, em 1973, ainda a ditadura por cá imperava. Era o tempo da ligação política Guiné-Cabo Verde, que se perdeu com o tempo e com o peso das realidades. Hoje, Cabo Verde é um Estado democraticamente exemplar, onde a alternância política se processa com serenidade, fruto do voto nas urnas. Uma outra “alternância” existe também na Guiné-Bissau, a que é marcada pelos sucessivos golpes de Estado, com a imponência das fardas a surgir ciclicamente por detrás de uma classe política onde há conhecidos caciques sustentados pela corrupção, pelo narco-tráfico, títeres de uma desbragada ingerência externa, que mantém o país seu refém. A Guiné-Bissau é hoje uma realidade muito triste no mundo da lusofonia.

Previsão

Não me perguntem como sei isto, mas quer-me parecer que o primeiro caso de cronovírus em Portugal só vai aparecer lá para março.

Higiene

Em França, a direita democrática manteve quase sempre uma barreira “higiénica” no tocante ao convívio público com a extrema-direita. Por cá, a Europa vai ser discutida, daqui a dias, com gente do PSD lado-a-lado com o deputado do Chega. Depois queixem-se!

Lado a lado


Aqui vai mais uma contra o “ar do tempo”: neste tempo de incensamento do cronista Vasco Pulido Valente, talvez fizesse bem a muita gente ler (e comparar com) o que escreveu Nuno Brederode Santos.

Baixar a guarda

No boxe, “baixar a guarda” significa facilitar o ataque do adversário. Quase sempre, isso acontece involuntariamente. Desta vez, faço-o em toda a consciência, ao deixar aqui escritas duas coisas, “com toda a frontalidade” (para citar o “clássico” Paulo Bento):

- aprecio muito coragem da ministra da Saúde, tendo-a por uma pessoa dedicada e competente, que está a desempenhar com grande seriedade uma tarefa muito difícil, em especial na conjuntura em que a exerce. Pode, aqui ou ali, ter tido uma declaração pública menos feliz, mas até no reconhecimento dos seus erros tem demonstrado a sua grande honestidade. (“Disclaimer”: Não conheço nem sou amigo da ministra Marta Temido)

- é uma evidência que Vitalino Canas é, de entre os políticos portugueses, uma das pessoas academicamente melhor preparadas para poder ser um excelente juiz do Tribunal Constitucional. Considerar como um “capitis diminutio” o facto de ele ter exercido cargos político-partidários é um reflexo de cariz populista, tipo “conversa de taxista”, como se a passagem por esse tipo de funções públicas, para pessoas honestas e probas, como nunca ninguém o acusou de não ser, significasse perda da sua independência pessoal e legitimasse o lançamento irresponsável de um manto de suspeição. A leitura enviesada e jocosamente chicaneira daquilo que ele disse sobre o facto de se ter preparado durante quatro décadas para o exercício de funções desse tipo é a prova do nível por que se arrasta o debate político. (”Disclaimer”: Fui colega de governo de VC, com quem tenho relações cordiais mas não de proximidade).

E, agora, façam favor...

Têvês

A agenda noticiosa das televisões portuguesas (sublinho, portuguesas) tem um “template” fixo: futebol, “tempos de antena” (presidencial, governamental, partidário, sindical), desastres, escândalos & tudo o que corre mal. É fácil, é barato e dá milhões de visualizações. E o país gosta assim.

Capas

O “Expresso” de hoje traz uma manchete que, em tempos idos, o jornalismo de referência denunciaria como alarmista. Estou certo que era isso que faria o “Expresso”.

sexta-feira, fevereiro 28, 2020

Risco do coronavirus


Percentagem de risco de morte, por grupo etário, se uma pessoa for infetada.

O destino


O que nos últimos dois dias se passou com as equipas portuguesas envolvidas nas competições europeias consagra uma tendência que, ano após ano, dá ideia de se acentuar. Parece hoje evidente que o futebol português, a nível de clubes, revela uma capacidade cada vez mais limitada de afirmação no plano internacional. Os clubes nacionais - mais uns do que outros, naturalmente - tendem a “cair” cedo nas provas onde intervêm e começam a afastar-se inexoravelmente de “potências” de países como a Alemanha, a Inglaterra, a Espanha, a Itália ou a França. Portugal continua a ter excelentes condições para “produzir” magníficos jogadores, mas o poder económico dos seus clubes, mesmo os mais poderosos, revela-se incapaz de os “segurar”. Assim, com alguma arte e organização, o nosso país poderá continuar a ter seleções nacionais competitivas, constituídas com os melhores dos seus jogadores que atuam no estrangeiro, mas o destino parece apontar inexoravelmente para que, cada vez mais, os clubes portugueses venham a ficar distantes do grandes troféus europeus. É pena, mas é assim!

Marquem nas vossas agendas!


quinta-feira, fevereiro 27, 2020

Tristeza

Há pouco, deparei, ali no Facebook, com uma troca acrimoniosa de comentários entre duas pessoas com quem tive o gosto de trabalhar num determinado posto diplomático.

Por essa época, essas pessoas mantinham entre si um esplêndido relacionamento pessoal, que muito ajudava ao convívio, são e descontraído, que sempre imperou naquela embaixada.

O que é que mudou? A política. Gente de esquerda contra gente de direita? Nada disso! Curiosamente, ambos de esquerda! (Ainda por cima simpatizantes doentios da mesma cor futebolística!)

Ao longo da vida, satisfaz-me muito constatar que nunca me zanguei com ninguém das minhas relações por motivos políticos. O contrário já não é verdade: houve amigos, muito poucos, é certo, que se foram afastando por divergências de opinião que eles terão considerado impeditivas da sustentação da normalidade da nossa relação anterior.

É triste? É, mas é a vida.

quarta-feira, fevereiro 26, 2020

Extremos


As expressões “extrema direita” e “extrema esquerda” têm duas similitudes. A primeira é semântica: em ambas, existe a palavra “extrema”. A segunda é que o passado em que essas correntes tiveram origem foi marcado por sinistras ditaduras - de um lado o fascismo e o nazismo, do outro os regimes comunistas, que resultaram num desastre totalitário. As similitudes acabam aí, pelo que é hoje profundamente desonesto procurar equiparar os dois conceitos.

A extrema direita é xenófoba, racista, discriminatória e promotora de políticas de ódio, obsessivamente securitária, cavalgando um sinistro nacionalismo.

A extrema esquerda, chamemos-lhe assim por facilidade, pelo contrário, defende políticas de igualdade e integração social, é anti-racista e anti-xenófoba e tem uma agenda política basicamente humanista - embora eu discorde do seu anti-europeísmo, do radicalismo simplista de muitas das suas receitas e ache irrealistas grande parte das suas propostas, por muito generosas que possam parecer.

Mas eu não esqueço nunca quem esteve do lado certo na 2ª Guerra Mundial, tendo tido um papel fundamental para a derrota do mais odiento projeto político que se conhece - o nazi-fascismo. E também me lembro bem de que, por cá, quando se tratou de ajudar a derrubar o projeto de fascismo saloio, mas criminoso, de Salazar, bem como lutar contra o colonialismo, essa esquerda foi essencial e, por virtude da sua luta corajosa, pagou um elevado preço, sofrendo o que nenhuma outra força de esquerda então sofreu.

Se é verdade que, nos anos de 1974/75 – vai para meio século! -, parte dessa esquerda foi tentada a uma deriva de populismo autoritário, é também uma evidência que a democraticidade da sua postura no sistema político tem sido, desde então, inquestionável. A sua participação na “geringonça” foi o reconhecimento natural desse seu pleno estatuto democrático.

Por isso, não votando eu nos partidos de Jerónimo de Sousa ou de Catarina Martins, de que muitas coisas me separam, deixo expresso que tenho consideração política (e, por sinal, também pessoal) por essas figuras e pelas formações que dirigem. E, como é óbvio, não tenho a menor consideração por quem titula políticas de extrema-direita, bem como por quem tende a desculpabilizá-las e por quem vier a prestar-se a estender-lhes a mão.

Há muito que me apetecia deixar isto bem claro. Seria porventura mais cómodo não o fazer, mas começo a estar cansado da fraude que é a recorrente tentativa de equiparar duas realidades que não se podem comparar.

terça-feira, fevereiro 25, 2020

Ansiedade

Estarei enganado ou deteto em algumas das nossas televisões uma espécie de ávida expetativa pelo primeiro caso de virus positivo em Portugal? Mas deve ser só impressão minha...

Pesar

Não confundo nunca as fronteiras da política com as relações pessoais. A grande perda que Pedro Passos Coelho acaba de sofrer, com a morte da sua mulher, somada ao desaparecimento, não há muito, do seu pai - pessoa por quem eu tinha estima e consideração -, configura para ele um tempo que imagino bem difícil. Deixo-lhe um abraço vila-realense de solidariedade e de pesar.

Verde

Mesmo ficando em casa, continuo equipado de verde.